Grazie mille Ennio Morricone.
3.10.07
2.10.07
22.9.07
Por que sou nietzschiano?
Ler Nietzsche é uma experiência no mínimo das mais peculiares. É necessário que todas as armas estejam empunhadas, que todas as referências estejam dispostas, que todas as possibilidades de interpretação se atentem para que se chegue a algum lugar.
Dias atrás estava lendo a Terceira Dissertação de A genelogia da moral, e isto por conta de uma questão que eu achava que poderia ser interessante pesquisar. Nesta dissertação Nietzsche trata sobre os ideais ascéticos, fazendo um levantamento da psicologia do sacerdote. Ora, haverá aqui alguma indicação aproveitada por Freud desta análise quando este estrutura a sua psicologia da religião? É cedo ainda para que eu possa responder.
Mas o que eu quero, meus caros, não é falar disso. Eu quero é citar uma passagem extraordinária a qual eu ainda não havia entendido. E nao havia entendido porque não estava devidamente gaio para entendê-la. Estava levando o texto muito a sério para poder rir dele. Afinal, não era aquele um texto filosófico? Errado, era um texto nietzschiano. A passagem:
O que significam ideais ascéticos? - Para os artistas nada, ou coisas demais; para os filósofos e eruditos, algo como instinto e faro para as condições propícias a uma elevada espiritualidade; para as mulheres, no melhor dos casos um encanto mais de sedução, um quê de morbidezza na carne bonita, a angelicidade de um belo e gordo animal;
Quando a "ficha caiu" eu ria sem parar. Como é que se pode escrever isso num texto "sério"? Pois bem, a filosofia de Nietzsche se constrói assim: fazendo o que se diz que tem que ser feito. Desestrurar a linguagem, exceder em figuras, não ser emburrado demais.
A questão do artista
Em um post abaixo, em que eu falava da classe artística tomando as rédeas do pensamento tupiniquim, deixei em aberto a questão sobre se aquele destranbelhamento acontecia no mundo todo. Bem, ainda lendo a Terceira Dissertação, me deparei com isto: eles estão longe de se colocar independentemente no mundo, e contra o mundo, para que as suas avaliações, e a mudança delas, mereçam em si interesse! Eles sempre foram os criados de quarto de uma religião, de uma filosofia, de uma moral; sem contar que, infelizmente, não raro foram dóceis cortesãos de seus seguidores e patronos, e sagazes bajuladores de poderes antigos, ou poderes novos e ascendentes. Ao menos necessitam sempre de uma proteção, de um amparo, uma autoridade estabelecida: os artistas não se sustentam por si sós, estar só vai de encontro a seus instintos mais profundos.
Pois bem, qualquer semelhança com o que acontece hoje não é mera coincidência. E a minha pergunta está respondida.
* Pra quem não sabe, Porquê não somos nietzschianos é um livro escrito por vários marxistas franceses. Tem coisa pior do que ter estes dois qüalificativos trabalhando juntos: marxista e francês? Só juntando mais qüalificativos: barata marxista-francesa; fiscal de trânsito marxista-francês; pedagoga construtivista marxista-francesa (apesar de que esta é uma tautologia); psicóloga comportamental marxista-francesa.
Ai, sai pra lá: paro por aqui porque já estou ficando arrepiado!
Dias atrás estava lendo a Terceira Dissertação de A genelogia da moral, e isto por conta de uma questão que eu achava que poderia ser interessante pesquisar. Nesta dissertação Nietzsche trata sobre os ideais ascéticos, fazendo um levantamento da psicologia do sacerdote. Ora, haverá aqui alguma indicação aproveitada por Freud desta análise quando este estrutura a sua psicologia da religião? É cedo ainda para que eu possa responder.
Mas o que eu quero, meus caros, não é falar disso. Eu quero é citar uma passagem extraordinária a qual eu ainda não havia entendido. E nao havia entendido porque não estava devidamente gaio para entendê-la. Estava levando o texto muito a sério para poder rir dele. Afinal, não era aquele um texto filosófico? Errado, era um texto nietzschiano. A passagem:
O que significam ideais ascéticos? - Para os artistas nada, ou coisas demais; para os filósofos e eruditos, algo como instinto e faro para as condições propícias a uma elevada espiritualidade; para as mulheres, no melhor dos casos um encanto mais de sedução, um quê de morbidezza na carne bonita, a angelicidade de um belo e gordo animal;
Quando a "ficha caiu" eu ria sem parar. Como é que se pode escrever isso num texto "sério"? Pois bem, a filosofia de Nietzsche se constrói assim: fazendo o que se diz que tem que ser feito. Desestrurar a linguagem, exceder em figuras, não ser emburrado demais.
A questão do artista
Em um post abaixo, em que eu falava da classe artística tomando as rédeas do pensamento tupiniquim, deixei em aberto a questão sobre se aquele destranbelhamento acontecia no mundo todo. Bem, ainda lendo a Terceira Dissertação, me deparei com isto: eles estão longe de se colocar independentemente no mundo, e contra o mundo, para que as suas avaliações, e a mudança delas, mereçam em si interesse! Eles sempre foram os criados de quarto de uma religião, de uma filosofia, de uma moral; sem contar que, infelizmente, não raro foram dóceis cortesãos de seus seguidores e patronos, e sagazes bajuladores de poderes antigos, ou poderes novos e ascendentes. Ao menos necessitam sempre de uma proteção, de um amparo, uma autoridade estabelecida: os artistas não se sustentam por si sós, estar só vai de encontro a seus instintos mais profundos.
Pois bem, qualquer semelhança com o que acontece hoje não é mera coincidência. E a minha pergunta está respondida.
* Pra quem não sabe, Porquê não somos nietzschianos é um livro escrito por vários marxistas franceses. Tem coisa pior do que ter estes dois qüalificativos trabalhando juntos: marxista e francês? Só juntando mais qüalificativos: barata marxista-francesa; fiscal de trânsito marxista-francês; pedagoga construtivista marxista-francesa (apesar de que esta é uma tautologia); psicóloga comportamental marxista-francesa.
Ai, sai pra lá: paro por aqui porque já estou ficando arrepiado!
17.9.07
Essa aí só falta internar...
Leiam, e depois façam o que quiser:
Em entrevista à revista argentina "Debate", a filósofa Marilena Chaui admitiu pela primeira vez a possibilidade de que tenha existido o mensalão, que ela antes qualificava de uma "construção fantasmagórica" da mídia.
A filósofa petista, porém, mantém sua tese de que a imprensa manipulou o caso para criar uma imagem negativa do governo Lula, buscando seu impeachment.
Para ela, se ocorreu, o mensalão não foi algo inédito: "Nenhum governante governa sem fazer alianças e negociações com outros partidos. Essa negociação tende à corrupção. Essa compra e venda ocorreu sistematicamente nos governos José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, sem que os meios se manifestassem sobre o assunto", disse.
Ela admite agora que "há indícios de que alguns membros do primeiro governo de Lula negociaram com parlamentares, de acordo com essa mesma tradição. Mas o PT e seu presidente operário, como ousam fazer o mesmo que os partidos da classe dominante? Que ousadia absurda! Resultado: os meios de comunicação transformaram a situação em um caso único, nunca visto antes, e construíram a imagem do governo mais corrupto da história do Brasil", disse.
