11.7.10

Enhorabuena España!!! Ou: genealogia da torcida


Em meados da década de 20 do século passado, uma linda espanhola de límpidos e desconcertantes olhos azuis resolveu - ou foi levada por diferentes motivos - aportar aqui por nossas terras.

A caminho, ainda no navio, Concepción Ruelda conheceu um português dos mais serenos e por ele se apaixonou. Aliás, Manoel tinha que ser mesmo um tanto quanto resignado já que a espanhola tinha o sangue fervilhante: brava que só!

Do amor dos ibéricos, que ironicamente começou no mar, nasceram Rosa, Luzia, Elza, Nelson e José. Elza conheceu o filho de italianos Ludovico, e dos dois nasceu apenas Marcos. Marcos teve uma penca de filhos, o primeiro deles eu, que torci muito pela Espanha de dona Concepción Ruelda - de quem ainda me lembro dos cabelos negros e dos olhos de piscina - nesta final de Copa.

Enhorabuena España!!!

28.6.10

Saúde


Minha saúde anda péssima. Superada mais um crise daquelas, com direito a venlafaxina, agora meu corpo resolveu ser hipertenso. Eu não sabia o quanto isso é incômodo. O crânio pulsa, parece que há uma pilha de tijolos sobre o peito, o mal-estar é geral.

Pela primeira vez sinto temor de verdade. Um avô morreu de infarto quando tinha os mesmos 35 meus de hoje. É estranho vislumbrar as coisas assim. Como dizia dona Elza: quem tem cu tem medo. Eu já acho que quem tem cu tem medo, mas quem tem filho pequeno tem mais medo ainda.

19.6.10

Do blog de Saramago


Postado no dia 18/06, a partir de uma entrevista concedida em outubro de 2008:

"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma."

Para ler mais, basta clicar aí ao lado.

11.6.10

Envelhecer é...

Inaugurando o eixo-temático "Envelhecer é..." que, junto com "fabianescas", dará o tom existencial deste que vos escreve, digo a todos: "envelhecer é..." perceber que realmente existe, ainda que bem lá no fundo, um resquício de memória da vinheta da Copa de... 1978!

E Ferreira Gullar em entrevista...


Do homem que entende de sujeira, e de outras coisas mais:

Mas o governo Lula não teve nenhum mérito?
Não é que não teve nenhum mérito. O principal problema do Lula é ele não reconhecer o que ele deve aos governos anteriores. Tudo dele é “Nunca na história deste país…”. Ele se faz dono de tudo o que ele combateu. Por que o Brasil passou pela crise da maneira que passou? Porque havia o Proer (programa de auxílio ao sistema financeiro). Mas o PT foi para a rua condenar o Proer dizendo que o governo FHC estava dando dinheiro para banqueiro. E a Lei de Responsabilidade Fiscal? O PT entrou no STF contra a lei. Ainda está lá o processo do PT para acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT era contra o superávit primário, era contra tudo. Quer dizer, tudo o que eles estão adotando e que se constitui a infraestrutura da política econômica eles combateram. Agora o cara não reconhece isso: ele diz que fez tudo. O Lula é, de fato, uma pessoa desonesta. Um demagogo. E isso é perigoso. Está arrastando o país para posições que são realmente inacreditáveis. O cara se tornar aliado do Ahmadinejad, o presidente de um país que tem a coragem de dizer que não houve o Holocausto? Ele está desqualificando mundialmente porque está negando um fato real que não agrada a ele. Então não pode. O Brasil vai se ligar a um cara desse? É um oportunismo e uma megalomania fora de propósito. É um desastre para o país. Eu espero que a Dilma perca a eleição. Não tenho nada contra ela, mas contra o que isso significa. O PT é um perigo para o país. O aparelhamento do Estado, o domínio dos fundos de pensão… Um sistema de poder que vai ameaçar a própria democracia. As pessoas têm que tomar consciência.

10.4.10

Nós, as guerras... e o exemplo no Iraque

Do "El País". É necessário estômago. Necessário é também para uma espécie de observação/compreensão da chamada natureza humana, do medo, da idiotice e da dissimulação.


