23.2.10
Amanhece 07
ponteiros que espetam
e aceleram gente
passando para o
trabalho um
cérebro
bufa como uma vaca
no corredor
pastoso
Todo homem saberá que alguns salvamentos são tiros nas mãos todo
homem saberá que certos afogamentos são crianças brincando de
engolir águas e sêmem e que a semeadura se dará a postas de chumbo
em sua nuca e em cada vértebra calcanhar
Há risos misturados a buxixos e baitolas e bumbos e bundas que ecoarão para sempre como unhas estragadas há palhaços e magos que retiram trechos de gente expondo veios enquanto o sol brota
Há quem ria deste novo homem-nervo que passa silente há quem gargalhe e sugue calcinações de córtex pelas narinas há quem sinta prazerosamente o gosto do próprio veneno no suor de quem lhe come
13.2.10
28.1.10
Mais notícias sobre o Piva
O poeta Roberto Piva foi transferido neste fim de tarde para um outro quarto no Hospital das Clínicas. O local é bastante arejado e ele está na companhia de apenas mais uma pessoa, bastante satisfeito com a nova acomodação.
Conforme divulgado no post anterior, Piva está recebendo bons cuidados da equipe médica do HC. Ele deve passar por um Cateterismo nos próximos dias. No momento, a prioridade é fortalecê-lo e garantir-lhe um bom funcionamento cardíaco. Posteriormente serão feitas 2 cirurgias: próstata e catarata.
Como qualquer grande homem de 73 anos, acostumado a devorar Leitões à Pururuca & outros banquetes, Piva reclamará da comida do hospital, "sem sal e sem gosto", em qualquer quarto do mundo. E nem precisa ser poeta pra reclamar disso: costuma ser assim conosco, com nossos amigos, nossos pais e avós. Ou alguém aqui trocaria uma pizza de mussarela por um purê de batatas sem sal?
Portanto, vamos continuar torcendo para que ele se recupere logo. O apoio dos amigos é sempre bem-vindo. Desde já, gostaria de agradecer aos que me ajudam a divulgar esses esclarecimentos referentes à internação do Piva. Peço que continuem a divulgar.
26.1.10
Sobre Roberto Piva
O poeta Roberto Piva, que sofre da Doença de Parkinson, está internado no Hospital das Clínicas de São Paulo desde o dia 13 de janeiro, onde recebe visitas e assistência diária dos amigos mais próximos e do companheiro. Desde então, vem passado por exames, tem recebido cuidados médicos e já está mais forte e mais disposto. Para evitar excessos de protagonização, os mais próximos haviam optado por manter a internação com discrição. No entanto, após movimentação e mobilização em blogs e redes sociais por terceiros, a notícia saiu na Folha de S. Paulo de hoje.
Antes da internação, Piva se queixou de diarréia e mal estar. O amigo e poeta Antonio Fernando de Franceschi -- que sempre lhe ajuda nesse sentido -- providenciou uma consulta com um médico particular de confiança, onde Piva chegou acompanhado do também amigo e poeta Roberto Bicelli. Por conta de um intenso quadro de desidratação e pela necessidade de fazer exames, o médico providenciou, pessoalmente, uma internação no Hospital das Clínicas.
Através de exames, foi diagnosticado um problema de próstata. Piva precisará passar por uma cirurgia. Mas antes disso, os médicos precisam garantir sua condição cardíaca e renal. Dentro de alguns dias, ele passará por um cateterismo no Incor, anexo ao HC, um centro de referência nesse tipo de tratamento. Só depois os médicos tomarão as providências pré-cirúrgicas.
Piva não tem plano de saúde. Quem não tem plano de saúde -- seja poeta, lixeiro ou dono de padaria -- se trata pelo SUS. Qualquer um de nós, mesmo com boleto pago de convênio médico, pode precisar do SUS após sofrer um acidente ou numa localidade onde não haja hospital privado. Todos sabemos que o HC não é hotel 5 estrelas. Mas apesar de não ter uma cama com trocentos botões e uma TV de Plasma com 100 canais por assinatura, Piva está num quarto limpo e arejado. Claro que há outras pessoas nos leitos vizinhos, evangélicos chatos, televisão do doente ao lado ligada no Silvio Santos, enfermeiras com cara de malvadas e um monte de coisas que podem irritá-lo, além da própria doença. Mas ele não está "jogado" ou "abandonado". E a última coisa que vai querer saber por terceiros, seja num blog ou numa notícia de jornal é que seu estado é "deplorável" e que sua situação mais parece "um inferno dantesco".