Para Chaui, "o falso moralismo ocupou o lugar de uma discussão de ética republicana porque permite atacar o PT naquilo que é seu ponto de honra: a ética na política". (RODRIGO RÖTZSCH)
Deu pra entender a lógica da mulher, não deu? Vamos lá:
Todo partido político comete falcatruas.
O PT é um partido político.
Logo, o PT comete falcatruas.
O que não deu pra entender foi a ética. Ela se tranformou em moral de classes. Será isso mesmo?
A vontade que dá é de abrir um processo e fazer a dita provar o que diz sobre os governos anteriores. E prendê-la, ao final, por dois motivos: falar besteira, e ser condizente com o crime organizado.
Em entrevista à revista argentina "Debate", a filósofa Marilena Chaui admitiu pela primeira vez a possibilidade de que tenha existido o mensalão, que ela antes qualificava de uma "construção fantasmagórica" da mídia.
A filósofa petista, porém, mantém sua tese de que a imprensa manipulou o caso para criar uma imagem negativa do governo Lula, buscando seu impeachment.
Para ela, se ocorreu, o mensalão não foi algo inédito: "Nenhum governante governa sem fazer alianças e negociações com outros partidos. Essa negociação tende à corrupção. Essa compra e venda ocorreu sistematicamente nos governos José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, sem que os meios se manifestassem sobre o assunto", disse.
Ela admite agora que "há indícios de que alguns membros do primeiro governo de Lula negociaram com parlamentares, de acordo com essa mesma tradição. Mas o PT e seu presidente operário, como ousam fazer o mesmo que os partidos da classe dominante? Que ousadia absurda! Resultado: os meios de comunicação transformaram a situação em um caso único, nunca visto antes, e construíram a imagem do governo mais corrupto da história do Brasil", disse.
Para Chaui, "o falso moralismo ocupou o lugar de uma discussão de ética republicana porque permite atacar o PT naquilo que é seu ponto de honra: a ética na política". (RODRIGO RÖTZSCH)
Deu pra entender a lógica da mulher, não deu? Vamos lá:
Todo partido político comete falcatruas.
O PT é um partido político.
Logo, o PT comete falcatruas.
O que não deu pra entender foi a ética. Ela se tranformou em moral de classes. Será isso mesmo?
A vontade que dá é de abrir um processo e fazer a dita provar o que diz sobre os governos anteriores. E prendê-la, ao final, por dois motivos: falar besteira, e ser condizente com o crime organizado.
3.9.07
Enquanto isso, o nosso Sócrates...
E o homem do "só sei que nada sei" continua aprontando das suas.
Nesta semana disse coisas de arrepiar os cabelos, e isso com aquela altivez de sempre, trazida pela segurança de quem pode falar o que quer que seja por estar protegido por seus escudos míticos.
Duas foram as pérolas. Na primeira delas, afirmou sem constrangimentos que não tem dúvidas de que "as coisas boas feitas por seu governo hão de fazer esquecer os crimes referentes ao mensalão". Ora, há duas leituras-descontruções possíveis aqui, cada uma delas deixando a fala ainda mais caduca.
Na primeira podemos ignorar o argumento fundante porque simplesmente ele é falso: foram tantas coisas boas assim? Qual a melhor? A estabilidade econômica a que chegamos por conta do governo FHC? O PROUNI que financia também, e em sua maioria, universidades desqüalificadas? O Bolsa-Família que já existia e foi ampliado sem que um objetivo mais eficaz, a inserção no mercado de trabalho, viesse à tona? O aparelhamento do Estado por companheiros?* Ou a eficácia e a presteza mostradas no caso dos acidentes aéreos? A escolha aqui fica difícil, o que nos fornece o sentido da primeira leitura.
Já para inaugurar uma segunda, vamos nos esquecer destes fatos e aceitar que "nunca antes neste país" havíamos tido um governo como esse. Ao assumirmos esta hipótese a colocação ganha outro sentido, sentido este por assim dizer, mais histórico: algo com o qual já tínhamos trabalhado antes. Querem ver? É só seguir a lógica, o que podemos fazer juntos: se o que há de bom supera o que há de mal, estamos novamente do campo do... rouba mas faz. Sim meus caros: roubamos, desviamos, ocultamos, mas se em contrapartida fazemos, o que há de mal nisso?
E assim se faz a ética neo-socrática de Garanhuns. Uma retomada de argumento de outro grande pensador brasileiro, o senhor Paulo Maluf.
Bem, desvendados os sentidos da frase de nosso líder, podemos continuar e pensar um pouco sobre a outra boa fala da semana: o PT é o partido mais ético do Brasil.
Para entendermos melhor esta aqui façamos o mesmo processo de leitura da primeira pérola já que, veremos, elas possuem estruturas idênticas. O PT é o partido mais ético do Brasil: baseado em quais fatos isto é dito? Destes que vêm a público? De todas as histórias que já conhecemos e que serão ainda mais abertas pelo julgamento no Supremo? Algo nos diz aqui que esta afirmação não passa de balela. Mas haveria uma saída sim, podemos ler isto de outra maneira, e o que é pior, de um modo mais preocupante.
Ao afirmar que "o PT é o partido mais ético do Brasil" Lula pôde querer dizer que o seu partido é o que "menos apronta". Sim, é o mais ético porque é o que menos usa a máquina do Estado para benefício próprio. E o que se fez aqui? Aqui Lula afirmou que, para ele e para os seus, a ética não é algo do campo do absoluto mas sim do relativo. Traduzindo: se X roubou R$20,00 e Y R$30,00, X é mais ético do Y. Não é fantástico isso? Sim, sabemos que existem crimes diferentes e que para tipo ou gravidade há diferentes penas. Mas não existe um linha que diga que, se aquele matou, o outro que só tirou um braço é um bom homem. É um homem mais ético. Esta aberração do pensamento é o que foi afirmado por nosso presidente, nosso líder-filósofo.
Um viva ao nosso Kant barbado!
* - o número de funcionários públicos contratados desde o início do governo Lula já chegou a quase 200.000, ou seja, 20% do que é hoje o número total. É, nunca antes neste país se apadrinhou tanta gente...
Nesta semana disse coisas de arrepiar os cabelos, e isso com aquela altivez de sempre, trazida pela segurança de quem pode falar o que quer que seja por estar protegido por seus escudos míticos.
Duas foram as pérolas. Na primeira delas, afirmou sem constrangimentos que não tem dúvidas de que "as coisas boas feitas por seu governo hão de fazer esquecer os crimes referentes ao mensalão". Ora, há duas leituras-descontruções possíveis aqui, cada uma delas deixando a fala ainda mais caduca.
Na primeira podemos ignorar o argumento fundante porque simplesmente ele é falso: foram tantas coisas boas assim? Qual a melhor? A estabilidade econômica a que chegamos por conta do governo FHC? O PROUNI que financia também, e em sua maioria, universidades desqüalificadas? O Bolsa-Família que já existia e foi ampliado sem que um objetivo mais eficaz, a inserção no mercado de trabalho, viesse à tona? O aparelhamento do Estado por companheiros?* Ou a eficácia e a presteza mostradas no caso dos acidentes aéreos? A escolha aqui fica difícil, o que nos fornece o sentido da primeira leitura.
