9.8.07

Caminhando e cantando...

Vivemos por muito tempo uma situação que não sei se foi sui generis (o que se conheço sobre história de outros lugares não me permite definir), mas que nos trouxe uma peculiaridade jacu que nos atrapalha até hoje, e isso por conta dos acontecimentos de Abril de 1964.

Instaurado o golpe, nossos intelectuais começaram a fugir ou a serem "fugidos" de casa, o que nos trouxe um complicador dos grandes: quem iria pensar o país, pensar sobre o país, ou mesmo pensar sobre qualquer coisa?

Pois bem, sabemos quem assumiu tal posicionamento: a classe artística - músicos, atores, teatrólogos e assim vai. O modus operandi? Era recortar uma frase do Sartre, juntar umas viagens lisérgicas bem loconas e mandar bala. Qualquer bobagem era considerada pensamento sério. E assim vivemos um bom período da nossa história recente.

Mas o grande problema mesmo é que (e é aí que eu queria chegar), ainda que todo mundo tenha voltado há mais de 20 anos, o pessoal criativo continua achando que falar sobre política, semiologia, ética, transgênicos ou seja lá o que for é a mesma coisa que escrever peças do Zé Celso Martinez Corrêa e, pior, acreditam que seu pensamento alógico bicho-grilado deva ser exposto como algo correto, concreto, bem cabeça mesmo sabe.

Uma amiga outro dia me chamou a atenção para o blog de um desses moços que ainda não se tocaram da coisa e ainda por cima a pegou herdada - um com sobrenome de animal de corcova que vive no deserto.

Meus deus do céu, que confusão!!! Alhos, bugalhos, enxovalhos - tudo temperado com salsinha, molho de tomate, uns torresminhos e muito samba. O sujeito produz lingüística, filosofia da mente, psicologia do desenvolvimento: tudo com o mesmo graceço, seriedade e autoridade com que elaborou e narrou a mais metafísica das questões metafísicas - do que é feito o samba?

Sei de um povo que fica louco com as indagações que saem daquela cachola. Num programa de tv outro dia um fã citou uma música em que o dito rimava algo como andança e dança, perguntando todo emocionado sobre a facilidade que o tal tinha de compor "aliterações". Rima pobre agora é aliteração - socorro! - um Bandeira na testa do inútil. Mas não ligue ainda, o programa não ficou só nisso não. Em num exemplo de hermenêutica e conhecimento dos textos antigos, disse que não era como Platão que queria "jogar os poetas do penhasco". Ai, ai, ai: lê o que quer e fala o que não queremos ouvir. O Inútil, agora elevado ao posto de categoria, deve ter se arrepiado ao presenciar tamanha erudição.

Surgiu um probleminha e amanhã eu volto pra falar do blog. Farei a emenda dos textos pra esse não ficar assim, caducão.

Inté...

4.8.07

... and then ten years have got behind you...

As perguntas que não querem calar são: quando é que e como eu me atrasei na vida e fiquei assim, fora do tempo exato, correndo eternamente atrás das coisas?

Sim, porque não é possível que alguém esteja sempre correndo atrás do rabo: minhas contas vencem e eu pago uma semana depois; meus prazos do trabalho expiram e eu estou na metade do material; a banda mais nova que escuto é Creedence; minha dissertação, bem...

Já pensei em algumas respostas, hipóteses do tipo:

a) nasci depois dos nove meses, o que me daria um déficit fixo e eterno;
b) entro em pane em alguma momento do dia e me desligo - um lapso momentâneo, o que significa que meu déficit, com passar dos anos, só aumentará;
c) fui abduzido por extraterrestres, passei alguns meses fora da Terra e, ao voltar, tive a memória do tempo de abdução apagada. Ou seja, atraso = tempo de abdução;
d) minha percepção do tempo é falha. Sujeito transcedental com defeito de fabricação;
e) como doce de leite demais e fico bolado, igual beija-flor. Esperança de melhoras então quando a diabetes chegar.

De qualquer forma, seja a explicação qual for, continuo aqui, com a moça das Casas Bahia me ligando diariamente pra perguntar quando é que eu vou pagar e qual o motivo do atraso (devo transmitir a ela minhas hipóteses?); com os e-mails de cobrança do trabalho baixando de hora em hora (devo também?); chegando esbaforido e suado pras aulas (hein?); com o primeiro capítulo da dissertação pela metade (ah, deixa pra lá...).

Soluções pra questão, favor postar aqui.

28.7.07

Madrugada-manhã de quinta, 26/07/07

E vamos a mais um dos sonhos dantescos que infalivelmente me assolam. Apesar de ter acordado tenso e cansado, poucos minutos se seguiram da lembrança do chamado conteúdo manisfesto do sonho ao entedimento de seu contéudo latente. Na verdade o processo para o reconhecimento das significações se pareceu mais com uma redução fenomenológica do que com uma análise propriamente dita. O resultado me deixou chocado pela explicitude do tema e de seus adendos. Vamos à peça:

Acordo pela manhã com um barulho ensurdecedor. Olho pela janela de um prédio que está na Av. Orosimbo Maia: um F-16 cruza o céu. Fico maravilhado com a cena, até que ele despeja bombas sobre algum lugar perto da rodoviária. Aqui acontece o primeiro corte.

Estou já na rua onde pessoas correm pra lá e pra cá. Sei que o João está em um lugar seguro. Quando consigo avistar toda a Glicério, há um Harrier metralhando um prédio, andar por andar. Pergunto a alguém que corre sobre o que está acontecendo e ela me informa da guerra. Contra quem? O Peru. Os aviões brasileiros ainda estão em Aparecida. Fico puto e me pergunto: mas como os aviões peruanos chegaram antes que os brasileiros? Desde quando Peru tem dinheiro pra comprar F-16 e Harrier? Segundo corte.

A situação é deseperadora. Bombardeiros e caças não param de cruzar o espaço. Alguém surge com armas para uma tentativa de abate pelo chão. Pequenas bombas começam a cair presas a pára-quedas amarelos. Corte três.

Estou ao lado de uma enorme catedral gótica e prestes a entrar em um túnel. Parte da lateral da catedral desaba quase sobre mim (ela parece ser feita de areia). Faço parte de um grupo agora. As bombas em pára-quedas conseguem entrar no túnel. Todos nós corremos. Corte quatro.

Entre nós há três peruanos disfarçados que em dado momento tentam nos matar. Não conseguem. Dominamos os rapazes, deixando-os presos em algum lugar. A situação melhora. Aviões brasileiros começam a chegar. Subo em um carro de som e saio andando pelo centro que não é mais o centro de Campinas: Rio ou Salvador. Pessoas mortas pelo chão, igrejas destruídas até a volta à Orosimbo Maia. Corte cinco.