Sejamos sensatos: uma internação que tende a se prolongar, incluindo todos esses exames, medidas cautelares, medicações ministradas, procedimentos cirúrgicos, e até mesmo alguns dias de UTI (comum após cirurgias desta espécie), vão sair mais caro do que comparar um imóvel num bom bairro paulistano. E tudo à vista.
Alguns poetas estão se mobilizando para conseguir um um quarto melhor para o Piva apesar de que, no SUS, todo cidadão é igual (ou não?). Todo conforto, no entanto, é bem-vindo. Outros já estão divulgando a conta corrente do poeta no Itaú. Muito bem: ajudas financeiras, obviamente, também serão bem-vindas por ele; principalmente no período pós-cirúrgico.
Mas façamos com cuidado para não passar por cima das decisões que os mais próximos (principalmente seu companheiro) devem tomar. Se não, ao invés de ajudar, podemos atrapalhar. Ademais, vamos torcer para que o Piva se recupere logo. Os amigos estão convidados a visitá-lo e ajudar a mantê-lo confiante no tratamento. Se ele reclamar da comida, a gente já sabe o porquê: deve estar morrendo de saudade do Leitão à Pururuca e do vinho chileno que tanto gosta.
A conta:
Roberto Lopes Piva
CPF: 565 802 828-00
Banco Itaú
Agência 0036
C/C: 20592-0
11.1.10
Nunca antes na história...
O PROFESSOR Claudio Salm investigou os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1996 e 2002 (anos tucanos) e daí a de 2008 (anos petistas). Ele verificou que a ideia segundo a qual Nosso Guia mudou radicalmente a vida do andar de baixo nacional é propaganda desonesta. Estimando-se que no andar de baixo estejam cerca de 50 milhões de pessoas (25% da população), o que se vê nas três Pnads estudadas por Salm é uma linha de progresso contínuo, sem inflexão petista.
Em 1996, quando Fernando Henrique Cardoso tinha um ano de governo, 48,5% dos domicílios pobres tinham água encanada. Em 2002, ao fim do mandato tucano, a percentagem subiu para 59,6%. Uma diferença de 11,1 pontos percentuais. Em 2008, no mandato petista, chegou-se a 68,3% dos domicílios, com uma alta de 8,7 pontos.
Coisa parecida sucedeu com o avanço no saneamento. Durante o tucanato, os domicílios pobres com acesso à rede de esgoto chegaram a 41,4%, com uma expansão de 9,1 pontos percentuais. Nosso Guia melhorou a marca, levando-a para 52,4%, avançando 11,3 pontos.
O acesso à luz elétrica passou de 79,9% em 1996 para 90,8% em 2002. Em 2008, havia luz em 96,2% dos domicílios pobres.
Esses três indicadores refletem políticas públicas. Indo-se para itens que resultam do aumento da renda e do acesso ao crédito, o resultado é o mesmo.
Durante o tucanato, os telefones em domicílios do andar de baixo pularam de 5,1% para 28,6%. Na gestão petista, chegaram a 64,8% das casas. Geladeira? 46,9% em 1996, 66,1% em 2002 e 80,1% em 2008.
O indicador da coleta de lixo desestimula exaltações partidárias. A percentagem de domicílios pobres servidos pela coleta pulou de 36,9% em 1996 para 64,4% em 2008. Glória tucana ou petista? Nem uma nem outra. O lixo é um serviço municipal.
Nunca antes na história deste país um governante se apropriou das boas realizações alheias e nunca antes na história deste país um partido político envergonhou-se de seus êxitos junto ao andar de baixo com a soberba do tucanato.
P.S - E ele é petista! Depois eu comento.