Já para inaugurar uma segunda, vamos nos esquecer destes fatos e aceitar que "nunca antes neste país" havíamos tido um governo como esse. Ao assumirmos esta hipótese a colocação ganha outro sentido, sentido este por assim dizer, mais histórico: algo com o qual já tínhamos trabalhado antes. Querem ver? É só seguir a lógica, o que podemos fazer juntos: se o que há de bom supera o que há de mal, estamos novamente do campo do... rouba mas faz. Sim meus caros: roubamos, desviamos, ocultamos, mas se em contrapartida fazemos, o que há de mal nisso?
E assim se faz a ética neo-socrática de Garanhuns. Uma retomada de argumento de outro grande pensador brasileiro, o senhor Paulo Maluf.
Bem, desvendados os sentidos da frase de nosso líder, podemos continuar e pensar um pouco sobre a outra boa fala da semana: o PT é o partido mais ético do Brasil.
Para entendermos melhor esta aqui façamos o mesmo processo de leitura da primeira pérola já que, veremos, elas possuem estruturas idênticas. O PT é o partido mais ético do Brasil: baseado em quais fatos isto é dito? Destes que vêm a público? De todas as histórias que já conhecemos e que serão ainda mais abertas pelo julgamento no Supremo? Algo nos diz aqui que esta afirmação não passa de balela. Mas haveria uma saída sim, podemos ler isto de outra maneira, e o que é pior, de um modo mais preocupante.
Ao afirmar que "o PT é o partido mais ético do Brasil" Lula pôde querer dizer que o seu partido é o que "menos apronta". Sim, é o mais ético porque é o que menos usa a máquina do Estado para benefício próprio. E o que se fez aqui? Aqui Lula afirmou que, para ele e para os seus, a ética não é algo do campo do absoluto mas sim do relativo. Traduzindo: se X roubou R$20,00 e Y R$30,00, X é mais ético do Y. Não é fantástico isso? Sim, sabemos que existem crimes diferentes e que para tipo ou gravidade há diferentes penas. Mas não existe um linha que diga que, se aquele matou, o outro que só tirou um braço é um bom homem. É um homem mais ético. Esta aberração do pensamento é o que foi afirmado por nosso presidente, nosso líder-filósofo.
Um viva ao nosso Kant barbado!
* - o número de funcionários públicos contratados desde o início do governo Lula já chegou a quase 200.000, ou seja, 20% do que é hoje o número total. É, nunca antes neste país se apadrinhou tanta gente...
Cartola na cadeia
Hahaha... Tem gente que vai querer me matar aqui, mas o que é que eu posso fazer?
Para levantamento de provas, sigam as instruções: cliquem no vídeo abaixo e, quando o baixo começar a tocar (baixo ou cello?) cantem: Bate outra vez, com esperanças no meu coração...
A estrutura de "As rosas não falam" é toda baseada neste trecho, concordam? É, na verdade, quase sempre uma repetição deste trecho.
E o que se percebe quando se escuta Vocalise, de Rachmaninoff? Que quem compôs "As Rosas não falam" não foi um brasileiro do tipo mítico (pobre, morador do morro, sambista de nariz esquisito), mas sim um russo! Isso mesmo, um russo, o que significa que "As rosas não falam" é um... plágio (ainda que inconsciente, sei lá!).
Não dá aqui nem pra dizer que se trata de um caso de zeitgeist, ou que, como disse Bento Prado de forma divertida, havia mais coisas no ar na época do que os aviões da VASP.
E agora, o que faremos?
Já me disseram que o fato foi inverso, ainda que Vocalise seja de 1912 e "As rosas..." de 1976. É a nossa lógica-esquisita de novo tentando salvar a pátria.
E viva a castanha!
Para levantamento de provas, sigam as instruções: cliquem no vídeo abaixo e, quando o baixo começar a tocar (baixo ou cello?) cantem: Bate outra vez, com esperanças no meu coração...
A estrutura de "As rosas não falam" é toda baseada neste trecho, concordam? É, na verdade, quase sempre uma repetição deste trecho.
E o que se percebe quando se escuta Vocalise, de Rachmaninoff? Que quem compôs "As Rosas não falam" não foi um brasileiro do tipo mítico (pobre, morador do morro, sambista de nariz esquisito), mas sim um russo! Isso mesmo, um russo, o que significa que "As rosas não falam" é um... plágio (ainda que inconsciente, sei lá!).
Não dá aqui nem pra dizer que se trata de um caso de zeitgeist, ou que, como disse Bento Prado de forma divertida, havia mais coisas no ar na época do que os aviões da VASP.
E agora, o que faremos?
Já me disseram que o fato foi inverso, ainda que Vocalise seja de 1912 e "As rosas..." de 1976. É a nossa lógica-esquisita de novo tentando salvar a pátria.
E viva a castanha!
25.8.07
23.8.07
15.8.07
9.8.07
Caminhando e cantando...
Vivemos por muito tempo uma situação que não sei se foi sui generis (o que se conheço sobre história de outros lugares não me permite definir), mas que nos trouxe uma peculiaridade jacu que nos atrapalha até hoje, e isso por conta dos acontecimentos de Abril de 1964.
Instaurado o golpe, nossos intelectuais começaram a fugir ou a serem "fugidos" de casa, o que nos trouxe um complicador dos grandes: quem iria pensar o país, pensar sobre o país, ou mesmo pensar sobre qualquer coisa?
Pois bem, sabemos quem assumiu tal posicionamento: a classe artística - músicos, atores, teatrólogos e assim vai. O modus operandi? Era recortar uma frase do Sartre, juntar umas viagens lisérgicas bem loconas e mandar bala. Qualquer bobagem era considerada pensamento sério. E assim vivemos um bom período da nossa história recente.
Mas o grande problema mesmo é que (e é aí que eu queria chegar), ainda que todo mundo tenha voltado há mais de 20 anos, o pessoal criativo continua achando que falar sobre política, semiologia, ética, transgênicos ou seja lá o que for é a mesma coisa que escrever peças do Zé Celso Martinez Corrêa e, pior, acreditam que seu pensamento alógico bicho-grilado deva ser exposto como algo correto, concreto, bem cabeça mesmo sabe.
Uma amiga outro dia me chamou a atenção para o blog de um desses moços que ainda não se tocaram da coisa e ainda por cima a pegou herdada - um com sobrenome de animal de corcova que vive no deserto.
Meus deus do céu, que confusão!!! Alhos, bugalhos, enxovalhos - tudo temperado com salsinha, molho de tomate, uns torresminhos e muito samba. O sujeito produz lingüística, filosofia da mente, psicologia do desenvolvimento: tudo com o mesmo graceço, seriedade e autoridade com que elaborou e narrou a mais metafísica das questões metafísicas - do que é feito o samba?