Como é que tudo isso será recuperado? E os infiltrados? E os mortos? Os aviões lançam bombas que logo se transformam em minúsculos raios. Primeiramente negros, organizados, logicamente dispostos. Em um segundo momento se transformam em algo amarelado e começam a trazer vida a tudo e a todos, apagando a destruição e os destruidores. Minha mente é rapidamente invadida por "... sic itur ad astra". Alguma coisa a mais acontece, mas não me recordo. Fim do sonho.


Na minha descontrução algumas coisas ficaram muito óbvias. Por que a guerra começou na Orosimbo Maia? Por que F-16 e Harrier? Por que o Peru? Por que Aparecida? Quem eram os três rapazes? Igrejas destruídas? Rio ou Salvador? Fim da guerra pelo restabelecimento completo do anterior? Ad astra. Todas estas questões têm respostas.

Algumas ficaram em aberto, claro. Mas o essencial está aí, esclarecido.

Os acontecimentos dos últimos dois dias (quarta e quinta) me troxeram este sonho ao me colocarem em outro, provavelmente de curta duração, mas sonho.

27.7.07

Olha o homem aí gente!!!

Às 20h30 de 17 de julho de 1996, um Jumbo da TWA explodiu sobre o Atlântico minutos depois de levantar vôo de Nova York. Todos os 212 passageiros e 18 tripulantes morreram. Nas caóticas horas que se seguiram, as famílias das vítimas que convergiram para o Aeroporto Kennedy reagiam com ira e desespero à falta de notícias sobre a tragédia. Levadas para um salão, viram a porta abrir-se para o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. O que se passou em seguida foi um dos momentos mais fortes dos seus oito anos na Casa Branca. Desacompanhado, ele foi de grupo em grupo, abraçando e confortando as pessoas em voz baixa. Ouviu protestos, cobranças, desabafos. Quando enfim se retirou, o ambiente era apenas de quieta resignação.

Não se pode exigir de chefes de governo convencionais a naturalidade quase sobre-humana com que ele se entrosa com gente do povo, mesmo nos piores momentos, evocando o sentido original do termo grego simpatizar: sentir com. Nas situações de luto coletivo, esse talento dos chefes de governo para a comunhão produz um efeito terapêutico que não se limita aos atingidos mais de perto pelo acontecimento doloroso. Transmite, para toda a sociedade traumatizada, o sinal confortador de que o dirigente maior da nação, além de solidário no sofrimento, é alguém em cujos cuidados se pode confiar. Clinton é um caso à parte, mas agora mesmo outros governantes o imitaram - e não foi pela primeira vez.

Na manhã do último domingo, um ônibus que transportava 50 peregrinos poloneses ao santuário de Notre-Dame de la Salette, perto de Grenoble, a 700 quilômetros de Paris, mergulhou num rio, matando 26 deles. Duas horas depois, ali já se encontravam o primeiro-ministro François Fillon e outros membros do governo francês. Pouco mais tarde, quando chegou ao local, o presidente da Polônia Lech Kaczynski encontrou à sua espera o colega Nicolas Sarkozy. Depois de visitar os sobreviventes hospitalizados, ele anunciou que acompanhará pessoalmente o inquérito sobre o acidente.

Impossível não comparar tais condutas com o sumiço do presidente Lula depois da catástrofe de Congonhas em que morreram 199 pessoas.

Principalmente porque, transmitidas as condolências em rede nacional, após 72 horas de relutância, ele tornou a submergir. Passou o fim de semana trancado na residência oficial e só voltou à tona no programa de rádio das segundas-feiras Café com o Presidente, gravado no seu gabinete. Tornou a dizer, então, o óbvio ululante sobre a impropriedade de se fazer “julgamentos precipitados” sobre a explosão do Airbus da TAM. E, na contramão até do senso comum, considerou “quase irresponsável” que se debatam publicamente as causas da tragédia.

Hoje, o quase emudecido Lula volta à vida normal - à sua maneira, bem entendido. Viaja à noite para o Nordeste, seu reduto por excelência, para um giro por Aracaju, João Pessoa, Natal e Teresina. À época do escândalo do mensalão, o Nordeste era o pouso preferido do presidente. O pretexto, desta vez, é o lançamento de projetos do PAC, o que rende a discurseira para platéias prontas a aplaudir seja lá o que lhes diga o seu ídolo, embora, pelo retrospecto, isso não garanta futuras realizações práticas. O lançamento do PAC na Região Sul, com a presença de Lula nos três Estados da região, estava previsto para a semana passada. Compreensivelmente, foi adiado em razão do desastre da TAM - mas compreensivelmente apenas à luz do seu oportunismo - para depois de 10 de agosto, no regresso de uma viagem ao exterior.

O fato é que, desde a sexta-feira que precedeu a tragédia, quando foi vaiado no Maracanã, o chefe de governo que deixou correr à solta o apagão aéreo, fiel ao princípio de que “a gente faz quando pode, e se não pode deixa como está para ver como é que fica”, parece ter dividido os brasileiros em dois grupos.

De um lado, aqueles junto aos quais procura se reconfortar - certo de que lhe são gratos e não lhe negarão aplausos em quaisquer circunstâncias. De outro, aqueles que, não lhe devendo nada, o aplaudem quando julgam que merece aplausos, mas vaiam quando julgam que merece vaias, como aconteceu na abertura do Pan. Resta saber por quanto tempo Lula evitará as cidades que congregam as parcelas do povo mais críticas do seu desempenho.

24.7.07

fabianescas...

Começar a discutir o relacionamento com uma pessoa com a qual não se tem um relacionamento, criando assim uma tensão desnecessária e quase estragar (ou estragar) tudo.

Quem mais consegueria tal proeza?

23.7.07

Ainda sem tempo

Bem, como já deu pra perceber, ando sem tempo de escrever por aqui - e é por isso que vocês andam vendo filminhos demais.

Para tentar resolver esta história de uma forma mais apreciável, coloco no blog o curriculum do senhor top top, aquele que deixou o país perplexo na semana passada (o vídeo está no post abaixo).

A reportagem veio do Mídia Sem Máscara.

Marco Aurélio Garcia, conhecido como “MAG”, nos anos 60 e 70 do século passado foi uma liderança do trotskismo internacional. Nos anos de luta armada no Brasil viveu exilado na França e no Chile. Após a Anistia, voltou para o Brasil e foi um dos que colaboraram na fundação do Partido dos Trabalhadores e, em 1990, na condição de Secretário de Relações Internacionais do PT, um dos organizadores e fundadores do Foro de São Paulo, que não passa de uma nova Internacional para a América Latina. É professor licenciado do Departamento de História da Unicamp.