5.1.10
Sonho 03/01/10
Em um dado momento do sonho chego ao meu andar. No hall de entrada do apartamento há uma prateleira fechada com vidro na qual toalhas, escovas de dente, pastas, xampus e outros produtos se encontram para serem consumidos pelos moradores. Acho isso muito estranho, passo pelo lugar e entro no apartamento. Minha irmã está em um dos quartos experimentando roupas. Há uma TV ligada. Nada ali me interessa muito. Saio do apartamento e desço para um lugar do prédio onde pessoas almoçam. Na verdade é uma galeria cheia de restaurantes e minha família, alguns amigos e João e Fernanda comem. Olho para a mesa ao lado na qual um senhor se atrapalha e perde um bom pedaço de carne. Olho para uma outra mesa e o mesmo acontece. Os dois se abaixam e tentam espetar os bifes com seus garfos. Vislumbro meu sapato, de couro marrom, e não gosto da maneira como o cadarço está colocado. Tento consertar.
Novamente no elevador, e subindo. Em um dado instante o mal funcionamento faz com a cesta comece a despencar. Me apavoro, seguro no cano que dá suporte à maquina e consigo fazer com ela caminhe suavemente. Fico feliz por estar usando luvas de ginástica, pois sem as mesmas não teria suportado o esforço.
De novo na galeria. Levo uma arara cheia de roupas de minha irmã. Ela vai na frente. Me atrapalho com a enorme quantidade de peças. Há uma outra arara cheia de jaquetas infantis, e pego algumas. Um sujeito reclama: essas últimas a ele pertencem. Peço desculpas e corro atrás de minha irmã, que nesse momento já está bem longe de mim.
2.11.09
Blue Rondo A La Turk - Dave Brubeck
Dave Brubeck não faz música: faz hipnose. Seu piano é causa de redemoinhos mentais, confusões voluptuosas, exposição indeferida, torpor.
O trabalho brubeckiano é metódico: os temas fluem circularmente à nossa volta, avançando a uma inversão que nos coloca em transe - é a cabeça então, a um dado momento, o que parece girar, o lugar de onde vem as batidas e notas precisas é descentrado e não se sabe mais onde se está e de onde o mundo vem.
O saxofone aparece para dar a textura e o cheiro. A música nos carrega por aí, no duplo movimento de avanço e circularidade. O contrabaixo e a bateria realizam uma espécie de contraponto: sim, é possível que percebamos técnica absoluta ainda que em confusa vigília, e há por demais prazer no acesso a este gênero de matemática irregular que se acopla ao pseudodelírio.
Dave Brubeck não faz música: faz naves espaciais.
28.10.09
Razão, crença e dúvida
MEU PRIMEIRO contato com a história que segue foi em junho passado, no blog de Richard Dawkins (www.richarddawkins.net, site que se autodenomina "um oásis de pensamento claro"). Dawkins é o evolucionista britânico que se tornou apóstolo do racionalismo ateu e cético, escrevendo, entre outros livros, o best-seller mundial "Deus - Um Delírio" (Companhia das Letras, 2007).
Mas eis a história. Em 2002, na Austrália, o casal Sam, de origem indiana, perdeu a filha, Gloria, de nove meses.
A menina, a partir do quarto mês, apresentou sintomas de eczema infantil, que é uma condição alérgica que afeta mais de 10% dos bebês e, geralmente, acalma-se ou some aos seis anos ou na adolescência. As causas do eczema infantil não são bem conhecidas; a medicina administra a condição da melhor maneira possível, esperando que passe. O problema é que o eczema (pele seca com prurido) dá uma vontade de se coçar à qual as crianças não resistem, e a pele, ferida, abre-se para qualquer infecção. Foi o que aconteceu com Gloria, que morreu de septicemia.
Não foi falta de sorte: o pai de Gloria é homeopata e, em total acordo com a mulher, medicou a menina só com remédios homeopáticos (insuficientes na condição da menina). Isso até o fim, quando ela definhava pelas infecções internas e externas. Gloria foi levada a um hospital três dias antes de morrer: as bactérias já estavam destruindo suas córneas, e os médicos só puderam lhe administrar morfina para aliviar seu sofrimento.
