29.9.08

The end

Nos últimos três posts (incluam a musiquinha, vai) fiz algumas aproximações entre a Filosofia da Mente e a Inteligência Artificial.

Falei sobre algumas relações entre o cérebro e a mente, e isto por meio de exemplos e questionamentos feitos pelo filósofo John Searle. Os exemplos mostravam um cérebro em degeneração, que tinha partes substituídas por chips de computador.

Em uma das possibilidades de resultado desta experiência, continuaríamos conscientes mesmo que todo o cérebro fosse substituído.

Na outra, começaríamos a perder a consciência na medida em que partes do cérebro fossem trocadas: o nosso corpo começaria a responder aos estímulos externos, mas não teríamos controle disso.

Aos poucos, a consciência seria reduzida até que desaparecêssemos.

Todos esses exemplos têm um único propósito: mostrar que para chegarmos a produzir uma inteligência artificial, ou robôs com emoção e pensamento - como os dos filmes - teríamos que descobrir primeiro o que é a consciência.

Para Searle, jamais conseguiremos recriar este aspecto da inteligência humana. Ele dá um outro exemplo, mostrando como ocorre o funcionamento de uma máquina, e isso para poder diferenciá-la de um homem com consciência.

Ele diz o seguinte: imagine que você esteja em um quarto com duas aberturas.

Através de uma delas alguém passa a você um papel com a seguinte frase: rdjhguy, uiuoiuo rfdjfifj.

Você tem um livro de regras que diz como deve responder acaso receba a frase rdjhguy, uiuoiuo rfdjfif.

Você pega outro papel, responde tyuytuu uiiuibgsjsk - como está marcado no livro -, e coloca-o na outra abertura. Ou seja, você recebeu uma informação, processou e respondeu, mas sem saber nada do que estava acontecendo.

Recebeu uma informação que não sabia qual era e deu uma resposta correta, mas também sem saber o qual. Não teve consciência do que estava fazendo, não teve real participação, ou intenção, na resposta dada.

Para Searle, as máquinas podem funcionar somente deste modo, ou seja, é impossível alcançarmos uma inteligência artificial que se aproxime da humana.

Mas existem pessoas que pensam diferente.

No maior centro de pesquisa sobre Inteligência Artificial do mundo, o Laboratório de Inteligência Artificial do MIT, alguns projetos vêm sendo trabalhados nesta área. Como o Cog, um robô desenvolvido para ser o mais parecido possível com o homem, imitando movimentos e sentidos; ou o Kismet, um robô que reage como um bebê aos estímulos visuais e sonoros.

Um dos fundadores deste centro de pesquisa, Marvin Minsky, tem uma opinião muito particular sobre a consciência: para Minsky, ela simplesmente não existe. Ela seria somente mais um tipo de memória, que fica repetindo sem parar aquilo que acabamos de pensar ou fazer.

Considerando as coisas desta maneira, podemos dizer que estaríamos mais próximos da construção de máquinas inteligentes do que pensamos.

O filósofo Daniel Dennett, que trabalha no projeto Cog, também pensa dessa forma.

E quem estará certo nesta discussão toda?

A resposta nos será dada em alguns anos.

Mas o que realmente nos interessa aqui são as perguntas, a quantidade de questões colocadas entre a realidade e o sonho, entre a ficção e o dia-a-dia.

Nos interessa mostrar que filosofia e ciência na maioria das vezes caminham juntas, e que o homem só poderá avançar se conseguir decifrar o provável maior dos enigmas do universo: ele mesmo, ou melhor dizendo, como as coisas se passam na sua cachola.

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