Em dezembro de 2002 – ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso -, por instância do presidente eleito e já na sua condição de futuro assessor internacional do governo Lula, coordenou o envio de uma carga de gasolina para normalizar o abastecimento do mercado interno na Venezuela, seriamente abalado por uma greve coordenada pelas oposições a Hugo Chávez.

Valendo-se de sua cobertura de assessor internacional do presidente Lula mantém conversações com os grupos armados e de oposição a vários governos da América Latina, o que, evidentemente, não poderia ser feito pelos diplomatas do Itamaraty. Esses contatos são feitos em nome do Foro de São Paulo.

Marco Aurélio Garcia agora é o coordenador da candidatura do presidente Lula, substituindo “o bando de aloprados” (frase utilizada por Lula em uma entrevista concedida dia 25 de setembro de 2006 a três rádios populares de São Paulo e do Rio de Janeiro) da sua equipe de coordenação de campanha pegos pela Polícia Federal quando tentavam adquirir, por cerca de 2 milhões de reais, um dossiê fabricado para prejudicar as candidaturas de José Serra e Geraldo Alckmin. Nessa entrevista, Lula, que mais uma vez não sabia de nada, não titubeou em jogar a culpa no presidente do PT, Ricardo Berzoini, que foi quem escolheu e coordenava a tal equipe.

Esta introdução objetivou publicar o artigo abaixo que foi escrito em Caracas por Johan Freitas e publicado originalmente no site do grupo MilitaresDemocraticos.com, da Venezuela.

Finalmente, recorde-se que todas as fontes citadas nas referências do artigo foram solenemente ignoradas pela imprensa nacional.

***

O brasileiro que ganha tempo para Chávez. Seus vínculos terroristas e com Saddam

Johan Freitas, Caracas

“Devemos dar a impressão de ser democratas”, disse Marco Aurélio Garcia, o marxista de linha dura atrás do presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. E acrescenta: “...teremos que aceitar inicialmente algumas práticas. Porém, isso não é para sempre”.

Na semana passada Marco Aurélio Garcia esteve na Venezuela, oferecendo apoio a outro suposto democrata, Hugo Chávez. A greve geral na Venezuela secou os postos de gasolina e estrangulou os automobilistas. Os efeitos da greve ameaçam derrubar Chávez do poder. Porém agora, graças a Marco Aurélio Garcia, o navio “Explorer Amazon” dirige-se ao porto venezuelano carregado de 520.000 barris de gasolina sem chumbo da companhia petroleira brasileira Petrobras.

A que se devem sua presença e sua ajuda? Por que o Brasil intervém para desmontar uma greve de caráter eminentemente interno? Por que Lula deseja que Chávez se mantenha no poder? Podemos vislumbrar as chaves a estas perguntas observando detidamente Marco Aurélio Garcia, o homem por trás do plano.

“A democracia não é mais do que uma farsa para alcançar o poder”

Em uma entrevista ao tablóide francês “Le Monde”, o presidente eleito do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, repete as palavras aprendidas com Marco Aurélio Garcia quando descreve as eleições democráticas como uma farsa, que é simplesmente um passo necessário para alcançar o poder.

Para Marco Aurélio Garcia, estas palavras não são só uma teoria. Ele as viveu pessoalmente no período de 1969 a 1973, quando era um ativista político estrangeiro no Chile durante o regime de Salvador Allende. [3]. Allende foi eleito democraticamente porém, uma vez que alcançou o poder, usou o governo para fechar jornais e controlar com mão de ferro os partidos de oposição. Em um conhecido escândalo público, uma grande quantidade de armamento cubano foi encontrada em sua residência, enviados por Castro para armar as milícias civis, com o objetivo de “defender a Revolução Socialista no Chile”. As ações do brasileiro foram fundamentais para esta ação. Este foi o primeiro contato de Marco Aurélio Garcia com as operações cubanas no exterior.

Em 1980, Marco Aurélio Garcia fundou junto com Lula da Silva o “Partido dos Trabalhadores” (PT). Desde então, tem sido seu assessor para assuntos exteriores.

Voltemos a 1990. Enaltecido por Castro, que a estas alturas havia orquestrado incursões militares em mais de 30 países, Marco Aurélio Garcia convoca uma reunião de todos os grupos de esquerda da América Latina e do Caribe. Atendem ao chamado os representantes de 48 partidos comunistas e grupos terroristas. Esta reunião converte-se no “Foro de São Paulo”, com Marco Aurélio Garcia à sua cabeça – um título que ainda conserva no presente, doze anos mais tarde.

O Foro de São Paulo apóia o terrorismo

Atuando como o líder do Foro de São Paulo, Garcia controla e coordena as atividades subversivas e extremistas que se sucedem desde o Rio Grande até a Patagônia, Argentina. Vários dos membros do Foro de São Paulo são terroristas, alguns dos quais estão na lista dos mais procurados pelo FBI. Isto não é uma coincidência. O Foro de São Paulo, sob os auspícios de seu Secretário Executivo Marco Aurélio Garcia, estabeleceu como política o apoio a grupos terroristas. Considere esta entrevista tomada no X Congresso, levado a cabo em 7 de dezembro de 2001 em Havana, Cuba, na qual ele se refere aos grupos terroristas colombianos “Exército de Libertação Nacional” (ELN) e as “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (FARC): “9. Ratificamos a legitimidade, justiça e necessidade da luta das organizações colombianas e nossa solidariedade com elas”.

O novo eixo do terrorismo inicia-se em Cuba, passando pela Colômbia, é financiado pelos milhares de milhões de dólares do petróleo venezuelano e finaliza na superpotência brasileira.

De acordo com as política ditadas por Havana, o líder do Foro de São Paulo, Marco Aurélio Gracia, expressou um especial interesse pelo terrorista Manuel Marulanda Vélez, codinome “Tirofijo”, o líder das FARC. A cada ano, desde 1990, Garcia se auto-impôs como uma prioridade realizar encontros pessoais com enviados das FARC. Estes encontros foram realizados não só em solo cubano – sempre com a presença de Fidel Castro – mas também no México, para onde Marco Aurélio Garcia viajou, a fim de reunir-se em 5 de dezembro de 2000 com Marco León Calara, membro das FARC. Os temas tratados nesses encontros mantêm-se sob um manto de sigilo. Entretanto, cada vez que se reunem, as FARC incrementam seus ataques com um altíssimo custo de vidas humanas.

A lista das FARC e do ELN

Chávez tem apoiado ativamente os membros das FARC e do ELN fornecendo cédulas de identidade falsas, armamento, munições e lugares seguros para a retirada das tropas em ordem. Também recebem apoio de Cuba, onde os líderes destes grupos terroristas descansam e as tropas são treinadas. Inúmeras denúncias muito bem documentadas do presidente e vice-presidente de CAVIM, de diretores da ONIDEX, de efetivos da DIM e da DISIP chegaram ao conheciento público nos meses passados e sustentam estas asseverações. Desta maneira, Chávez se assegura de contar com guerrilhas armadas que serão usadas para debilitar a democracia venezuelana e forçar seu regresso ao poder.