Un vídeo publicado por la organización Wikileaks cuestiona la versión oficial ofrecida por el Ejército de EEUU para explicar la muerte de 11 iraquíes en réplica a un supuesto ataque terrorista producido el 12 de julio de 2007 en Bagdad. Entre las víctimas figuran un fotógrafo de la agencia Reuters, Namir Noor-Eldeen, de 22 años, y su conductor, Saeed Chmagh, de 40. En las imágenes difundidas por el sitio web, que publica informes clasificados y documentos filtrados preservando el anonimato de sus fuentes, se observan disparos contra un grupo de hombres desde la visión de un piloto de un helicóptero Apache.

El vídeo recoge las grabaciones del propio helicóptero, desde el que se aprecia a un grupo de personas desplazándose a pie. El militar alega en el documento que varias personas de este grupo, entre las que figuraban Noor-Eldeen y Chmagh, portan armas y pide permiso para disparar.

En cuanto el objetivo se encuentra a tiro, y pese a que no se aprecia ninguna amenaza y las personas a pie parecen no percatarse de la presencia de las fuerzas norteamericanas, las aeronaves inician una ronda de disparos indiscriminada. Tras ellos, los militares celebran las muertes al grito de "mira esos bastardos muertos" y felicitan por su buena puntería a su compañero.

El portal web recuerda que Reuters pidió estas imágenes al Gobierno de Estados Unidos hace ya dos años. La agencia argumentó en su momento su derecho a obtenerlas basándose en la ley de Libertad de Información, pero nunca las obtuvo.

Entre 2003 y 2009, un total de 139 periodistas murieron en Irak mientras realizaban su trabajo. Entre ellos, los españoles Julio Anguita Parrado, corresponsal de El Mundo alcanzado por un obús disparado por los iraquíes, y el cámara de Telecinco José Couso, de 37 años, muerto el 8 de abril de 2003 en el ataque de un tanque estadounidense contra el hotel Palestina, sede de la prensa internacional en Bagdad. El Pentágono aseguró también en su momento que sus militares actuaban en defensa propia.


8.3.10

Fenomenal!!!

Esse eu tinha que postar aqui. Coisa linda. Escrito por alguém chamado Breno Altman e publicado, claro, em Carta Maior.

Cuba, uma ditadura?

O novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues (Folha de S.Paulo), no último dia 11/02, respondeu afirmativamente à pergunta que faz as vezes de título desse artigo. Com
ressalvas de contexto, identificando no longo bloqueio norte-americano uma das causas do que chamou de "fechamento político", Dutra assumiu a mesma definição dos setores conservadores quando abordam a natureza do regime político existente na ilha caribenha.

Essa discussão é um capítulo importante na agenda da contra-ofensiva à
hegemonia do pensamento de direita. Afinal, a possibilidade do socialismo foi estabelecida pelos centros hegemônicos não apenas como economicamente inviável e trágica, mas também como intrinsecamente autoritária.

Quando o colapso da União Soviética permitiu aos formuladores do campo vitorioso declarar o capitalismo e a economia de livre-mercado como o final da história, de lambuja também fixaram o sistema político vigente na Europa Ocidental e nos Estados Unidos como a única alternativa democrática aceitável.

Não foram poucos os quadros de esquerda que assumiram esse conceito como universal e abdicaram da crítica ao funcionamento institucional dos países capitalistas. Alguns se arriscaram a ir mais longe, aceitando esse modelo como paradigma para a classificação dos demais regimes políticos.

Na tradição do liberalismo, base teórica da democracia ocidental, a identificação e a quantificação da democracia estão associadas ao grau de liberdade existente. Quanto mais direitos legais, mais democrático seria o sistema de governo. No fundo, democracia e liberdade seriam apenas denominações diferentes para o mesmo processo social.

Pouco importa que o exercício dessas liberdades seja arbitrado pelo poder econômico. As disputas eleitorais e a criação de veículos de comunicação, por exemplo, são determinadas em larga escala pelos recursos financeiros de que dispõem os distintos setores políticos e sociais.

No modelo democrático-liberal, afinal, os direitos formais permitem o acesso
irrestrito das classes proprietárias ao poder de Estado, que podem usar amplamente sua riqueza para mercantilizar a política e seus instrumentos, especialmente a mídia. Basta acompanhar o noticiário político para se dar conta do caráter cada vez mais censitário da democracia representativa.