Os pais de Gloria foram presos, acusados de homicídio por negligência e, no fim de setembro, condenados pela Justiça australiana: o pai, a oito anos de prisão, a mãe, a cinco anos e quatro meses. Segundo o juiz, Peter Johnson, ambos os pais "faltaram gravemente com suas obrigações diante da filha": o marido pela "arrogância" de sua preferência pela homeopatia e a mulher pela excessiva "deferência" às decisões do marido.
Os termos da decisão de Johnson são admiráveis. A obediência -ao marido, no caso-, seja qual for seu fundamento cultural, nunca é desculpa; ela pode ser, ao contrário, o próprio crime. E, sobretudo, o marido é condenado não por recorrer à homeopatia, mas pela "arrogância" que lhe permitiu perseverar em sua crença e em sua decisão diante do calvário pelo qual passava a menina.
A sentença de Peter Johnson é, para mim, um modelo de racionalidade, porque estigmatiza a certeza independentemente do objeto de crença. Ou seja, o juiz não discute o bem fundado da autoridade do marido e, ainda menos, os méritos respectivos da homeopatia e da medicina alopática. Tampouco ele quer limitar a liberdade de opinião, garantida pela Constituição; a sentença penaliza apenas, por assim dizer, a rigidez.
Se me coloco no lugar dos pais de Gloria, não consigo imaginar uma crença, por mais que ela possa ser crucial para mim, que resista à visão do corpinho de minha filha transformado numa ferida aberta e purulenta.
Antes disso, eu (embora confiando, a princípio, na medicina alopática) já teria convocado não só os homeopatas (o que, aliás, seria uma banalidade, visto que a homeopatia é uma especialidade médica reconhecida) mas também todos os xamãs, feiticeiros e curandeiros que me parecessem minimamente confiáveis. E, é claro, embora agnóstico, eu rezaria, sem nenhuma vergonha e sem o sentimento de trair minhas "convicções", pois a primeira delas, a que resume minha racionalidade, diz, humildemente, que há muito no mundo que minha razão não alcança.
Se fosse testemunha de Jeová, e minha filha precisasse de uma transfusão (que a religião proíbe), abriria imediatamente uma exceção. Mesma coisa se fosse cientologista, e minha filha precisasse de ajuda psiquiátrica. Sou volúvel e irracional? O fato é que tenho poucas crenças (provavelmente, nenhuma absoluta), e acontece que, para mim, a razão é uma prática concreta, específica: um jeito de pesar e decidir em cada momento da vida.
O surpreendente é que, ao ler os comentários dos leitores no blog de Dawkins, os "racionalistas" parecem tão "rígidos" quanto o pai de Gloria. "A razão" (que eles confundem com uma visão aproximativa do estado atual da arte médica) é, para eles, um objeto de fé, uma crença pela qual facilmente condenariam os "infiéis" à fogueira.
Com o juiz Johnson, pergunto: onde se manifesta a razão? Na arrogância das certezas ou na capacidade de duvidar?
7.10.09
Presente de aniversário - Natalis Getuli
Há dias aniversário de um amigo dos bons. Ainda não consegui falar com ele. Vai o presente, então. Depois a gente toma uma cerveja perto da ferroviária, velhinho... hehe
P.S - Veja lá, meu caro: seu nome está no genitivo da segunda declinação, e o natalis deve ser da terceira - então esse é nominativo da terceira... rsrsrs
1.10.09
Semana "Chamem o capitão Nascimento"

Na terça-feira ligaram aqui em casa. Já passava da meia-noite e o telefone do quarto do meu avô tocou. Como ligações recebidas a essa hora costumam não ser boa coisa, fiquei ouvindo atrás da porta. Hã? Quê? João? - disse "seu" Ludovico, já quase surdo, o que me fez entrar no quatro e pegar o fone. Uma voz infantil do outro lado:
- Eu tô aqui com eles!
- Peraí: eu quem?
- Sou eu, sou eu! Fala aqui com eles!!!