O que o futuro proporciona ao Brasil e à região

Sob Marco Aurélio Garcia, a política exterior do Brasil será manejada desde Havana. A diplomacia do Brasil a cargo de Garcia trabalhará ativamente contra as políticas que os Estados Unidos auspiciam na região, que se iniciarão com seu apoio a Fidel Castro: “cuidaremos de eliminar o bloqueio a Cuba”.

Marco Aurélio Garcia descreve seu partido político, o PT, como “radical, de esquerda, socialista”. Porém, Garcia é mais que um radical e mais de extrema esquerda que um socialista: é de fato um comunista de linha dura que quer reviver o comunismo no mundo. No artigo que escreveu sobre o “Manifesto Comunista”, de Karl Marx, ele conclui que “A agenda é clara. Se o horizonte que buscamos é o comunismo, é hora de reconstrui-lo”.

Marco Aurélio Garcia trabalha muito próximo com outros políticos de tendência marxista ao redor do mundo e aparece em antologias que são lidas como um “quem é quem” dos que apóiam o terrorismo internacional: de Cuba, Mário Machado e Marta Harnecker; da China, YunLin Nie, autor de “O Manifesto Comunista e o Socialismo com características chinesas”; Pham Nhu Cuong representa o Vietnã; e Mohamed Latifi é o contato iraniano. Também colaboram outros extremistas de países democráticos como Seppo Ruotsalainen da Finlândia (autor de “O Processo e o Manifesto Revolucionário”), Allan Woods da Inglaterra (“O Manifesto Comunista Hoje”) e Pierre Zarka da França (“O Manifesto do Partido Comunista”). Todos eles compartilham um profundo e intenso ódio contra os Estados Unidos e a sociedade ocidental.

20.7.07

Jornal da Globo - Reação de Marco Aurélio Garcia

Este é o tipo de gente com a qual lidamos. É a moral reinante e aprovada.

Eu me senti enojado. Alguém por aí também quer arrumar desculpas?

16.7.07

11.7.07

Nóis é nóis

Há algumas semanas, no meio de uma conversa via chat com uma professora de Geografia (se não me engano), fui dizer o óbvio sobre as greves e paralizações das universidades paulistas, ou seja: a) que a questão era puramente política e b) que os pobrezinhos eram massa de manobra dos partidos de esquerda (PT, PC do B, PSTU e adjacências).

A garota não concordava com minha colocação acreditando ser aquilo algo sem fundamento. Questionou-me sem dúvidas: onde você leu isso? Que tipo de coisas você lê? Resposta da questão 1: ora, todo mundo havia noticiado. Até o Correio Popular se atreveu a escrever cerca de 3 matérias sobre o assunto, indicando de quais partidos vinham as novas lideranças estudantis e o enfraquecimento da UNE, que segundo os revoltadinhos do Sucrilhos, tinha perdido a força de ação por estar mancomunada com o governo Lula.

É claro que eu poderia ter dito que conhecia muito bem a coisa porque havia estudado no antro dos cabelos rebeldes. Que sabia muito bem como tudo se configurava dentro dos Centros Acadêmicos, com seus estudantes-políticos profissionais que foram meus veteranos (não de curso, mas de Instituto) e ainda estão lá, de boina e camiseta vermelha, querendo fazer a revolução.

A resposta à questão 2 pode ser dada de duas maneiras: a) quais autores leio ou quais jornais ou revistas leio. Bem, sobre os autores, quem me conhece sabe: leio essencialmente Hobbes, Nietzsche e Freud. Isto tem um motivo sim, e que J.S Mill resumiu assim em seu Sistema de Lógica: "Os seres humanos na sociedade não têm propriedades senão as derivadas das leis da natureza do homem individual, e que se podem realizar em termos destas". Isto quer dizer que para falar sobre política e sociedade é necessário antes dizer sobre qual é o homem que compõe estas instituições. O que vem fora disso não me interessa. É claro que leio e li dezenas de autores. Que leio quase tudo que cai em minhas mãos. E adiantando as coisas, fiz duas matérias sobre Marx na faculdade: 8 e 10. Média 9. Aposto com quem quizer que 99% da galera vermelha não chega aos 5.

Passemos agora para segunda possibilidade de resposta: leio de tudo - jornal de bairro, encarte de geladeira, bula de remédio. Mas pensando melhor na questão da garota lembrei-me de uma comunidade do Orkut onde se vê: Leu na Veja, azar o seu. A imagem que acompanha o texto é a de um burro lendo Veja. E aí eu me pergunto: por que tanto ódio?

Alguém aí sabe me dizer qual foi a revista que publicou a reportagem na qual o irmão Pedro denunciava Collor? Ah, a Veja. E aí a Veja era de esquerda ou de direita? Hein? Outra pergunta: qual foi a revista que melhor cobriu os casos absurdos do mensalão e trouxe à tona os desmandos de Palloci, de Dirceu, de Gushiken? Hein? Algum dos descortinados amigos do presidente conseguiu se defender? Aqui a Veja era de direita ou esquerda? A melhor resposta para a pergunta: nem um nem outro, ora. A questão é que os "nossos" ladrões são boas pessoas e não se pode falar mal deles.

Quero deixar bem claro que não defendo Veja aqui. Que interesse teria? Não sou dono, não sou funcionário. Mas é necessário um pouco de perspectiva histórica e lógica, coisa na qual somos péssimos. Querem ver? Olha só a Caros Amigos:

Agora, que estamos sendo demitidos em massa, o que acontecerá com esses alunos? O Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley já chegou e não foi necessário o uso da genética. Bastaram algumas gestões do PSDB para que uma geração inteira de jovens se transforme em profissionais-gama com diplomas de terceira categoria. Assim, os ricos continuarão cada vez mais ricos e os pobres agora têm sua ignorância reconhecida e sustentada por diplomas universitários assinados e reconhecidos pelo MEC.

Este texto diz respeito à dispensa por conta das faculdades particulares de mestres e doutores. Do ensino de baixa qualidade que elas oferecem. Do futuro dos alunos que estudam nestes lugares. Vamos analisar o texto: bastaram algumas gestões do PSDB para que uma geração inteira de jovens... com diploma de terceira categoria.

Agora vamos colocar os olhos para fora e pensar: foi mesmo o PSDB que fez isso? O verdadeiro culpado? O PT governa há quase dois mandatos e o que foi feito? Nada? Claro que não: foi criado o PROUNI. E o que faz o PROUNI? Financia estas faculdades, paga-lhes prestações para que o ensino criticado (com razão) se mantenha e venha a florescer ainda mais. E então cara pálida?