A revolução cubana ousou ter entre suas bandeiras a criação de outro tipo de modelo político, no qual a democracia é concebida essencialmente como participação popular. Ao longo de cinco décadas, mesmo com as dificuldades provocadas pelo bloqueio norte-americano, forjou uma rede de organismos que mobilizam parcelas expressivas de sua população.

A maioria dos cubanos participa de reuniões de células partidárias, do comitê de defesa da revolução de sua quadra, dos sindicatos de sua categoria, além de outras organizações sociais que fazem parte do mecanismo decisório da ilha. Não são somente eleitores que delegam a seus representantes a tarefa de legislar e governar, ainda que também votem para deputados - o regime cubano é uma forma de parlamentarismo. Esse tipo de participação talvez explique porque Cuba, mesmo enfrentando enormes privações, não seguiu o mesmo curso de seus antigos parceiros socialistas.

O modelo cubano não nasceu expurgando seus opositores ou instituindo o
mono-partidarismo. Poderia ter se desenvolvido com maior grau de liberdade, mas teve que se defender de antigos grupos dirigentes que se decidiram pela sabotagem e o desrespeito às regras institucionais como caminhos para derrotar a revolução vitoriosa. Na outra ponta, as diversas agremiações que apoiavam a revolução (além do Movimento 26 de Julho, liderado por Fidel, o Diretório Revolucionário 13 de Março e o Partido Socialista Popular) foram se fundindo em um só partido, o comunista, oficialmente criado em 1965.

Os círculos contra-revolucionários, patrocinados pelo governo democrata de
John Kennedy, organizaram a invasão da Baía dos Porcos em 1961. Aliaram-se a CIA em algumas dezenas ou centenas de tentativas para assassinar Fidel Castro e outros dirigentes cubanos. Associados a seguidas administrações norte-americanas, criaram uma situação de guerra e passaram a operar como braços de um país estrangeiro que jamais aceitou a opção cubana pela soberania e a independência.

A restrição das liberdades foi a salvaguarda de uma nação ameaçada, vítima de uma política de bloqueio e sabotagem que já dura meio século. Os Estados Unidos dispõem de diversos planos públicos, para não falar dos secretos, cujo objetivo é financiar e apoiar de todas as formas a oposição cubana.

Vamos combinar: já imaginaram, por exemplo, o que ocorreria se um setor do Partido Democrata recebesse dinheiro cubano, além de préstimos do serviço de inteligência, para conquistar a Casa Branca?

Claro que o ambiente de guerra e a redução das liberdades formais impedem o desenvolvimento pleno do modelo político fundado pela revolução de 1959. Vícios de burocratismo e autoritarismo estão presentes nas instâncias de poder. Mas ainda nessas condições adversas, o governo cubano veio institucionalizando interessante sistema de participação popular. O contrapeso ao modelo de partido único, opção tomada para blindar a revolução sob permanente ataque, é um sistema de organizações não-partidárias que exercem funções representativas na cadeia de comando do Estado.

A Constituição de 1976, reformada em 1992, estabeleceu o ordenamento jurídico do modelo. Um dos principais ingredientes foi a criação do Poder Popular, com suas assembléias locais, municipais, provinciais e nacional. Seus representantes são eleitos em distritos eleitorais, em voto secreto e universal. Os candidatos são obrigatoriamente indicados por organizações sociais, em um processo no qual o Partido Comunista não pode apresentar nomes - aliás, ao redor de 300 dos 603 membros da Assembléia Nacional não são filiados comunistas.

O Poder Popular é quem designa o Conselho de Estado e o Conselho de Ministros, principais instâncias executivas do país, além de aprovar as leis e principais planos administrativos. Seus integrantes não são profissionais da política: continuam a desempenhar suas atividades profissionais e se reúnem, em âmbito nacional, duas vezes ao ano para deliberar sobre as principais questões.

A Constituição também prevê mecanismos de consulta popular. Dispondo desse direito, o dissidente Oswaldo Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação, reapresentou à Assembléia Nacional do Poder Popular, em 2002, uma petição com 10 mil assinaturas para que fosse organizado referendo que modificasse o sistema político e econômico na ilha.