A ficha caiu na hora. Um sujeito com voz de pastor da Universal e sussurando à la Paulo Ricardo do mal começou a soltar:
- Eu vou acabar com ele!
- Ele quem?
- Vou matá-lo. Vou enfiar uma faca no coração, vou colocar fogo nele.
Assim, bem brega mesmo.
- Rapaz, vai dormir vai.
- Você acha que é brincadeira? Vou dar um tiro na cabeça dele. Eu vou...
- Vai dormir, vai. Vai dormir porque você já acordou todo mundo aqui. Deixa de ser tonto.
Hoje, quinta-feira, não houve tempo nem distância suficientes para que eu fosse irônico. Rua Marechal Deodoro, centro da cidade, 8h20. Fabiano distraído, sonolento, olhando pro chão. Bate um sujeito de frente, já chega outro pelas costas, uma arma no bolso do casaco, carteira e celular arrancados, arma na barriga: - Vai suave. Vai, meu irmão... E e eu fui. Meu celular - velhinho, coitado - foi jogado pra trás, descartado. Terei ainda que ir à delegacia, coisa para qual não estou com um pingo de vontade.
Sei não: acho que se possível ficarei trancado aqui até sábado, dia no qual acredito que irá - finalmente - expirar a minha semana de contatos com foras-da-lei. Boa sorte pra mim.
P.S - Ah, sim: estou apavorado, é claro. Aquelas idéias normais sobre o tema: um escorregão, um milésimo de insanidade, e tchau.
28.9.09
20.9.09
Godspell - 1992
Na foto estão, sempre da esquerda para a direita: Amanda, Carlos, Emílio, Anadora, Ramiro, Cláudia Dubard e eu (os que estão em pé); Milady, Rodrigo e Bruno (os de joelho, ou quase); Vanessa e Denise (sentadas).
O post foi porque acabei de encontrar a foto: estava em meio a coisas interessantes para a minha memória, e que gerarão outros posts.
14.9.09
31.8.09
22.8.09
19.8.09
EJR lança currículo Guevara
(com colaboradores)
A EJR, Empresa Júnior Revolucionária, em parceria com a Faculdade dos Computadores, lançou oficialmente o Currículo Guevara. Trata-se de um banco de dados inspirado no Currículo Lattas, que tem por objetivo sistematizar a ação revolucionária dos revolucionários acadêmicos. "É uma revolução no paramento revolucionário", comenta, esfuziante, D, da EJR e do Grupo Público Ldta. S/A. Ela também nos conta como surgiu a idéia: "foi jogando o SimUni 2007 (veja TZN12). A gente notou que para estar ganhando o jogo, a gente precisava estar se unindo com o que no jogo está aparecendo como "alunos rebeldes". O difícil era estar identificando esses alunos rebeldes para estar chamando eles a estarem fazendo certo tipos de rebeldias bem comportadas, de forma que estivessem contribuindo para a imagem do Reitor (no jogo) e fossem o elemento vital para a gente estar ganhando o jogo com um cargo de secretário de qualquer coisa no estado". Sabendo da grande fidedignidade do jogo para com a realidade - uma vez que contou com a colaboração do ex-Reitor no seu desenvolvimento -, D disse que a EJR , durante a greve, sentiu a necessidade (ou melhor, "esteve sentindo a necessidade") de preparar um banco de dados, de forma a contribuir com a reitoria e assim garantir a contribuição da reitoria para com o paramento estudantil. Além de dados pessoais, tais nome, foto, orkut, formação acadêmica, tom de vermelho favorito, o currículo permite ao revolucionário especificar suas atividades revolucionárias : ocupação profissional burguesa utilizada para financiar a revolução, carro burguês que utiliza para chegar mais rápido à revolução, projetos de pesquisa revolucionários, prêmios e títulos (como Medalha Peter Pan de resistência ou cicatriz por cacetada da Polícia, por exemplo), participação em eventos (como manifestação na Avenida Paulista, pedindo fora Sir Ney, fora Alca e o FMI, fora Lula, fora FHC, fora Quércia, fora Geisel, fora Getúlio, e por aí vai), frases que compreende (abaixo algo!, fora alguém!, é um descalabro!, a gente precisa estar discutindo, até frases mais refinadas como esse pelego só lê hebdomadários, não entende uma linha das verdades proferidas por São Marx ou Santo Stálin (só se pede que não se espume quando for falar em hebdomadários)), além de novos campos a serem complementados no currículo conforme surgirem novas idéias ou novas necessidades.