Sei de um povo que fica louco com as indagações que saem daquela cachola. Num programa de tv outro dia um fã citou uma música em que o dito rimava algo como andança e dança, perguntando todo emocionado sobre a facilidade que o tal tinha de compor "aliterações". Rima pobre agora é aliteração - socorro! - um Bandeira na testa do inútil. Mas não ligue ainda, o programa não ficou só nisso não. Em num exemplo de hermenêutica e conhecimento dos textos antigos, disse que não era como Platão que queria "jogar os poetas do penhasco". Ai, ai, ai: lê o que quer e fala o que não queremos ouvir. O Inútil, agora elevado ao posto de categoria, deve ter se arrepiado ao presenciar tamanha erudição.
Surgiu um probleminha e amanhã eu volto pra falar do blog. Farei a emenda dos textos pra esse não ficar assim, caducão.
Inté...
Instaurado o golpe, nossos intelectuais começaram a fugir ou a serem "fugidos" de casa, o que nos trouxe um complicador dos grandes: quem iria pensar o país, pensar sobre o país, ou mesmo pensar sobre qualquer coisa?
Pois bem, sabemos quem assumiu tal posicionamento: a classe artística - músicos, atores, teatrólogos e assim vai. O modus operandi? Era recortar uma frase do Sartre, juntar umas viagens lisérgicas bem loconas e mandar bala. Qualquer bobagem era considerada pensamento sério. E assim vivemos um bom período da nossa história recente.
Mas o grande problema mesmo é que (e é aí que eu queria chegar), ainda que todo mundo tenha voltado há mais de 20 anos, o pessoal criativo continua achando que falar sobre política, semiologia, ética, transgênicos ou seja lá o que for é a mesma coisa que escrever peças do Zé Celso Martinez Corrêa e, pior, acreditam que seu pensamento alógico bicho-grilado deva ser exposto como algo correto, concreto, bem cabeça mesmo sabe.
Uma amiga outro dia me chamou a atenção para o blog de um desses moços que ainda não se tocaram da coisa e ainda por cima a pegou herdada - um com sobrenome de animal de corcova que vive no deserto.
Meus deus do céu, que confusão!!! Alhos, bugalhos, enxovalhos - tudo temperado com salsinha, molho de tomate, uns torresminhos e muito samba. O sujeito produz lingüística, filosofia da mente, psicologia do desenvolvimento: tudo com o mesmo graceço, seriedade e autoridade com que elaborou e narrou a mais metafísica das questões metafísicas - do que é feito o samba?
Sei de um povo que fica louco com as indagações que saem daquela cachola. Num programa de tv outro dia um fã citou uma música em que o dito rimava algo como andança e dança, perguntando todo emocionado sobre a facilidade que o tal tinha de compor "aliterações". Rima pobre agora é aliteração - socorro! - um Bandeira na testa do inútil. Mas não ligue ainda, o programa não ficou só nisso não. Em num exemplo de hermenêutica e conhecimento dos textos antigos, disse que não era como Platão que queria "jogar os poetas do penhasco". Ai, ai, ai: lê o que quer e fala o que não queremos ouvir. O Inútil, agora elevado ao posto de categoria, deve ter se arrepiado ao presenciar tamanha erudição.
Surgiu um probleminha e amanhã eu volto pra falar do blog. Farei a emenda dos textos pra esse não ficar assim, caducão.
Inté...
8.8.07
4.8.07
... and then ten years have got behind you...
As perguntas que não querem calar são: quando é que e como eu me atrasei na vida e fiquei assim, fora do tempo exato, correndo eternamente atrás das coisas?
Sim, porque não é possível que alguém esteja sempre correndo atrás do rabo: minhas contas vencem e eu pago uma semana depois; meus prazos do trabalho expiram e eu estou na metade do material; a banda mais nova que escuto é Creedence; minha dissertação, bem...
Já pensei em algumas respostas, hipóteses do tipo:
a) nasci depois dos nove meses, o que me daria um déficit fixo e eterno;
b) entro em pane em alguma momento do dia e me desligo - um lapso momentâneo, o que significa que meu déficit, com passar dos anos, só aumentará;
c) fui abduzido por extraterrestres, passei alguns meses fora da Terra e, ao voltar, tive a memória do tempo de abdução apagada. Ou seja, atraso = tempo de abdução;
d) minha percepção do tempo é falha. Sujeito transcedental com defeito de fabricação;
e) como doce de leite demais e fico bolado, igual beija-flor. Esperança de melhoras então quando a diabetes chegar.
De qualquer forma, seja a explicação qual for, continuo aqui, com a moça das Casas Bahia me ligando diariamente pra perguntar quando é que eu vou pagar e qual o motivo do atraso (devo transmitir a ela minhas hipóteses?); com os e-mails de cobrança do trabalho baixando de hora em hora (devo também?); chegando esbaforido e suado pras aulas (hein?); com o primeiro capítulo da dissertação pela metade (ah, deixa pra lá...).
Soluções pra questão, favor postar aqui.
Sim, porque não é possível que alguém esteja sempre correndo atrás do rabo: minhas contas vencem e eu pago uma semana depois; meus prazos do trabalho expiram e eu estou na metade do material; a banda mais nova que escuto é Creedence; minha dissertação, bem...
Já pensei em algumas respostas, hipóteses do tipo:
a) nasci depois dos nove meses, o que me daria um déficit fixo e eterno;
b) entro em pane em alguma momento do dia e me desligo - um lapso momentâneo, o que significa que meu déficit, com passar dos anos, só aumentará;
c) fui abduzido por extraterrestres, passei alguns meses fora da Terra e, ao voltar, tive a memória do tempo de abdução apagada. Ou seja, atraso = tempo de abdução;
d) minha percepção do tempo é falha. Sujeito transcedental com defeito de fabricação;
e) como doce de leite demais e fico bolado, igual beija-flor. Esperança de melhoras então quando a diabetes chegar.
De qualquer forma, seja a explicação qual for, continuo aqui, com a moça das Casas Bahia me ligando diariamente pra perguntar quando é que eu vou pagar e qual o motivo do atraso (devo transmitir a ela minhas hipóteses?); com os e-mails de cobrança do trabalho baixando de hora em hora (devo também?); chegando esbaforido e suado pras aulas (hein?); com o primeiro capítulo da dissertação pela metade (ah, deixa pra lá...).
Soluções pra questão, favor postar aqui.
28.7.07
Madrugada-manhã de quinta, 26/07/07
E vamos a mais um dos sonhos dantescos que infalivelmente me assolam. Apesar de ter acordado tenso e cansado, poucos minutos se seguiram da lembrança do chamado conteúdo manisfesto do sonho ao entedimento de seu contéudo latente. Na verdade o processo para o reconhecimento das significações se pareceu mais com uma redução fenomenológica do que com uma análise propriamente dita. O resultado me deixou chocado pela explicitude do tema e de seus adendos. Vamos à peça:
Acordo pela manhã com um barulho ensurdecedor. Olho pela janela de um prédio que está na Av. Orosimbo Maia: um F-16 cruza o céu. Fico maravilhado com a cena, até que ele despeja bombas sobre algum lugar perto da rodoviária. Aqui acontece o primeiro corte.