O governo reuniu 800 mil registros para propor outro plebiscito, que tornava o socialismo cláusula pétrea da Constituição. Teve preferência pela quantidade de assinaturas. Cerca de 7,5 milhões de cubanos (65% do eleitorado), apesar do voto em referendo ser facultativo, votaram pela proposta defendida por Fidel Castro.

Tratam-se apenas de algumas indicações e exemplos de que o novo presidente petista pode ter sido um pouco apressado em suas declarações. As circunstâncias históricas levaram Cuba a restringir liberdades. Mas seu sistema político deveria ser analisado com menos preconceito, sem endeusamento do modelo liberal, no qual a existência de direitos formais amplos não representa garantias para um funcionamento democrático baseado na participação popular.

23.2.10

Amanhece 07

Maratonangustiamanhecedura,
ponteiros que espetam
e aceleram gente
passando para o
trabalho um
cérebro
bufa como uma vaca
no corredor
pastoso

Todo homem saberá que alguns salvamentos são tiros nas mãos todo
homem saberá que certos afogamentos são crianças brincando de
engolir águas e sêmem e que a semeadura se dará a postas de chumbo
em sua nuca e em cada vértebra calcanhar

Há risos misturados a buxixos e baitolas e bumbos e bundas que ecoarão para sempre como unhas estragadas há palhaços e magos que retiram trechos de gente expondo veios enquanto o sol brota

Há quem ria deste novo homem-nervo que passa silente há quem gargalhe e sugue calcinações de córtex pelas narinas há quem sinta prazerosamente o gosto do próprio veneno no suor de quem lhe come

28.1.10

fabianescas

Dica de hoje:

guarde os cartões que receber - eles podem realmente vir a fazer muito por você.


Mais notícias sobre o Piva

De novo do blog da Renata:

O poeta Roberto Piva foi transferido neste fim de tarde para um outro quarto no Hospital das Clínicas. O local é bastante arejado e ele está na companhia de apenas mais uma pessoa, bastante satisfeito com a nova acomodação.

Conforme divulgado no post anterior, Piva está recebendo bons cuidados da equipe médica do HC. Ele deve passar por um Cateterismo nos próximos dias. No momento, a prioridade é fortalecê-lo e garantir-lhe um bom funcionamento cardíaco. Posteriormente serão feitas 2 cirurgias: próstata e catarata.

Como qualquer grande homem de 73 anos, acostumado a devorar Leitões à Pururuca & outros banquetes, Piva reclamará da comida do hospital, "sem sal e sem gosto", em qualquer quarto do mundo. E nem precisa ser poeta pra reclamar disso: costuma ser assim conosco, com nossos amigos, nossos pais e avós. Ou alguém aqui trocaria uma pizza de mussarela por um purê de batatas sem sal?

Portanto, vamos continuar torcendo para que ele se recupere logo. O apoio dos amigos é sempre bem-vindo. Desde já, gostaria de agradecer aos que me ajudam a divulgar esses esclarecimentos referentes à internação do Piva. Peço que continuem a divulgar.

26.1.10

Sobre Roberto Piva

Do blog da Renata (que aliás, merece os parabéns). Triste, é claro, mas Piva há de se recuperar logo. O que não dá pra mudar é a falta de respeito com que a coisa vem sendo tratada, seja por jornais, seja por blogs ou twitters de famosinhos.

O poeta Roberto Piva, que sofre da Doença de Parkinson, está internado no Hospital das Clínicas de São Paulo desde o dia 13 de janeiro, onde recebe visitas e assistência diária dos amigos mais próximos e do companheiro. Desde então, vem passado por exames, tem recebido cuidados médicos e já está mais forte e mais disposto. Para evitar excessos de protagonização, os mais próximos haviam optado por manter a internação com discrição. No entanto, após movimentação e mobilização em blogs e redes sociais por terceiros, a notícia saiu na Folha de S. Paulo de hoje.