Na mesma edição Ricardo Antunes diz que a Venezuela é a maior democracia da América Latina, e há ainda uma entrevista imperdível com o neto do Trótski. Preciso comentar? Ah, e sabem quem escreve o último artigo da revista: Emir Sader. (por favor, sem risos)

Mas eu leio assim mesmo: leio Caros Amigos, Carta Capital, Veja, Caras, Super-Interessante, Folha, Estadão, Correio, frasco de desodorante, pote de margarina, embalagem de bolacha...

P.S - A melhor revista brasileira sobre as questões políticas e sociais foi a Primeira Leitura, que fechou por falta de patrocínio.

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Somos pouco lógicos e não queremos saber de história, mas somos tão criativos que inventamos o cheque pré-datado, uma UNE que não é presidida por um estudante e as ONGG´s, Organizações Não-Governamentais Governamentais.

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Estava me lembrando do caso Collor e das questões que permearam o afastamento: quem pagou a reforma na casa da Dinda? Quem comprou o FIAT Elba?

Mal sabíamos o que viria. E olha que engraçado: o Collor foi afastado e o Lula não.

Isto gera uma enquete:

Quando fomos mais jecas?

( ) Naquela época?
( ) Agora?

Dê sua opinião.

4.7.07

Então, né...

A gente fala, fala, e depois é chamado de chato, de reacionário, de direita conservadora e coisa e tal. Podem me chamar do que quiserem, menos de anti-ético ou burro. Isso aí embaixo é só a pontinha do iceberg da galera ixperta salvadora de vidas. Eles sempre me comoveram tanto...

Curso fantasma desvia verba do MEC em São Paulo

São Paulo - Parte dos milhões de reais destinados ao programa de alfabetização de jovens e adultos mantido pelo Ministério de Educação tem ido pelo ralo. Apenas no primeiro semestre deste ano, o ministério liberou cerca de R$ 20 milhões para entidades que têm sede na capital paulista e são responsáveis por executar o Programa Brasil Alfabetizado, mas admite que não sabe o que é feito do dinheiro.


A proposta de erradicar o analfabetismo esbarra em um esquema de desvio de verba que envolve organizações não-governamentais credenciadas pelo MEC. Durante mais de um mês, o Jornal da Tarde analisou as contas do ministério e procurou 130 das 241 turmas montadas pelo Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo - uma dessas ONGs, com sede em Guaianases, zona leste de São Paulo. Pelo menos 65 delas são fantasmas. Há, ainda, professores que não receberam salários, educadores contratados para alfabetizar em três lugares ao mesmo tempo e duplicidade de turmas.


As ONGs são pagas para alfabetizar pessoas de 15 anos em diante. Na capital paulista, 12 entidades foram cadastradas - 11 já receberam verbas para cumprir aquela que seria uma das mais importantes metas do ministério: acabar com o analfabetismo. Em São Paulo, parte dos 68 mil alfabetizadores cadastrados atua desde o início do ano. Mas, terminado o primeiro semestre, centenas deles não viram um centavo da verba liberada.


Para ser cadastrada, a ONG precisa ter o seu projeto aprovado pelo MEC. O Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo recebeu sinal verde em 2006.


A ONG paulista ganhou R$ 632.887,20 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para alfabetizar 5.709 pessoas, com 146 alfabetizadores. A verba foi depositada em 3 de abril. Só pelo grupo de 65 turmas fantasmas, a entidade recebeu pelo menos R$ 98.800,00 e deixou de alfabetizar um mínimo de 650 alunos. Até sexta-feira, grande parte dos educadores não tinha recebido salário.

24.6.07

Sobre a música abaixo...

Bem, a situação é a seguinte: sim, eu assisto Paraíso Tropical.
Dentro do possível, não perco um capítulo. E uma das coisas que mais me chama a atenção na novela é a sua trilha sonora. Voltarei a falar dela por aqui.
O fato é que essa música aí embaixo é uma das minhas preferidas, e há uma versão dela na novela que é cantada e que eu nunca tinha ouvido. Conhecia duas versões: uma do Santana, onde na verdade ela não é tocada inteira mas faz parte do solo de Samba pa Ti, e a outra do George Benson, feita toda, mas sem vocais.
E como o Youtube realiza quase todos os seus sonhos, encontrei esta versão na qual os dois tocam Breezin' juntos. Chatinho, chatinho.

Troquei a seriedade pela brincadeira. Se tiver paciência, falo sobre o poema, que já fala demais por si.

3.6.07

USP 1

A USP não está em greve. Os alunos querem aula. Estão parados os de sempre, os estudantes profissionais. Vejam o caso da FEA, por exemplo. Quem estuda ali quer ser economista ou administrador, e não especialista na revolução que nunca haverá. Mais: está empenhado em ter uma boa formação — também em ser analista crítico do país, sem dúvida (há até professores que ainda são marxistas, imaginem só...) —, mas pretende se livrar logo da canga paterna (alguns já livres) para ganhar a vida; quer ser dono do próprio nariz e senhor do próprio destino. A FEA fez assembléia e decidiu: as aulas continuam.

Já os adolescentes retardados que vivem pendurados nas tetas da família, de algum partido ou ONG (muitos desses adolescentes já poderiam ter direitos garantidos pelo Estatuto do Idoso), bem, estes só pensam na greve. Eles querem nos fazer crer que se trata de um problema político, mas é mentira, como sempre. A questão é psicanalítica. Falta o quê? Limite familiar, puxão de orelha, autoridade. É por isso que qualquer analista logo identificaria o que querem narcisistas: polícia. Sua invasão é um grito de socorro: “Alguém nos reprima, pelo amor de Deus, já que nossas famílias não conseguiram cumprir a contento a tarefa”. Querem um pai para chamar de seu, mesmo que esse pai seja eu, hehe. Huuummm. Não tenho vocação para lidar com preguiçosos arrogantes. Falta-lhes é um chute no traseiro (metafórico, é claro...). Se, um dia, meus filhos invadirem prédio público num regime democrático, não terão meu apoio. Levarão é um puxão de orelha.

A esperança da greve era a tropa de choque do Sintusp, um sindicato que não consegue passar pela maioria dos dispositivos do artigo 5º da Constituição Federal. É aquele cujo caput diz o seguinte: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”. É o fascismo disfarçado de socialismo; é o diabo disfarçado de capeta. Nem a paralisação dos funcionários — que estão submetidos a métodos violentos, constrangedores — é integral.

Alô, alunos da USP: hora de resistir. Estão em confronto dois modelos de universidade:
1) o de São Paulo, em que vigora a autonomia universitária;
2) o de Lula, do PT e das esquerdas, que entrega o terceiro grau para as mantenedoras privadas, amigas do poder, que são alimentadas com o leite de pata do dinheiro público do ProUni, sem precisar oferecer nem mesmo qualidade.