Estou já na rua onde pessoas correm pra lá e pra cá. Sei que o João está em um lugar seguro. Quando consigo avistar toda a Glicério, há um Harrier metralhando um prédio, andar por andar. Pergunto a alguém que corre sobre o que está acontecendo e ela me informa da guerra. Contra quem? O Peru. Os aviões brasileiros ainda estão em Aparecida. Fico puto e me pergunto: mas como os aviões peruanos chegaram antes que os brasileiros? Desde quando Peru tem dinheiro pra comprar F-16 e Harrier? Segundo corte.
A situação é deseperadora. Bombardeiros e caças não param de cruzar o espaço. Alguém surge com armas para uma tentativa de abate pelo chão. Pequenas bombas começam a cair presas a pára-quedas amarelos. Corte três.
Estou ao lado de uma enorme catedral gótica e prestes a entrar em um túnel. Parte da lateral da catedral desaba quase sobre mim (ela parece ser feita de areia). Faço parte de um grupo agora. As bombas em pára-quedas conseguem entrar no túnel. Todos nós corremos. Corte quatro.
Entre nós há três peruanos disfarçados que em dado momento tentam nos matar. Não conseguem. Dominamos os rapazes, deixando-os presos em algum lugar. A situação melhora. Aviões brasileiros começam a chegar. Subo em um carro de som e saio andando pelo centro que não é mais o centro de Campinas: Rio ou Salvador. Pessoas mortas pelo chão, igrejas destruídas até a volta à Orosimbo Maia. Corte cinco.
Como é que tudo isso será recuperado? E os infiltrados? E os mortos? Os aviões lançam bombas que logo se transformam em minúsculos raios. Primeiramente negros, organizados, logicamente dispostos. Em um segundo momento se transformam em algo amarelado e começam a trazer vida a tudo e a todos, apagando a destruição e os destruidores. Minha mente é rapidamente invadida por "... sic itur ad astra". Alguma coisa a mais acontece, mas não me recordo. Fim do sonho.
Na minha descontrução algumas coisas ficaram muito óbvias. Por que a guerra começou na Orosimbo Maia? Por que F-16 e Harrier? Por que o Peru? Por que Aparecida? Quem eram os três rapazes? Igrejas destruídas? Rio ou Salvador? Fim da guerra pelo restabelecimento completo do anterior? Ad astra. Todas estas questões têm respostas.
Algumas ficaram em aberto, claro. Mas o essencial está aí, esclarecido.
Os acontecimentos dos últimos dois dias (quarta e quinta) me troxeram este sonho ao me colocarem em outro, provavelmente de curta duração, mas sonho.
Acordo pela manhã com um barulho ensurdecedor. Olho pela janela de um prédio que está na Av. Orosimbo Maia: um F-16 cruza o céu. Fico maravilhado com a cena, até que ele despeja bombas sobre algum lugar perto da rodoviária. Aqui acontece o primeiro corte.
Estou já na rua onde pessoas correm pra lá e pra cá. Sei que o João está em um lugar seguro. Quando consigo avistar toda a Glicério, há um Harrier metralhando um prédio, andar por andar. Pergunto a alguém que corre sobre o que está acontecendo e ela me informa da guerra. Contra quem? O Peru. Os aviões brasileiros ainda estão em Aparecida. Fico puto e me pergunto: mas como os aviões peruanos chegaram antes que os brasileiros? Desde quando Peru tem dinheiro pra comprar F-16 e Harrier? Segundo corte.
A situação é deseperadora. Bombardeiros e caças não param de cruzar o espaço. Alguém surge com armas para uma tentativa de abate pelo chão. Pequenas bombas começam a cair presas a pára-quedas amarelos. Corte três.
Estou ao lado de uma enorme catedral gótica e prestes a entrar em um túnel. Parte da lateral da catedral desaba quase sobre mim (ela parece ser feita de areia). Faço parte de um grupo agora. As bombas em pára-quedas conseguem entrar no túnel. Todos nós corremos. Corte quatro.
Entre nós há três peruanos disfarçados que em dado momento tentam nos matar. Não conseguem. Dominamos os rapazes, deixando-os presos em algum lugar. A situação melhora. Aviões brasileiros começam a chegar. Subo em um carro de som e saio andando pelo centro que não é mais o centro de Campinas: Rio ou Salvador. Pessoas mortas pelo chão, igrejas destruídas até a volta à Orosimbo Maia. Corte cinco.
Como é que tudo isso será recuperado? E os infiltrados? E os mortos? Os aviões lançam bombas que logo se transformam em minúsculos raios. Primeiramente negros, organizados, logicamente dispostos. Em um segundo momento se transformam em algo amarelado e começam a trazer vida a tudo e a todos, apagando a destruição e os destruidores. Minha mente é rapidamente invadida por "... sic itur ad astra". Alguma coisa a mais acontece, mas não me recordo. Fim do sonho.
Na minha descontrução algumas coisas ficaram muito óbvias. Por que a guerra começou na Orosimbo Maia? Por que F-16 e Harrier? Por que o Peru? Por que Aparecida? Quem eram os três rapazes? Igrejas destruídas? Rio ou Salvador? Fim da guerra pelo restabelecimento completo do anterior? Ad astra. Todas estas questões têm respostas.
Algumas ficaram em aberto, claro. Mas o essencial está aí, esclarecido.
Os acontecimentos dos últimos dois dias (quarta e quinta) me troxeram este sonho ao me colocarem em outro, provavelmente de curta duração, mas sonho.
27.7.07
Olha o homem aí gente!!!
Às 20h30 de 17 de julho de 1996, um Jumbo da TWA explodiu sobre o Atlântico minutos depois de levantar vôo de Nova York. Todos os 212 passageiros e 18 tripulantes morreram. Nas caóticas horas que se seguiram, as famílias das vítimas que convergiram para o Aeroporto Kennedy reagiam com ira e desespero à falta de notícias sobre a tragédia. Levadas para um salão, viram a porta abrir-se para o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. O que se passou em seguida foi um dos momentos mais fortes dos seus oito anos na Casa Branca. Desacompanhado, ele foi de grupo em grupo, abraçando e confortando as pessoas em voz baixa. Ouviu protestos, cobranças, desabafos. Quando enfim se retirou, o ambiente era apenas de quieta resignação.
Não se pode exigir de chefes de governo convencionais a naturalidade quase sobre-humana com que ele se entrosa com gente do povo, mesmo nos piores momentos, evocando o sentido original do termo grego simpatizar: sentir com. Nas situações de luto coletivo, esse talento dos chefes de governo para a comunhão produz um efeito terapêutico que não se limita aos atingidos mais de perto pelo acontecimento doloroso. Transmite, para toda a sociedade traumatizada, o sinal confortador de que o dirigente maior da nação, além de solidário no sofrimento, é alguém em cujos cuidados se pode confiar. Clinton é um caso à parte, mas agora mesmo outros governantes o imitaram - e não foi pela primeira vez.
Na manhã do último domingo, um ônibus que transportava 50 peregrinos poloneses ao santuário de Notre-Dame de la Salette, perto de Grenoble, a 700 quilômetros de Paris, mergulhou num rio, matando 26 deles. Duas horas depois, ali já se encontravam o primeiro-ministro François Fillon e outros membros do governo francês. Pouco mais tarde, quando chegou ao local, o presidente da Polônia Lech Kaczynski encontrou à sua espera o colega Nicolas Sarkozy. Depois de visitar os sobreviventes hospitalizados, ele anunciou que acompanhará pessoalmente o inquérito sobre o acidente.