Antes da internação, Piva se queixou de diarréia e mal estar. O amigo e poeta Antonio Fernando de Franceschi -- que sempre lhe ajuda nesse sentido -- providenciou uma consulta com um médico particular de confiança, onde Piva chegou acompanhado do também amigo e poeta Roberto Bicelli. Por conta de um intenso quadro de desidratação e pela necessidade de fazer exames, o médico providenciou, pessoalmente, uma internação no Hospital das Clínicas.

Através de exames, foi diagnosticado um problema de próstata. Piva precisará passar por uma cirurgia. Mas antes disso, os médicos precisam garantir sua condição cardíaca e renal. Dentro de alguns dias, ele passará por um cateterismo no Incor, anexo ao HC, um centro de referência nesse tipo de tratamento. Só depois os médicos tomarão as providências pré-cirúrgicas.

Piva não tem plano de saúde. Quem não tem plano de saúde -- seja poeta, lixeiro ou dono de padaria -- se trata pelo SUS. Qualquer um de nós, mesmo com boleto pago de convênio médico, pode precisar do SUS após sofrer um acidente ou numa localidade onde não haja hospital privado. Todos sabemos que o HC não é hotel 5 estrelas. Mas apesar de não ter uma cama com trocentos botões e uma TV de Plasma com 100 canais por assinatura, Piva está num quarto limpo e arejado. Claro que há outras pessoas nos leitos vizinhos, evangélicos chatos, televisão do doente ao lado ligada no Silvio Santos, enfermeiras com cara de malvadas e um monte de coisas que podem irritá-lo, além da própria doença. Mas ele não está "jogado" ou "abandonado". E a última coisa que vai querer saber por terceiros, seja num blog ou numa notícia de jornal é que seu estado é "deplorável" e que sua situação mais parece "um inferno dantesco".

Sejamos sensatos: uma internação que tende a se prolongar, incluindo todos esses exames, medidas cautelares, medicações ministradas, procedimentos cirúrgicos, e até mesmo alguns dias de UTI (comum após cirurgias desta espécie), vão sair mais caro do que comparar um imóvel num bom bairro paulistano. E tudo à vista.

Alguns poetas estão se mobilizando para conseguir um um quarto melhor para o Piva apesar de que, no SUS, todo cidadão é igual (ou não?). Todo conforto, no entanto, é bem-vindo. Outros já estão divulgando a conta corrente do poeta no Itaú. Muito bem: ajudas financeiras, obviamente, também serão bem-vindas por ele; principalmente no período pós-cirúrgico.

Mas façamos com cuidado para não passar por cima das decisões que os mais próximos (principalmente seu companheiro) devem tomar. Se não, ao invés de ajudar, podemos atrapalhar. Ademais, vamos torcer para que o Piva se recupere logo. Os amigos estão convidados a visitá-lo e ajudar a mantê-lo confiante no tratamento. Se ele reclamar da comida, a gente já sabe o porquê: deve estar morrendo de saudade do Leitão à Pururuca e do vinho chileno que tanto gosta.

A conta:
Roberto Lopes Piva
CPF: 565 802 828-00
Banco Itaú
Agência 0036
C/C: 20592-0

11.1.10

Nunca antes na história...

Hélio Gaspari, na Folha do dia 03/01:


O PROFESSOR Claudio Salm investigou os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1996 e 2002 (anos tucanos) e daí a de 2008 (anos petistas). Ele verificou que a ideia segundo a qual Nosso Guia mudou radicalmente a vida do andar de baixo nacional é propaganda desonesta. Estimando-se que no andar de baixo estejam cerca de 50 milhões de pessoas (25% da população), o que se vê nas três Pnads estudadas por Salm é uma linha de progresso contínuo, sem inflexão petista.
Em 1996, quando Fernando Henrique Cardoso tinha um ano de governo, 48,5% dos domicílios pobres tinham água encanada. Em 2002, ao fim do mandato tucano, a percentagem subiu para 59,6%. Uma diferença de 11,1 pontos percentuais. Em 2008, no mandato petista, chegou-se a 68,3% dos domicílios, com uma alta de 8,7 pontos.
Coisa parecida sucedeu com o avanço no saneamento. Durante o tucanato, os domicílios pobres com acesso à rede de esgoto chegaram a 41,4%, com uma expansão de 9,1 pontos percentuais. Nosso Guia melhorou a marca, levando-a para 52,4%, avançando 11,3 pontos.
O acesso à luz elétrica passou de 79,9% em 1996 para 90,8% em 2002. Em 2008, havia luz em 96,2% dos domicílios pobres.
Esses três indicadores refletem políticas públicas. Indo-se para itens que resultam do aumento da renda e do acesso ao crédito, o resultado é o mesmo.
Durante o tucanato, os telefones em domicílios do andar de baixo pularam de 5,1% para 28,6%. Na gestão petista, chegaram a 64,8% das casas. Geladeira? 46,9% em 1996, 66,1% em 2002 e 80,1% em 2008.
O indicador da coleta de lixo desestimula exaltações partidárias. A percentagem de domicílios pobres servidos pela coleta pulou de 36,9% em 1996 para 64,4% em 2008. Glória tucana ou petista? Nem uma nem outra. O lixo é um serviço municipal.
Nunca antes na história deste país um governante se apropriou das boas realizações alheias e nunca antes na história deste país um partido político envergonhou-se de seus êxitos junto ao andar de baixo com a soberba do tucanato.


