2.3.06

Acabei de voltar de uma livraria onde dei uma olhada na Caros Amigos deste mês. Como sempre, uma piada. Fico realmente preocupado com o samba do crioulo doido conceitual (aproveitando que ainda estamos nos limpando das últimas brisas carnavalescas) deste pessoal disquerda. Alhos, bugalhos, baralhos: tudo numa cajadada só. Lembrei-me de um e-mail de um rapaz nervoso que recebi no ano passado, rapaz que ainda me persegue e sei lá o que é possível que um dia ele ainda me faça. Vamos então aos fatos passados, antes dos cometários da Mad.

Certo dia, minha amiga Cris (Oi Cris!) enviou-me um e-mail me perguntando sobre que voto daria no referendo sobre o desarmamento, e o porquê. Pelo que entendi, não era uma pesquisa dela, mas de uma amiga, prima, sei lá. Enfim, o fato é que as pessoas começaram a responder não apenas diretamente para quem perguntava, mas para todos os perguntados também.

Alguns dias depois do ínicio do processo, foi-nos enviado um pedido de desculpas pelo fato de todas as pessoas estarem recebendo as respostas. Foi quando meu amigo nervoso veio com algo como (recrio um trechinho de memória): "Por mim, tudo bem. Gosto de ver a burguesia naufragando em seu mar de ignorância, e plá plá plá plá plá pá plá plá plá". Bem, não consigo me lembrar de muita coisa mas era, em suma, um discurso agressivo, cheio dquele lingüajar sindical, estúpido. Eu, vendo isto numa madrugada depois de 742 horas de trabalho, resolvi responder, o que fiz mais ou menos assim: "Calma, minha querida criança. Não queira ser mais um protocidadão, mais um comunista paranóico a achincalhar um processo democrático com este discurso totalitário. Abaixe a foice e o martelo: a humanidade já criou intrumentos mais refinados para lidar a com a realidade, e plá plá plá.
Ele então ficou mais nervoso ainda, e me respondeu com este e-mail que coloco abaixo. Uma mistura de linguagem patemizada com balacobaco lógico-conceitual. Meus comentários estão entre parênteses, e em itálico, assim comos as dicas de leitura:

"Prezado" Fabiano
Que pena que vc esteja tão "cansado" (sim, sim - o classe média trabalha diariamente até as duas da manhã) para ver que eu não sou marxista nem socialista nem comunista nem de esquerda, (não, meu caro rapaz, não pude ver mesmo, já que as premissas e a linguagem, tão marcadas no texto, tão puídas, não apontam pra outro lugar) e que minha visão de mundo é ainda mais radical e crítica (radical e crítica? Convenhamos, hein? Suficientemente clichê, lembra? Como achar mais radical e crítica?). E não cabe num e-mail. Nos e-mails eu brinco. (tenho certeza disso, esta confusão toda só pode ser uma brincadeira). Mas eu não escrevi esta provocação pensando em vc; na verdade, até agora me pergunto porque vc sentiu a necessidade de se colocar livremente nesse lugar de clase média (?). (pelo que aqui se vê,
deve estar se perguntando até agora!!! Uma leitura um pouco mais atenta de apenas um parágrafo mostrará que sou a favor de um debate amigável e democrático, e que tive que baixar o nível a fim de defendê-lo. Será que agora ficou mais claro?)
. Poderia ter respondido que minhas provocações sobre a mediocridade cultural da classe média estavam equivocadas. (realmente não deu pra entender que eu falava disto no meu texto? Que eu não gosto de generalizações fora de tempo e lugar? É complicado quando se lê apenas o que se quer não é?)Poderia ter respondido de um jeito igualmente provocativo (agressivo?), ou mais "amigável", dando um exemplo bom de como seria melhor conversar, ao que eu teria concedido imediatamente toda a razão a vc. (vamos entender a situação: as pessoas estavam debatendo e você as achincalhou, e agora vem com este papo razoável? Não, não queira inverter as posições, meu querido, quem está defendendo o debate aqui sou eu, e não você). Legal vc ter perdido tempo em escrever e me agredir diretamente (de novo, eu não agredi ninguém, e muito menos a vc) (1.Ué, agora o radical agora ficou bonzinho? Ah, é verdade, a brincadeira... mas, lembrando as primeiras linhas do seu texto, acho que deveríamos então reconceitualizar agressivo: você fala o que quer e não é; quanto aos outros... Aliás, nesta mesma linha, podemos trabalhar ignorância. 2. O porquê deste e-mail então?) tentando demonstrar que vc se importou muito pouco com minha mensagem. Acho que na verdade vc se importou demais com o que eu escrevi. Muito tolo. (Sim, claro que me importei, e escrevi dois bons parágrafos. Você, vários ruins. Onde está tolice?) O menos importante eram minhas provocações. Ao ponto vc se sintiu (seria sentiu?) ofendido (ainda não sei por que), que vc, sem saber como me atacar, teve que me inventar uma identidade (isso da foice e do martelo) para me atacar, e assim ficar mais fácil: depois só baixou a fita do preconceito de classe média contra "comunista" que vc tem gravada na cabeça ("pseudo-marxista", "paranoico" "proto-cidadão", "discurso barato", "clichê"). (1. Respondi a um texto de um indivíduo; você, destratou quem sequer conhecia, e disso concluiu que eu sou preconceituoso? 2. O fenômeno psíquico da projeção é bem interessante, e sabemos da sua importância na paranóia, como aqui indicado, e como eu já havia aventado. Como ele funciona? A sua instância repressiva inconsciente é lida na fala do outro. Daí vem a tal mania de perseguição. Primeira dica de leitura: O caso Schreber) Acho que tua sensibilidade narcísica de classe média é muito alta; vc deve ter um edipo muito grande (Édipo com narcisismo da classe média? Que confusão conceitual!!! Aqui começa uma mostra da confusão que acontece na cabeça deste povo. Temos que trabalhar melhor isto... Segunda dica de leitura: Psicologia das massas e análise do Eu e Introdução ao narcisismo...). Qualquer um que te contradiga ou provoque, e vc deve ficar todo irritadinho e nervosinho, não é? Bom, no meu caso, eu posso dizer coisas terríveis contra mim mesmo. Duvido que vc chegue perto. (Infelizmente você não me conhece pra saber que eu não sou assim. Sou a calma em pessoa. A favor do debate democrático, lembra? Irritadinho e nervoso ao ser interperlado é quem bloqueia e–mail interrompendo direito de resposta, não é? Ou não? Acertei de novo na fraude do embate democrático? Dica de leitura: Mein Kempf. PS - Os e-mails seguintes me deram ainda mais razão, como vocês verão)
Concordo que há instrumentos mais refinados para lidar com o mundo, duvido seriamente que vc ainda os domine, sejam sociológicos sejam filosóficos, (sim, não domino nem uma pequena parte, mas tento usar o pouco que sei de maneira correta, e não negar este pouco ou usá-lo de maneira estapafúrdia, como exemplifica cada linha deste texto) mais um e-mail não é o lugar para isso (concordamos); em outro momento, em outro lugar, poderiamos ter conversado séria e amigávelmente, expondo nossas melhores leituras e interpetações; pena que vc caiu na minha tonta provocação e se colocou sozinho no pior lugar. (Ôpa, concordamos de novo – tonta – mas se era só provocação, por que defendê-la tanto como aqui?)De novo, quando escrevi este e-mail, não pensei em vc, pensei nos típicos membros das classes medias que, alavancados nos seus preconceitos