O Currículo Guevara entrou tão forte na cena revolucionária estudantil que até mesmo Milosa Portugal, integrante da juventude do PSTI e dona de uma empresa de consultoria revolucionária, a EsTrident Revolutionary - ocupações, manifestações, slogans e treinamentos, admite que a idéia dos concorrentes do Grupo Público Ltda. S/A é muito útil e que ela também usará "para estar recrutando novos revolucionários". Mas adverte: "somente os revolucionários da revolução verdadeira eu vou estar aceitando na minha empresa".
O reitor FF Casto é outro que se animou com a idéia. Ele disse que em breve incluirá o currículo Guevara no grande currículo que sua equipe de governo está elaborando para que os clientes universitários possam controlar sua vida quantitativamente (veja TZN46). Até lá, ele disse que já recebeu indicações do ex-Reitor de que os alunos que mais gritam são os que melhor ajudam a reitoria: "a velha, cão que ladra não morde", resume, em sua sábia sabedoria.
O Currículo Guevara é mais um produto agregado ao portfólio da EJR, que já contém a balada forte The Party (TZN11), e a cueca do Che Guevara (tá um TZN recente, se vira). Novos produtos revolucionários são esperados para breve.
Veja mais em: Trezenhum. Humor sem graça.
7.8.09
fabianescas - dia dos pais ( dois dias antes)
eu: o que será?
o que será?
conta aí...
conta aí...
João: vou te dar uma dica
eu: manda
João: é uma coisa que vc talvez precise como eu precisarei no futuro
eu: bengala?
João: ah vai se !@#$%¨&*&¨%#@!
zoeira
eu entendi como uma brincadeira
desculpe
eu: vixe, nem imagino...
peruca? coisa pra deixar o cabelo escuro?
João: não
eu: não sei...
João: nao custa nada esperar
eu: ah, moleque!!!
João: é só a paciência e ansiedade
31.7.09
Cinco poemas concretos
"Cinco" (de José Lino Grunewald, 1964),
"Velocidade" (de Ronald Azeredo, 1957),
"Cidade" (de Augusto de Campos, 1963),
"Pêndulo" (de E.M. de Melo e Castro, 1961/62)
e "O Organismo" (de Décio Pignatari, 1960), pois hoje é dia daquilo que o organismo quer.
21.7.09
Rasidão; ainda
Quando este ponto é chegado, a renitência das coisas diárias força o surgimento de uma consciência que é trazida de fora. O que se exige não encontra onde nadar, se angustia e se bate, bate em você, que sufoca e só então repara.
Só poder reproduzir automatismos é um dos primeiros sinaisintomas da rasidão. Ele não dói, não pode ser percebido comportamentalmente e, portanto, não exige, segundo as psicologias ditas eficazes, remédios ou terapias.
Já o segundo sinalsintoma da rasidão machuca bastante, muito. É quando ela se torna reflexiva, ou seja, você reconhece com todos os pregos, arames farpados, agulhas, alfinetes e lanças que são inerentes ao reconhecer, que perdeu a manivela do ímpeto.
E o que sou eu sem alavanca? Boçal, é mais do que provável.
Um rato.
Uma semilatrina, um semibalde, uma semipiscina.
A rasidão impede, dentre todas as outras isquemias geradas, que se articule o suficiente a seu respeito.
P.S - Ela pode durar mais do que se imagina.
18.7.09
Bleuler em Brasília
Quando vejo a figura de Lula, toda vez que ouço ou leio a respeito das coisas que ele diz, essa teoria me vem à cabeça. Deve acontecer com a maior parte das pessoas, mas devo admitir que em mim a coisa tem ganho um caráter tamanho que não consigo mais, sequer, classificar o que se passa em termos de intuição ou percepção: insólito, absurdo, insano, esquizofrênico - nada é capaz de traduzir aquela coceira no córtex que sinto quando entram por meus tímpanos as declarações psicóticas de nosso presidente; e aqui não exagero. O universo de Lula é absolutamente descolado de qualquer evento exterior à sua presunção, e as falas que se geram deste estado têm, há muito, extrapolado qualquer tipo de verificação, seja ela estatística ou ética.