P.S - E ele é petista! Depois eu comento.

5.1.10

Sonho 03/01/10

Moro em um prédio cujo elevador está quebrado. Vejo que há elevadores substitutos, só que aquele que serve aos moradores do vigésimo (no qual moro) e do vigésimo terceiro andar corre por fora do prédio, como se fosse um daqueles que dão suporte em construções. O elevador é todo branco, possui apenas uma cesta para quem vai, cesta esta presa a uma espécie de cano, no qual ela se movimenta para cima e para baixo. Entro na cesta e começo a subir, um tanto quanto apavorado. Penso como seria se acaso estivesse ventando mais, e a angústia cresce.

Em um dado momento do sonho chego ao meu andar. No hall de entrada do apartamento há uma prateleira fechada com vidro na qual toalhas, escovas de dente, pastas, xampus e outros produtos se encontram para serem consumidos pelos moradores. Acho isso muito estranho, passo pelo lugar e entro no apartamento. Minha irmã está em um dos quartos experimentando roupas. Há uma TV ligada. Nada ali me interessa muito. Saio do apartamento e desço para um lugar do prédio onde pessoas almoçam. Na verdade é uma galeria cheia de restaurantes e minha família, alguns amigos e João e Fernanda comem. Olho para a mesa ao lado na qual um senhor se atrapalha e perde um bom pedaço de carne. Olho para uma outra mesa e o mesmo acontece. Os dois se abaixam e tentam espetar os bifes com seus garfos. Vislumbro meu sapato, de couro marrom, e não gosto da maneira como o cadarço está colocado. Tento consertar.

Novamente no elevador, e subindo. Em um dado instante o mal funcionamento faz com a cesta comece a despencar. Me apavoro, seguro no cano que dá suporte à maquina e consigo fazer com ela caminhe suavemente. Fico feliz por estar usando luvas de ginástica, pois sem as mesmas não teria suportado o esforço.

De novo na galeria. Levo uma arara cheia de roupas de minha irmã. Ela vai na frente. Me atrapalho com a enorme quantidade de peças. Há uma outra arara cheia de jaquetas infantis, e pego algumas. Um sujeito reclama: essas últimas a ele pertencem. Peço desculpas e corro atrás de minha irmã, que nesse momento já está bem longe de mim.

2.11.09

Blue Rondo A La Turk - Dave Brubeck

Dave Brubeck não faz música: faz hipnose. Seu piano é causa de redemoinhos mentais, confusões voluptuosas, exposição indeferida, torpor.

O trabalho brubeckiano é metódico: os temas fluem circularmente à nossa volta, avançando a uma inversão que nos coloca em transe - é a cabeça então, a um dado momento, o que parece girar, o lugar de onde vem as batidas e notas precisas é descentrado e não se sabe mais onde se está e de onde o mundo vem.

O saxofone aparece para dar a textura e o cheiro. A música nos carrega por aí, no duplo movimento de avanço e circularidade. O contrabaixo e a bateria realizam uma espécie de contraponto: sim, é possível que percebamos técnica absoluta ainda que em confusa vigília, e há por demais prazer no acesso a este gênero de matemática irregular que se acopla ao pseudodelírio.