Impossível não comparar tais condutas com o sumiço do presidente Lula depois da catástrofe de Congonhas em que morreram 199 pessoas.
Principalmente porque, transmitidas as condolências em rede nacional, após 72 horas de relutância, ele tornou a submergir. Passou o fim de semana trancado na residência oficial e só voltou à tona no programa de rádio das segundas-feiras Café com o Presidente, gravado no seu gabinete. Tornou a dizer, então, o óbvio ululante sobre a impropriedade de se fazer “julgamentos precipitados” sobre a explosão do Airbus da TAM. E, na contramão até do senso comum, considerou “quase irresponsável” que se debatam publicamente as causas da tragédia.
Hoje, o quase emudecido Lula volta à vida normal - à sua maneira, bem entendido. Viaja à noite para o Nordeste, seu reduto por excelência, para um giro por Aracaju, João Pessoa, Natal e Teresina. À época do escândalo do mensalão, o Nordeste era o pouso preferido do presidente. O pretexto, desta vez, é o lançamento de projetos do PAC, o que rende a discurseira para platéias prontas a aplaudir seja lá o que lhes diga o seu ídolo, embora, pelo retrospecto, isso não garanta futuras realizações práticas. O lançamento do PAC na Região Sul, com a presença de Lula nos três Estados da região, estava previsto para a semana passada. Compreensivelmente, foi adiado em razão do desastre da TAM - mas compreensivelmente apenas à luz do seu oportunismo - para depois de 10 de agosto, no regresso de uma viagem ao exterior.
O fato é que, desde a sexta-feira que precedeu a tragédia, quando foi vaiado no Maracanã, o chefe de governo que deixou correr à solta o apagão aéreo, fiel ao princípio de que “a gente faz quando pode, e se não pode deixa como está para ver como é que fica”, parece ter dividido os brasileiros em dois grupos.
De um lado, aqueles junto aos quais procura se reconfortar - certo de que lhe são gratos e não lhe negarão aplausos em quaisquer circunstâncias. De outro, aqueles que, não lhe devendo nada, o aplaudem quando julgam que merece aplausos, mas vaiam quando julgam que merece vaias, como aconteceu na abertura do Pan. Resta saber por quanto tempo Lula evitará as cidades que congregam as parcelas do povo mais críticas do seu desempenho.
Não se pode exigir de chefes de governo convencionais a naturalidade quase sobre-humana com que ele se entrosa com gente do povo, mesmo nos piores momentos, evocando o sentido original do termo grego simpatizar: sentir com. Nas situações de luto coletivo, esse talento dos chefes de governo para a comunhão produz um efeito terapêutico que não se limita aos atingidos mais de perto pelo acontecimento doloroso. Transmite, para toda a sociedade traumatizada, o sinal confortador de que o dirigente maior da nação, além de solidário no sofrimento, é alguém em cujos cuidados se pode confiar. Clinton é um caso à parte, mas agora mesmo outros governantes o imitaram - e não foi pela primeira vez.
Na manhã do último domingo, um ônibus que transportava 50 peregrinos poloneses ao santuário de Notre-Dame de la Salette, perto de Grenoble, a 700 quilômetros de Paris, mergulhou num rio, matando 26 deles. Duas horas depois, ali já se encontravam o primeiro-ministro François Fillon e outros membros do governo francês. Pouco mais tarde, quando chegou ao local, o presidente da Polônia Lech Kaczynski encontrou à sua espera o colega Nicolas Sarkozy. Depois de visitar os sobreviventes hospitalizados, ele anunciou que acompanhará pessoalmente o inquérito sobre o acidente.
Impossível não comparar tais condutas com o sumiço do presidente Lula depois da catástrofe de Congonhas em que morreram 199 pessoas.
Principalmente porque, transmitidas as condolências em rede nacional, após 72 horas de relutância, ele tornou a submergir. Passou o fim de semana trancado na residência oficial e só voltou à tona no programa de rádio das segundas-feiras Café com o Presidente, gravado no seu gabinete. Tornou a dizer, então, o óbvio ululante sobre a impropriedade de se fazer “julgamentos precipitados” sobre a explosão do Airbus da TAM. E, na contramão até do senso comum, considerou “quase irresponsável” que se debatam publicamente as causas da tragédia.
Hoje, o quase emudecido Lula volta à vida normal - à sua maneira, bem entendido. Viaja à noite para o Nordeste, seu reduto por excelência, para um giro por Aracaju, João Pessoa, Natal e Teresina. À época do escândalo do mensalão, o Nordeste era o pouso preferido do presidente. O pretexto, desta vez, é o lançamento de projetos do PAC, o que rende a discurseira para platéias prontas a aplaudir seja lá o que lhes diga o seu ídolo, embora, pelo retrospecto, isso não garanta futuras realizações práticas. O lançamento do PAC na Região Sul, com a presença de Lula nos três Estados da região, estava previsto para a semana passada. Compreensivelmente, foi adiado em razão do desastre da TAM - mas compreensivelmente apenas à luz do seu oportunismo - para depois de 10 de agosto, no regresso de uma viagem ao exterior.
O fato é que, desde a sexta-feira que precedeu a tragédia, quando foi vaiado no Maracanã, o chefe de governo que deixou correr à solta o apagão aéreo, fiel ao princípio de que “a gente faz quando pode, e se não pode deixa como está para ver como é que fica”, parece ter dividido os brasileiros em dois grupos.
De um lado, aqueles junto aos quais procura se reconfortar - certo de que lhe são gratos e não lhe negarão aplausos em quaisquer circunstâncias. De outro, aqueles que, não lhe devendo nada, o aplaudem quando julgam que merece aplausos, mas vaiam quando julgam que merece vaias, como aconteceu na abertura do Pan. Resta saber por quanto tempo Lula evitará as cidades que congregam as parcelas do povo mais críticas do seu desempenho.
24.7.07
fabianescas...
Começar a discutir o relacionamento com uma pessoa com a qual não se tem um relacionamento, criando assim uma tensão desnecessária e quase estragar (ou estragar) tudo.
Quem mais consegueria tal proeza?
Quem mais consegueria tal proeza?
23.7.07
Ainda sem tempo
Bem, como já deu pra perceber, ando sem tempo de escrever por aqui - e é por isso que vocês andam vendo filminhos demais.
Para tentar resolver esta história de uma forma mais apreciável, coloco no blog o curriculum do senhor top top, aquele que deixou o país perplexo na semana passada (o vídeo está no post abaixo).
A reportagem veio do Mídia Sem Máscara.
Marco Aurélio Garcia, conhecido como “MAG”, nos anos 60 e 70 do século passado foi uma liderança do trotskismo internacional. Nos anos de luta armada no Brasil viveu exilado na França e no Chile. Após a Anistia, voltou para o Brasil e foi um dos que colaboraram na fundação do Partido dos Trabalhadores e, em 1990, na condição de Secretário de Relações Internacionais do PT, um dos organizadores e fundadores do Foro de São Paulo, que não passa de uma nova Internacional para a América Latina. É professor licenciado do Departamento de História da Unicamp.