Que fique claro: eu sou crítico da gratuidade. Acho que é preciso cobrar de quem pode pagar. E quem não pode deveria estar obrigado a alguma forma de ressarcimento social pelo bem que recebe do conjunto dos paulistas. Mas este sou eu. Serra não quer nem ouvir falar em cobrar mensalidades das três universidades estaduais. Ele disse que a estrutura que seria criada para distinguir os que podem ou não apagar acabaria sendo cara, ineficiente e contraproducente. E há também o princípio: ele é favorável ao ensino universitário público e gratuito.

Mesmo sendo crítico do modelo paulista, é óbvio que eu o considero melhor do que o modelo lulista. Ou, por acaso, nos quatro anos e meio de governo Lula, as universidades federais e as privadas (ops!) que o PT financia conseguiram competir com USP, Unicamp e Unesp? E vejam que coisa: por lá, a extrema esquerda não promove baderna, não é? Ela vem fazer bagunça justamente no modelo que funciona melhor, embora muito longe do ideal.

Resistam, uspianos! Defender a greve é dar um tiro no próprio pé. Os paulistas desdentados podem começar a achar que não vale a pena sustentá-los.

Depois eu falo da UNICAMP.

21.5.07

A Virada Cultural do ponto de vista de um ancião

Talvez eu escreva mais posts sobre isso, mas a Virada Cultural pra mim não passou de um bom posto de observação. Um lugar onde me diverti muito gostando de nada. Um lugar onde o mundo da imagem se mostrou com tanta força que eu acho melhor começar a pensar melhor sobre isso. Bem, vamos ao momentos dos quais me lembro e das questões que me suscitaram.

1. Cupinzeiro - todo mundo já ouviu falar do Cupinzeiro. Todo mundo fala bem do Cupinzeiro. Por quê? Porque é "in", porque é "cult", porque "resgata a história da nossa cultura" subdesenvolvida. A formação é péssima, os sujeitos tocam mal, as pessoas que colocam a voz são desafinadas e sequer sabem lidar com o microfone. Enfim, coisa pra antropólogo, etnólogo, como quase tudo o que aconteceu na tal Virada. Onde é que estava o Bons Tempos hein? Ah, o Bons Tempos não mistura piercing com tatuagem com roupa BG e faz pesquisa. Eles fazem o que músicos devem fazer, tocam e com alegria, e isto não cabe no nosso discurso progressivojeca, na nossa culturajeca.

Bem, ouvindo estes trastes eu tomei três cervejas e comprei um sabonete de uma moça que faz "pesquisas com essências naturais". Ao menos os sabonetes eram melhores do que o Cupinzeiro. Ela também faz sabonetes em forma de pinto e xoxota, o que eu achei legal. De qualquer forma, com tanta pesquisa, no ano que vem a Virada terá patrocínio do CNPq, acho eu...

2. Estação Cultura - perdi o show do Tom Zé que era a única coisa que eu queria ver. Quando lá cheguei já estava rolando um som com DJ's. Falaram da Negra Li mas se ela apareceu por lá eu não vi (olha só, fez até rima - se eu fosse o Marcelo Camelo diriam que eu estaria me aproximando muito do parnasianismo neste memomento). Tive uma conversa muito esclarecedora sobre um dos piores dias da minha vida e que me explicou muita coisa. Depois tomei mais 345 latas de cerveja e fiquei pensando que se aquele povo todo fosse composto por filhos meus eu cortaria o cabelo de todo mundo, colocaria uma roupa decente e botaria todos pra lerem Fausto, Eu, e um Mário Sá-Carneiro por exemplo, só pra começar (talvez fosse melhor Reinações de Narizinho, pensarei melhor sobre isso). Isto sim seria virada cultural. Fica aí meu filho, tenta enfiar alguma coisa neste oco acima do seu pescoço e amanhã a gente conversa. Vira a noite aí e vamos ver se seu vocabulário amanhã passa de 250 palavras.
Mas uma coisa, entretanto, é fato: todo mundo muito bem produzido com suas roupas huhu, seus cabelos huhu, suas tatoos e piercings huhu. Pensei também em pôr uma imã no teto da estação e de 30 em 30 minutos colar todo mundo lá em cima, via piercing. Hopi Hari de galera huhu.

Amanhã continuo a minha participação na Virada Cultural porque tenho que escrever mais dois textos pro site.

P.S sobre a noite - Ninguém ficava com ninguém porque ninguém sabia quem era o quê. Só as lésbicas ou bis femininas se beijavam porque, afinal de contas, ser bi ou lésbica também é ser cult, também é ser huhu. Então elas se acabaram como se também fossem, e talvez se tornaram, atrações da Virada (ali tem malabares, ali tem designers de luminárias, ali tem lanche natural e ali tem mulher se beijando). Individualismo e hedonismo à qualquer preço. E ainda querem fazer a revolução sem controle ou respeito do que lhe é mais próprio, ou seja, o corpo. Antes que falem de mim: não, não. Não sou retrógrado a este ponto não. O que me incomoda é o ato massificado e ingênuo, o imagético, o circo.

Huhu pra vocês e até... que agora eu vou fazer pesquisa.

18.5.07

But the sun is eclipsed by the moon...

Palavras sobre vida e morte. Palavras sobre imanência, transcendência, passado e aquilo que virá.

Vida 1 - Semana passada foi aniversário da minha avó. Aniversário da Dona Hilda. Ou como eu costumava chamá-la até pouco tempo atrás: vó Uda. Se pudesse classificá-la em alguma nosologia, diria que ela é a hiperativa mais tranqüila que eu já vi na vida. Do alto dos seus 78 anos não pára um segundo: acorda às 6h para a ginástica, às 8h já está indo para o centro onde trabalha de voluntária na farmácia da igreja, e volta somente às 16h pra casa, quando então faz as “suas” coisas. Some de vez em quando, deixa todo mundo louco (uma tia chorando aqui, a outra ligando pros hospitais), até que chega a já sabida ligação : - Olha, eu estou aqui em Curitiba viu, liguei pra vocês não se preocuparem. Curitiba, São Paulo, Florianópolis – ela simplesmente vai sem falar pra ninguém. No ano passado fez uma cirurgia em São Paulo, sumiu por três dias, e depois ligou pra dizer que “tinha dado tudo certo”. Lida com a vida de forma invejável: sempre sem estresse, sempre no pra tudo dá-se um jeito. Bem, pra quem criou cinco filhos sozinha e ainda manteve a sanidade, acho bom que comecemos a acreditar nesta história. Vó Uda, com todo meu amor, um feliz aniversário, ainda que atrasado.