Dave Brubeck não faz música: faz naves espaciais.

28.10.09

Razão, crença e dúvida

Contardo Calligaris, na Folha de alguns dias atrás:


MEU PRIMEIRO contato com a história que segue foi em junho passado, no blog de Richard Dawkins (www.richarddawkins.net, site que se autodenomina "um oásis de pensamento claro"). Dawkins é o evolucionista britânico que se tornou apóstolo do racionalismo ateu e cético, escrevendo, entre outros livros, o best-seller mundial "Deus - Um Delírio" (Companhia das Letras, 2007).

Mas eis a história. Em 2002, na Austrália, o casal Sam, de origem indiana, perdeu a filha, Gloria, de nove meses.

A menina, a partir do quarto mês, apresentou sintomas de eczema infantil, que é uma condição alérgica que afeta mais de 10% dos bebês e, geralmente, acalma-se ou some aos seis anos ou na adolescência. As causas do eczema infantil não são bem conhecidas; a medicina administra a condição da melhor maneira possível, esperando que passe. O problema é que o eczema (pele seca com prurido) dá uma vontade de se coçar à qual as crianças não resistem, e a pele, ferida, abre-se para qualquer infecção. Foi o que aconteceu com Gloria, que morreu de septicemia.

Não foi falta de sorte: o pai de Gloria é homeopata e, em total acordo com a mulher, medicou a menina só com remédios homeopáticos (insuficientes na condição da menina). Isso até o fim, quando ela definhava pelas infecções internas e externas. Gloria foi levada a um hospital três dias antes de morrer: as bactérias já estavam destruindo suas córneas, e os médicos só puderam lhe administrar morfina para aliviar seu sofrimento.

Os pais de Gloria foram presos, acusados de homicídio por negligência e, no fim de setembro, condenados pela Justiça australiana: o pai, a oito anos de prisão, a mãe, a cinco anos e quatro meses. Segundo o juiz, Peter Johnson, ambos os pais "faltaram gravemente com suas obrigações diante da filha": o marido pela "arrogância" de sua preferência pela homeopatia e a mulher pela excessiva "deferência" às decisões do marido.

Os termos da decisão de Johnson são admiráveis. A obediência -ao marido, no caso-, seja qual for seu fundamento cultural, nunca é desculpa; ela pode ser, ao contrário, o próprio crime. E, sobretudo, o marido é condenado não por recorrer à homeopatia, mas pela "arrogância" que lhe permitiu perseverar em sua crença e em sua decisão diante do calvário pelo qual passava a menina.

A sentença de Peter Johnson é, para mim, um modelo de racionalidade, porque estigmatiza a certeza independentemente do objeto de crença. Ou seja, o juiz não discute o bem fundado da autoridade do marido e, ainda menos, os méritos respectivos da homeopatia e da medicina alopática. Tampouco ele quer limitar a liberdade de opinião, garantida pela Constituição; a sentença penaliza apenas, por assim dizer, a rigidez.

Se me coloco no lugar dos pais de Gloria, não consigo imaginar uma crença, por mais que ela possa ser crucial para mim, que resista à visão do corpinho de minha filha transformado numa ferida aberta e purulenta.

Antes disso, eu (embora confiando, a princípio, na medicina alopática) já teria convocado não só os homeopatas (o que, aliás, seria uma banalidade, visto que a homeopatia é uma especialidade médica reconhecida) mas também todos os xamãs, feiticeiros e curandeiros que me parecessem minimamente confiáveis. E, é claro, embora agnóstico, eu rezaria, sem nenhuma vergonha e sem o sentimento de trair minhas "convicções", pois a primeira delas, a que resume minha racionalidade, diz, humildemente, que há muito no mundo que minha razão não alcança.

Se fosse testemunha de Jeová, e minha filha precisasse de uma transfusão (que a religião proíbe), abriria imediatamente uma exceção. Mesma coisa se fosse cientologista, e minha filha precisasse de ajuda psiquiátrica. Sou volúvel e irracional? O fato é que tenho poucas crenças (provavelmente, nenhuma absoluta), e acontece que, para mim, a razão é uma prática concreta, específica: um jeito de pesar e decidir em cada momento da vida.