Acredito que algumas coisas devam ser ditas a este respeito; coisas que, como veremos, acabarão dando em outro lugar. Mas vamos lá.
Primeiro - parece não haver mais necessidade alguma de que os números que Lula informa em suas aparições se liguem a tabelas de um instituto qualquer, sejam algum dado sério e/ou que tenham vindo de um lugar a partir do qual eles se justifiquem: a única necessidade é de que eles possuam, à moda dos alienados, uma existência mental, que tenham se gestado na cachola do homem. E só. É esta a metodologia do DataLula. Do PAC – que praticamente não existe – à extração do petróleo, há pouquíssimos dados que correspondam à realidade, por mais que esta possa ser recriada.
Segundo - a quantidade de absurdos morais que este homem tem dito e com o assente de todos, inclusive daqueles que são ultrajados, não é normal. Para ficarmos apenas nos últimos exemplos, citarei cinco falas, as mais graves, sendo que mais tarde voltarei à terceira:
a) Lá (nos EUA), ela é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar.
b) Um país que acha petróleo a seis mil metros de profundidade pode achar um avião a dois mil.
c) Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos.
d) Tem uma, duas ou três denúncias em fase de apuração. Apura-se e toma-se as medidas. O que não pode é um país com tantas coisas importantes como o Brasil ficar discutindo coisas menores que o Tribunal de Contas [da União] pode investigar.
e) Depende. Todos eles são bons pizzaiolos.
Pensem com carinho em cada linha destas aí. É preciso estômago para suportá-las sem uma estremecida.
Terceiro – há uma brincadeira que todos conhecemos que é a seguinte: quando dizemos que alguém está louco, logo em seguida soltamos um – o médico falou que é para não contrariar! Pois então: o que há com Lula é que, a partir do óbvio momento em que todas as suas excentricidades descompassadas são deixadas para lá, atravessam a linha que deveria contê-las e se tornam ululâncias. Cada criação despreocupada ou mesmo indecente, quando afirmada pelo universo exterior, ganha o carimbo da realidade. E assim Lula vive e caminha em seu País das Maravilhas, enquanto que a maioria esquece de se perguntar: qual é a função de um presidente, mesmo?
Quarto – quem captou esta composição toda de forma esplendorosa e vem sabendo dela se aproveitar foi Barack Obama e sua equipe. Mais do que qualquer outra coisa, Obama percebeu que Lula adora ser adulado, que adora ser reafirmado, e que acaso necessite jogar com o Brasil, seja de qual maneira for, tudo deve se iniciar no fortalecimento da alucinação lulista. É como se dissesse: “Vai aí falando suas bobalhadas, meu amigo, porque internacionalmente elas não fazem efeito, mesmo. Mas você é um grande líder, uma cabeça pensante e eu te admiro, muito. Cof... Cof...”. E então lemos os jornais e nos sentimos felizes, sorrimos marotamente e achamos bonito: um se ilude, o outro afirma a ilusão para dela tirar proveito e nós, que adoramos os dois sujeitos, que os vemos como os supra-sumos da pureza da alma, nos regozijamos; além de exercemos, é claro, a nossa bocozisse com a coisa estrangeira, jacus que somos.
Continua...
para o sábado, uma galáxia haroldiana
17.7.09
You've got to hide your love away
Cheguei agora em casa. Estou comendo bolacha água e sal com requeijão e geléia de damasco, a atual configuaração do meu TOC. Saí com um grande amigo, daqueles que moram bem lá no fundo. Nós divertimos bastante, discutimos até sobre etologia, e ouvimos esta música na volta pra casa. Eu disse que não sairia do carro enquanto o refrão não viesse. Isto pode ficar .
2.7.09
fabianescas
E assim segue o Brudtland do Parque Industrial...