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Vida 2 – Minha irmã, minha linda irmãzinha está grávida. E a família toda com os sorrisos encostando nas orelhas. Minha mãe não cabe em si e eu, eu mesmo, serei “tio”. Viva, viva, viva!!! O João também não se controla pelo fato de que terá um primo. Semana de comemoração e início da contagem regressiva. Em Janeiro mais um membro da família pra correr pela casa. Mais Papai Noel, mais recomeço. Beijo mana e Gary, e parabéns!


Perda – No Domingo, dia das mães, uma aluna minha, a Gabi, faleceu. Tinha problemas cardíacos, precisava de um transplante e não o conseguiu a tempo. A classe triste (segundo colegial), a escola triste, os professores abalados. Gabi fazia brigadeiros para o seu próprio aniversário quando começou a sentir-se mal. Não voltou mais pra casa, não voltará mais pras aulas. Existe toda uma estranheza, toda uma névoa que envolve a questão da morte. Mas o que me entristece, o que me preocupa, é aquilo que não foi vivido. É a pletora de experiências de que alguém com 16 anos é privado. Terá a Gabi amado? Terá a Gabi começado a compreender alguns dilemas pelos quais temos que passar? Terá a Gabi sentido e compreendido a felicidade de ter estar com amigos, ou ficado melancólica com as questões que não temos condição de responder? Talvez alguém o saiba.
Fique em paz menina...

11.5.07

11/05/2007

Noite de sexta-feira: meia barra de doce-de-leite, dois iogurtes de morango, trinta páginas de "O jovem Törless", trinta páginas de "Inibição, sintoma e angústia", 20 mg de diazepam e cama.

P.S - Também alguma coisa infrutífera, mas pela qual vou insistir um pouco.

10.5.07

Haroldo de Campos, poesia, povo...

Quem me conhece sabe de minha adoração pela poesia concreta e, mais especificamente, por Haroldo de Campos e suas Galáxias. Quem me conhece deve saber também de minha estranheza em relação a alguns poetas, Drummond por exemplo, que diz coisas simplórias de maneira simples, o que me faz perguntar qual a graça de seus textos, que são bem diferentes de um Bandeira, que está em um outro lugar, que expõe peculiaridades e finezas desconcertantes de modo simples, o que é bem diferente.

Bem, o fato é encontrei este texto do Régis Bonvicino que coloca algumas coisas em seus lugares, propondo uma análise muito perspicaz daquilo que vagava em minha cachola mas jamais havia conseguido elaborar direito. Aí vai:

Haroldo de Campos, morto no último dia 16 de agosto, aos 73 anos, foi um poeta que operou no paradigma internacional-erudito em contraposição ao nacional-popular, um dos vetores do século XX - um século onde os artistas perseguiram, como uma obrigação imposta pelos ideólogos marxistas, a idéia de "povo". Esta operação custou-lhe o preço, em vida, de ataques e muita incompreensão simultâneos a homenagens e reconhecimento, quase sempre provenientes do "exterior", onde, num paradoxo, não foi suficientemente traduzido. Desapareceu sem ter uma edição de seus poemas e textos críticos em inglês - a língua universal. Na verdade, o percurso de Haroldo revela-se, bastante, no confronto tenso entre estes dois paradigmas, com a prevalência irradiante do primeiro, o que o poderá projetar como um artista do século XXI, com a galopante relativização das fronteiras nacionais e com o fim à vista de muitas oposições como estética versus tecnologia etc. Apesar de que, pontue-se, seu internacionalismo se cruza, algumas vezes, com vieses nacionalistas, como, por exemplo, quando reivindica Gregório de Mattos como "poesia brasileira", quando não mais se aceita a idéia de "brasilidade" na colônia ou em qualquer outra época, conceito equivocado, já que não há, sobretudo, naquele período, nacionalidade brasileira distinta da portuguesa. Não há, na verdade, Brasil mas "província ultramarina". Gregório de Mattos, antes de ser um poeta "brasileiro", é, como me lembra Alcir Pécora, numa carta, "um caso bem sucedido de aplicação de modelos satíricos ibéricos no caso colonial. Não há nada no mesmo patamar em Portugal".

O internacional-erudito foi também o móvel inicial e fundante do modernismo brasileiro de 1922. Uma leitura, mesmo que rápida, do Prefácio Interessantíssimo, que abre a Pauliciéia Desvairada, primeiro livro modernista de Mário de Andrade, datado de 1921, patenteia-nos a vocação internacional do autor: "Você já leu São João Evangelista? Walt Whitman? Mallarmé? Verhaeren?" ou "Não sou futurista (de Marinetti). Disse e repito-o. Tenho pontos de contacto com o futurismo". Oswald de Andrade escrevia, em 1928, em seu Manifesto Antropofágico, a confirmar a inflexão internacionalista do modernismo, que: "Só me interessa o que não é meu". Esta frase, de Oswald, sintetiza, igualmente, todo o percurso de Haroldo de Campos, poeta, tradutor e crítico. Sua primeira poesia, mesmo sendo um tanto antimodernista, apresentava, de plano, já um caráter de busca do internacional-erudito. Leia-se o verso do poema "Super Flumina Babylonis", do livro Auto do Possesso, datado de 1950: "Animei as estátuas. Babilônia,/ para dançar diante de ti...". Pouco anos depois, Haroldo estaria participando ativamente, como um de seus idealizadores, do movimento concretista, em meados dos anos 1950, que, além de libertá-lo de um tom, como já se disse, um tanto passadista de seu primeiro momento, projetá-lo-ia para mais adiante da fronteira nacional, em todos os aspectos. Vieram as traduções de James Joyce, Ezra Pound, o interesse por e.e. cummings, por Stéphane Mallarmé, a retomada dos princípios das vanguardas européias do início do século XX, sobretudo, dos das mais construtivistas e que se propunham como linha evolutiva da cultura e da arte e de aspectos do modernismo brasileiro, como a teoria da antropofagia, que se pode resumir com a frase de Oswald, retirada do manifesto já mencionado: "Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo".

O concretismo foi um movimento que repropôs o paradigma internacional-erudito, valendo-se, também, dos instrumentos da cultura popular mas não nacional: a ele interessava o poema cartaz e o design dos letreiros, o design da luz em movimento, o confronto da palavra com página branca. Haroldo escreveu pouquíssimos poemas concretos estrito senso, apesar da fama em direção oposta. Leia-se um deles (em diálogo aberto com Mondrian) que, décadas depois, inspiraria a canção Lua, 1974, de Caetano Veloso: "branco branco branco branco/ vermelho/ estanco vermelho/ espelho vermelho/ estanco branco". Veloso: "... Lua lua lua lua/ [...]/ Estanca/ [...]/ Branca branca branca branca...".