Em dezembro de 2002 – ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso -, por instância do presidente eleito e já na sua condição de futuro assessor internacional do governo Lula, coordenou o envio de uma carga de gasolina para normalizar o abastecimento do mercado interno na Venezuela, seriamente abalado por uma greve coordenada pelas oposições a Hugo Chávez.
Valendo-se de sua cobertura de assessor internacional do presidente Lula mantém conversações com os grupos armados e de oposição a vários governos da América Latina, o que, evidentemente, não poderia ser feito pelos diplomatas do Itamaraty. Esses contatos são feitos em nome do Foro de São Paulo.
Marco Aurélio Garcia agora é o coordenador da candidatura do presidente Lula, substituindo “o bando de aloprados” (frase utilizada por Lula em uma entrevista concedida dia 25 de setembro de 2006 a três rádios populares de São Paulo e do Rio de Janeiro) da sua equipe de coordenação de campanha pegos pela Polícia Federal quando tentavam adquirir, por cerca de 2 milhões de reais, um dossiê fabricado para prejudicar as candidaturas de José Serra e Geraldo Alckmin. Nessa entrevista, Lula, que mais uma vez não sabia de nada, não titubeou em jogar a culpa no presidente do PT, Ricardo Berzoini, que foi quem escolheu e coordenava a tal equipe.
Esta introdução objetivou publicar o artigo abaixo que foi escrito em Caracas por Johan Freitas e publicado originalmente no site do grupo MilitaresDemocraticos.com, da Venezuela.
Finalmente, recorde-se que todas as fontes citadas nas referências do artigo foram solenemente ignoradas pela imprensa nacional.
***
O brasileiro que ganha tempo para Chávez. Seus vínculos terroristas e com Saddam
Johan Freitas, Caracas
“Devemos dar a impressão de ser democratas”, disse Marco Aurélio Garcia, o marxista de linha dura atrás do presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. E acrescenta: “...teremos que aceitar inicialmente algumas práticas. Porém, isso não é para sempre”.
Na semana passada Marco Aurélio Garcia esteve na Venezuela, oferecendo apoio a outro suposto democrata, Hugo Chávez. A greve geral na Venezuela secou os postos de gasolina e estrangulou os automobilistas. Os efeitos da greve ameaçam derrubar Chávez do poder. Porém agora, graças a Marco Aurélio Garcia, o navio “Explorer Amazon” dirige-se ao porto venezuelano carregado de 520.000 barris de gasolina sem chumbo da companhia petroleira brasileira Petrobras.
A que se devem sua presença e sua ajuda? Por que o Brasil intervém para desmontar uma greve de caráter eminentemente interno? Por que Lula deseja que Chávez se mantenha no poder? Podemos vislumbrar as chaves a estas perguntas observando detidamente Marco Aurélio Garcia, o homem por trás do plano.
“A democracia não é mais do que uma farsa para alcançar o poder”
Em uma entrevista ao tablóide francês “Le Monde”, o presidente eleito do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, repete as palavras aprendidas com Marco Aurélio Garcia quando descreve as eleições democráticas como uma farsa, que é simplesmente um passo necessário para alcançar o poder.
Para Marco Aurélio Garcia, estas palavras não são só uma teoria. Ele as viveu pessoalmente no período de 1969 a 1973, quando era um ativista político estrangeiro no Chile durante o regime de Salvador Allende. [3]. Allende foi eleito democraticamente porém, uma vez que alcançou o poder, usou o governo para fechar jornais e controlar com mão de ferro os partidos de oposição. Em um conhecido escândalo público, uma grande quantidade de armamento cubano foi encontrada em sua residência, enviados por Castro para armar as milícias civis, com o objetivo de “defender a Revolução Socialista no Chile”. As ações do brasileiro foram fundamentais para esta ação. Este foi o primeiro contato de Marco Aurélio Garcia com as operações cubanas no exterior.
Em 1980, Marco Aurélio Garcia fundou junto com Lula da Silva o “Partido dos Trabalhadores” (PT). Desde então, tem sido seu assessor para assuntos exteriores.
Voltemos a 1990. Enaltecido por Castro, que a estas alturas havia orquestrado incursões militares em mais de 30 países, Marco Aurélio Garcia convoca uma reunião de todos os grupos de esquerda da América Latina e do Caribe. Atendem ao chamado os representantes de 48 partidos comunistas e grupos terroristas. Esta reunião converte-se no “Foro de São Paulo”, com Marco Aurélio Garcia à sua cabeça – um título que ainda conserva no presente, doze anos mais tarde.
O Foro de São Paulo apóia o terrorismo
Atuando como o líder do Foro de São Paulo, Garcia controla e coordena as atividades subversivas e extremistas que se sucedem desde o Rio Grande até a Patagônia, Argentina. Vários dos membros do Foro de São Paulo são terroristas, alguns dos quais estão na lista dos mais procurados pelo FBI. Isto não é uma coincidência. O Foro de São Paulo, sob os auspícios de seu Secretário Executivo Marco Aurélio Garcia, estabeleceu como política o apoio a grupos terroristas. Considere esta entrevista tomada no X Congresso, levado a cabo em 7 de dezembro de 2001 em Havana, Cuba, na qual ele se refere aos grupos terroristas colombianos “Exército de Libertação Nacional” (ELN) e as “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (FARC): “9. Ratificamos a legitimidade, justiça e necessidade da luta das organizações colombianas e nossa solidariedade com elas”.
O novo eixo do terrorismo inicia-se em Cuba, passando pela Colômbia, é financiado pelos milhares de milhões de dólares do petróleo venezuelano e finaliza na superpotência brasileira.
De acordo com as política ditadas por Havana, o líder do Foro de São Paulo, Marco Aurélio Gracia, expressou um especial interesse pelo terrorista Manuel Marulanda Vélez, codinome “Tirofijo”, o líder das FARC. A cada ano, desde 1990, Garcia se auto-impôs como uma prioridade realizar encontros pessoais com enviados das FARC. Estes encontros foram realizados não só em solo cubano – sempre com a presença de Fidel Castro – mas também no México, para onde Marco Aurélio Garcia viajou, a fim de reunir-se em 5 de dezembro de 2000 com Marco León Calara, membro das FARC. Os temas tratados nesses encontros mantêm-se sob um manto de sigilo. Entretanto, cada vez que se reunem, as FARC incrementam seus ataques com um altíssimo custo de vidas humanas.
A lista das FARC e do ELN
Chávez tem apoiado ativamente os membros das FARC e do ELN fornecendo cédulas de identidade falsas, armamento, munições e lugares seguros para a retirada das tropas em ordem. Também recebem apoio de Cuba, onde os líderes destes grupos terroristas descansam e as tropas são treinadas. Inúmeras denúncias muito bem documentadas do presidente e vice-presidente de CAVIM, de diretores da ONIDEX, de efetivos da DIM e da DISIP chegaram ao conheciento público nos meses passados e sustentam estas asseverações. Desta maneira, Chávez se assegura de contar com guerrilhas armadas que serão usadas para debilitar a democracia venezuelana e forçar seu regresso ao poder.