O surpreendente é que, ao ler os comentários dos leitores no blog de Dawkins, os "racionalistas" parecem tão "rígidos" quanto o pai de Gloria. "A razão" (que eles confundem com uma visão aproximativa do estado atual da arte médica) é, para eles, um objeto de fé, uma crença pela qual facilmente condenariam os "infiéis" à fogueira.

Com o juiz Johnson, pergunto: onde se manifesta a razão? Na arrogância das certezas ou na capacidade de duvidar?

7.10.09

Presente de aniversário - Natalis Getuli

14 Jardim da Fantasia  by  fsaconte

Há dias aniversário de um amigo dos bons. Ainda não consegui falar com ele. Vai o presente, então. Depois a gente toma uma cerveja perto da ferroviária, velhinho... hehe

P.S - Veja lá, meu caro: seu nome está no genitivo da segunda declinação, e o natalis deve ser da terceira - então esse é nominativo da terceira... rsrsrs

1.10.09

Semana "Chamem o capitão Nascimento"



Na terça-feira ligaram aqui em casa. Já passava da meia-noite e o telefone do quarto do meu avô tocou. Como ligações recebidas a essa hora costumam não ser boa coisa, fiquei ouvindo atrás da porta. Hã? Quê? João? - disse "seu" Ludovico, já quase surdo, o que me fez entrar no quatro e pegar o fone. Uma voz infantil do outro lado:

- Eu tô aqui com eles!
- Peraí: eu quem?
- Sou eu, sou eu! Fala aqui com eles!!!

A ficha caiu na hora. Um sujeito com voz de pastor da Universal e sussurando à la Paulo Ricardo do mal começou a soltar:

- Eu vou acabar com ele!
- Ele quem?
- Vou matá-lo. Vou enfiar uma faca no coração, vou colocar fogo nele.

Assim, bem brega mesmo.

- Rapaz, vai dormir vai.
- Você acha que é brincadeira? Vou dar um tiro na cabeça dele. Eu vou...
- Vai dormir, vai. Vai dormir porque você já acordou todo mundo aqui. Deixa de ser tonto.

Hoje, quinta-feira, não houve tempo nem distância suficientes para que eu fosse irônico. Rua Marechal Deodoro, centro da cidade, 8h20. Fabiano distraído, sonolento, olhando pro chão. Bate um sujeito de frente, já chega outro pelas costas, uma arma no bolso do casaco, carteira e celular arrancados, arma na barriga: - Vai suave. Vai, meu irmão... E e eu fui. Meu celular - velhinho, coitado - foi jogado pra trás, descartado. Terei ainda que ir à delegacia, coisa para qual não estou com um pingo de vontade.

Sei não: acho que se possível ficarei trancado aqui até sábado, dia no qual acredito que irá - finalmente - expirar a minha semana de contatos com foras-da-lei. Boa sorte pra mim.

P.S - Ah, sim: estou apavorado, é claro. Aquelas idéias normais sobre o tema: um escorregão, um milésimo de insanidade, e tchau.

20.9.09

Godspell - 1992

Em 1992 - acredito eu - fizemos uma montagem de Godspell. Já disse bastante sobre isso por aqui. Ficou bom pra dedéu. Esta foto parece meio boba, sim, mas é porque foi uma das primeiras que foram tiradas para a elaboração do programa. Lembro-me de que era um dia chuvoso, e fizemos na quadra mesmo. Aliás, é bom que se esclareça esta coisa de quadra: a parte final dos ensaios foi feita em uma quadra, e isto porque trabalhamos com andaimes nos quais - fazendo parte do cenário - fomos obrigados a subir e a descer com a desenvoltura de chimpanzés. Tudo culpa, obra e sonho do senhor Jesus Sêda.

Na foto estão, sempre da esquerda para a direita: Amanda, Carlos, Emílio, Anadora, Ramiro, Cláudia Dubard e eu (os que estão em pé); Milady, Rodrigo e Bruno (os de joelho, ou quase); Vanessa e Denise (sentadas).

O post foi porque acabei de encontrar a foto: estava em meio a coisas interessantes para a minha memória, e que gerarão outros posts.