por publicações ruins como a Veja, exprimem a pobreza de suas opiniões através de atitudes singelas mas reacionárias (um arma para me proteger dos bandidos!, um arma para me proteger dos badidos!). Fiquei surpreso que vc não concordasse na crítica à mediocridade cultural da classe média e ao conjunto de preconceitos e opiniões de senso comum nos quais ela se expressa políticamente, sabendo como me contou Cris que vc faz mestrado em filosofia sobre Nietszche. (Agora embolou tudo. Eu sou ou não sou classe média, e portanto, estúpido, segundo os preceitos apresentados? Estou em crise de identidade. Segundo: não, não consigo arremessar milhões em um mesmo tacho de acordo com seus bens e ganhos. Generalizar, a partir destas premissas, por qual motivo? Lembra dos instrumentos refinados? Terceiro: gosto muito de Nietzsche, mas não o estudo diretamente. Trabalho com autores próximos a ele. Dica de leitura: poderia citar A Retórica, de Aristóteles, ou algum manual de lógica, como Salomon, mas aqui neste caso um manual de redação da Folha já viria a calhar. Ah, e Nietzsche é assim que se escreve: zsche) Tudo bem tudo bem, eu sei que no fundo isso não significa nada. Quando eu acabava meu Doutorado no IFCH no ano 1998 (que até hoje não defendi) lembro que havia de tudo. (concordamos pela terceira vez. Só há uma questão aqui: os do seu tipo são muito mais comuns do que os do meu!!!) Na verdade, não quis mais que provocar, e ninguém que recebera essa mensagem tinha que se sentir identificado, mas sim talvez discordar nas opiniões sobre o por que do voto pelo Não na clase média. (não me senti identificado, mas discordei da premissa absurda classe média=ignorância, como esclareci acima. O resto não vem por si?) Nietszche diz que, para a filosofia, uma pessoa nos trintas é ainda uma criança. (Talvez tenha dito. Mas sabemos o quanto o sarcasmo e a metáfora fazem parte do seu trabalho, e o significado disto no campo da linguagem e da elaboração teórica. Lembro que ele escreveu uma de suas principais obras - O Nascimento da tragédia – quando tinha 25/26 anos. Sarcasmo consigo e com leitores desatentos. Ótimo, como sempre... Pena que nem todos tenham a perspicácia necessária para ler. Dois: não, não cite Nietzsche, ele é dos meus, e fez picadinho dos seus. Platonismo - Cristianismo - Socialismo. Eu sei que você não sabe, mas vai como dica. A dica de leitura: Ecce Homo, A Gaia Ciência e Zaratustra). Vc esta ainda no mestrado, e com certeza, com um tema que te supera em muito. Então, meu filho, vc ainda tem um longo caminho pela frente, e não esquece de também dirigir o martelo da filosofia contra vc mesmo. (sim, o tema me supera muito, apesar de isto ter sido mais uma generalização da sua onisciência. Se assim não fosse, não haveria o porquê desvelá-lo. Segundo, o meu martelo da filosofia é diferente do seu, como eu já havia percebido, está e estava claro, e dirijo-o contra mim, sim, diariamente. Dos outros martelos giratórios e descuidados que subiram em bandeiras, apenas me defendo. Segundo, êta lugar comum ficar pinçando frase de efeito, hein... Dica de leitura: Como escrever uma tese. Por enquanto, eu te levo uns bons anos de vida a mais, alguns diplomas e algunas leituras que tomara que vc também consiga algum dia, dentro de alguns anos. (mais uma vez confundindo quantidade com qualidade. Ou misturando as duas, sei lá. Êta nóis!!! Mas também espero isto, e oxalá consiga, mais leituras e mais diplomas, porém com muito maior cuidado conceitual do que aqui se exprime. Dica de leitura: leia Kant, leia a Crítica da Razão Pura e você resolve o problema quantidade/qualidade. Não se preocupa em responder, porque estou bloqueando seu e-mail.
(ué, quem era a favor da visualização da lagoa cultural onde naufraga.....blá blá blá?)
Bem caros amigos, o texto do meu amigo nervoso é claro: tenta inverter posições éticas; tenta enganar sobre a possibilidade de debate; parte da defesa de um preconceito; mistura todas as bolas conceituais possíveis. Ou seja, representa um padrão facilmente identificado para quem acompanha a vida política nacional, padrão que escoa, ou é escoado, de/para quase todas as instituções que nos cercam. Neste ponto, Gramsci era esperto.
Depois deste e-mail, que eu não respondi porque não pude, ele anda me mandando vários, sem texto no corpo da mensagem, mas só no lugar do "assunto". E tem sido coisas do tipo: "seu filho da puta eu ainda não esqueci você me deve desculpas" ou "feliz natal protofilósofo de merda vá pra puta que o pariu", e ainda "não vou mais encher mas seu saco seu filho da puta", and afins. Ou seja, se eu sumir, vocês já sabem onde procurar.
Bem, depois então falaremos da Caros Amigos, que funciona mais ou menos, também porque é da turma, como meu amigo nervoso. Balacobaco telecoteco do crioulo doidão. Surrealismo da lógica tentando provar que vaca e helicóptero são a mesma coisa. Inté lá...

2 comentários:

gris-gris disse...

nem imaginava q ele seria capaz de ficar te mandando esses emails estupidos. criançisse.
sei q nao tem como pedir desculpas por ele, mas....

gris-gris disse...

criancice.
vixi...............
obrigada houaiss.