Há dois momentos altos , em minha opinião, na trajetória do Haroldo de Campos poeta, sempre mais questionado do que o crítico (a redescoberta de Sousândrade), pensador e tradutor (criou uma teoria própria da tradução), respeitado na maior parte das vezes, desde um Arte no Horizonte do Provável (1969), passando por Metalinguagem , reeditado depois domo Metalinguagem e Outras Metas (1992) e ideograma (1977) até uma Poesia Russa Moderna (1968), passando pelas traduções de Stephane Mallarmé (1974) e pelas traduções de Homero, estas últimas a acentuar que, na última quadra da vida, radicalizou no paradigma internacional-erudito, universalizante, distanciando-se um tanto, por exemplo, do tropicalismo, com o qual não só dialogou como se encantou/deslumbrou num determinado momento de sua carreira. Esses dois momentos altos são Galáxias (1963/1976) e Educação dos Cinco Sentidos (1985), este emblemático dos problemas de sua poesia, em algum sentido. Problemas: quando compara Gal Costa a Safo, por exemplo. Uma qualidade inédita: um despojamento nunca antes visto em seus textos, exceto nos raros poemas concretos ; um despojamento mais livre e intrínseco.

Numa definição precária, poderia chamar Galáxias, uma "proesia" forjada com o auxílio de várias línguas, de um caderno de viagens. Um caderno internacional, escrito por um brasileiro. Nele estampa-se, com nitidez, a vocação internacional-erudita do Haroldo poeta, como no fragmento onde percebe, crítica e duramente, a Espanha franquista dos anos de 1960: "[...] reza calla y trabaja em um muro de granada trabaja y calla y reza y calla y trabaja y reza em granada um muro da casa del chapiz ningún holgazán ganará el cielo olhando para baixo [...]". Holgazán quer dizer mandrião ou vadio. Neste pequeno trecho, registra-se a ditadura do General Franco e seu uso do catolicismo: nenhum vadio ganhará o céu! O traço popular aparece muitas vezes nos fluxos de Galáxias, mas mediado sempre pelo tom erudito - herdado, no âmbito brasileiro, das prosas de invenção de Mário e Oswald de Andrade e, depois, de Guimarães Rosa. É significativo o fragmento que se inicia desta maneira: "como quem escreve um livro como quem faz uma viagem como quem descer descer descer katábasis até tocar o fundo e depois subir...".

Perpetuou-se, infelizmente, no Brasil o conceito de que grandes poetas são nordestinos ou mineiros que migraram para o Rio de Janeiro e não até mesmo os cariocas ou fluminenses. Só um carioca, ligado à Bossa Nova, foi considerado um grande poeta no século XX: Vinícius de Moraes e ainda assim era chamado de "poetinha". Grandes poetas brasileiros são Manuel Bandeira ou João Cabral, pernambucanos no Rio, ou Drummond, mineiro no Rio. E agora Ferreira Gullar, maranhense no Rio. São Paulo precisou criar movimentos culturais para ser "aceito" na federação e, assim mesmo, até hoje, convive com a fama de que não produziu "grandes poetas": Mário e Oswald de Andrade, por exemplo, são considerados "grandes figuras". A idéia do "poeta" vinculou-se, no país, à daquele que, erudito, manteve sentimentalmente um elo com a idéia do popular e do nacional, com a idéia do puro, do não industrializado...

Em A Educação dos Cinco Sentidos encontra-se um Haroldo de Campos fascinado pelo popular. Ao mesmo tempo em que se lê poemas dedicados a Octavio Paz, o belíssimo "Transblanco" ("[...] tomei a mescalina de mim mesmo/ e passei esta noite em claro/ traduzindo BLANCO de octavio paz"), depara-se com, a propósito de Diana e do amor: "[...] Mas diz-lhe que me esgana/ passar tanta tortura/ e que desde a Toscana/ até o Caetano/ jamais beleza pura/ tratou com tal secura/ um pobre trovador [...]". Aqui, percebe-se com clareza o confronto tenso entre internacional-erudito e nacional-popular. É o Haroldo pressionado pelo sucesso da palavra falada (pela busca equivocada da brasilidade, um conceito equívoco, como já se disse...) em contraste com a solidão da palavra escrita. Toscana e Caetano, um ótimo letrista, compositor e cantor mas não um poeta como Eugenio Montale, por exemplo, mesmo que assim de Campos o tenha generosamente homenageado.
Sem declarar expressamente creio que Haroldo percebeu que, a partir de meados dos anos 1980, o concretismo fazia já pouco sentido, como movimento de renovação, e que o tropicalismo, outro movimento de cunho mais internacional, importante, que denunciara a "geléia geral brasileira", havia começado a integrar a ela, apesar da qualidade da produção de seus protagonistas, principalmente de Caetano Veloso e Tomzé. Assim, retomando o paradigma inicial, retornou ao internacional-erudito, findando seus dias ao lado de Homero, escrevendo uma poesia novamente de cunho um bocado passadista e já igualmente, a meu ver, distanciado da idéia de vanguarda, que abraçara com paixão no meio-dia e na tarde solar de sua existência.

Régis Bonvicino, 20 de agosto de 2003

30.4.07

Noites do final de semana

Sonho n. 1


Eu em uma espécie de parapeito a cerca de 40 metros de altura. O lugar onde me equilibro tem cerca de 30cm de largura. Mais abaixo, uma piscina. Uma piscina muito, muito profunda. O lugar é soturno: um complexo aquático, todo coberto, com suas luzes apagadas. Lá fora faz frio e o tempo está nublado. Há uma escada amarela que sai da piscina e termina logo abaixo de onde estou. Não consigo alcançar a escada. Um rapaz sobe a escada e pula na piscina. Está de sunga laranja. Vejo seu corpo afundar, afundar, até desaparecer. Depois de um dado momento ele retorna. O rapaz faz isso ininterruptamente enquanto eu continuo me equilibrando, angustiado, com medo de cair.

Sonho n. 2

Um quarto pequeno, acarpetado. O carpete é azul. Reginaldo está em pé, em um canto, perto de uma escada (escada que desce para a parte de baixo do apartamento). F. chega e fala um oi sem graça. Eu me angustio de novo. F. está vestindo uma calça bege e uma camisa com listras verdes e brancas. Penso que a camisa se parece muito com a camisa do Celtic (o inconsciente, como já disse, é brincalhão, ainda que a piada seja pesada). F. se deita em um colchão no meio do quarto. Vejo um trabalho seu. Ele me transtorna. Uma instalação feita dentro de uma caixa de acrílico vermelho. Na caixa há uma inscrição na tampa – Oi ou Ai – não me lembro bem. Dentro várias peças interessantes e um texto. Entro em uma cabine e fecho a cortina. Estamos todos muito cansados. O sonho se passa no instante em que é sonhado, ou seja, lá pelas cinco da manhã.