O que o futuro proporciona ao Brasil e à região
Sob Marco Aurélio Garcia, a política exterior do Brasil será manejada desde Havana. A diplomacia do Brasil a cargo de Garcia trabalhará ativamente contra as políticas que os Estados Unidos auspiciam na região, que se iniciarão com seu apoio a Fidel Castro: “cuidaremos de eliminar o bloqueio a Cuba”.
Marco Aurélio Garcia descreve seu partido político, o PT, como “radical, de esquerda, socialista”. Porém, Garcia é mais que um radical e mais de extrema esquerda que um socialista: é de fato um comunista de linha dura que quer reviver o comunismo no mundo. No artigo que escreveu sobre o “Manifesto Comunista”, de Karl Marx, ele conclui que “A agenda é clara. Se o horizonte que buscamos é o comunismo, é hora de reconstrui-lo”.
Marco Aurélio Garcia trabalha muito próximo com outros políticos de tendência marxista ao redor do mundo e aparece em antologias que são lidas como um “quem é quem” dos que apóiam o terrorismo internacional: de Cuba, Mário Machado e Marta Harnecker; da China, YunLin Nie, autor de “O Manifesto Comunista e o Socialismo com características chinesas”; Pham Nhu Cuong representa o Vietnã; e Mohamed Latifi é o contato iraniano. Também colaboram outros extremistas de países democráticos como Seppo Ruotsalainen da Finlândia (autor de “O Processo e o Manifesto Revolucionário”), Allan Woods da Inglaterra (“O Manifesto Comunista Hoje”) e Pierre Zarka da França (“O Manifesto do Partido Comunista”). Todos eles compartilham um profundo e intenso ódio contra os Estados Unidos e a sociedade ocidental.
Para tentar resolver esta história de uma forma mais apreciável, coloco no blog o curriculum do senhor top top, aquele que deixou o país perplexo na semana passada (o vídeo está no post abaixo).
A reportagem veio do Mídia Sem Máscara.
Marco Aurélio Garcia, conhecido como “MAG”, nos anos 60 e 70 do século passado foi uma liderança do trotskismo internacional. Nos anos de luta armada no Brasil viveu exilado na França e no Chile. Após a Anistia, voltou para o Brasil e foi um dos que colaboraram na fundação do Partido dos Trabalhadores e, em 1990, na condição de Secretário de Relações Internacionais do PT, um dos organizadores e fundadores do Foro de São Paulo, que não passa de uma nova Internacional para a América Latina. É professor licenciado do Departamento de História da Unicamp.
Em dezembro de 2002 – ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso -, por instância do presidente eleito e já na sua condição de futuro assessor internacional do governo Lula, coordenou o envio de uma carga de gasolina para normalizar o abastecimento do mercado interno na Venezuela, seriamente abalado por uma greve coordenada pelas oposições a Hugo Chávez.
Valendo-se de sua cobertura de assessor internacional do presidente Lula mantém conversações com os grupos armados e de oposição a vários governos da América Latina, o que, evidentemente, não poderia ser feito pelos diplomatas do Itamaraty. Esses contatos são feitos em nome do Foro de São Paulo.
Marco Aurélio Garcia agora é o coordenador da candidatura do presidente Lula, substituindo “o bando de aloprados” (frase utilizada por Lula em uma entrevista concedida dia 25 de setembro de 2006 a três rádios populares de São Paulo e do Rio de Janeiro) da sua equipe de coordenação de campanha pegos pela Polícia Federal quando tentavam adquirir, por cerca de 2 milhões de reais, um dossiê fabricado para prejudicar as candidaturas de José Serra e Geraldo Alckmin. Nessa entrevista, Lula, que mais uma vez não sabia de nada, não titubeou em jogar a culpa no presidente do PT, Ricardo Berzoini, que foi quem escolheu e coordenava a tal equipe.
Esta introdução objetivou publicar o artigo abaixo que foi escrito em Caracas por Johan Freitas e publicado originalmente no site do grupo MilitaresDemocraticos.com, da Venezuela.
Finalmente, recorde-se que todas as fontes citadas nas referências do artigo foram solenemente ignoradas pela imprensa nacional.
***
O brasileiro que ganha tempo para Chávez. Seus vínculos terroristas e com Saddam
Johan Freitas, Caracas
“Devemos dar a impressão de ser democratas”, disse Marco Aurélio Garcia, o marxista de linha dura atrás do presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. E acrescenta: “...teremos que aceitar inicialmente algumas práticas. Porém, isso não é para sempre”.
Na semana passada Marco Aurélio Garcia esteve na Venezuela, oferecendo apoio a outro suposto democrata, Hugo Chávez. A greve geral na Venezuela secou os postos de gasolina e estrangulou os automobilistas. Os efeitos da greve ameaçam derrubar Chávez do poder. Porém agora, graças a Marco Aurélio Garcia, o navio “Explorer Amazon” dirige-se ao porto venezuelano carregado de 520.000 barris de gasolina sem chumbo da companhia petroleira brasileira Petrobras.
A que se devem sua presença e sua ajuda? Por que o Brasil intervém para desmontar uma greve de caráter eminentemente interno? Por que Lula deseja que Chávez se mantenha no poder? Podemos vislumbrar as chaves a estas perguntas observando detidamente Marco Aurélio Garcia, o homem por trás do plano.
“A democracia não é mais do que uma farsa para alcançar o poder”
Em uma entrevista ao tablóide francês “Le Monde”, o presidente eleito do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, repete as palavras aprendidas com Marco Aurélio Garcia quando descreve as eleições democráticas como uma farsa, que é simplesmente um passo necessário para alcançar o poder.
Para Marco Aurélio Garcia, estas palavras não são só uma teoria. Ele as viveu pessoalmente no período de 1969 a 1973, quando era um ativista político estrangeiro no Chile durante o regime de Salvador Allende. [3]. Allende foi eleito democraticamente porém, uma vez que alcançou o poder, usou o governo para fechar jornais e controlar com mão de ferro os partidos de oposição. Em um conhecido escândalo público, uma grande quantidade de armamento cubano foi encontrada em sua residência, enviados por Castro para armar as milícias civis, com o objetivo de “defender a Revolução Socialista no Chile”. As ações do brasileiro foram fundamentais para esta ação. Este foi o primeiro contato de Marco Aurélio Garcia com as operações cubanas no exterior.
Em 1980, Marco Aurélio Garcia fundou junto com Lula da Silva o “Partido dos Trabalhadores” (PT). Desde então, tem sido seu assessor para assuntos exteriores.
Voltemos a 1990. Enaltecido por Castro, que a estas alturas havia orquestrado incursões militares em mais de 30 países, Marco Aurélio Garcia convoca uma reunião de todos os grupos de esquerda da América Latina e do Caribe. Atendem ao chamado os representantes de 48 partidos comunistas e grupos terroristas. Esta reunião converte-se no “Foro de São Paulo”, com Marco Aurélio Garcia à sua cabeça – um título que ainda conserva no presente, doze anos mais tarde.
O Foro de São Paulo apóia o terrorismo
Atuando como o líder do Foro de São Paulo, Garcia controla e coordena as atividades subversivas e extremistas que se sucedem desde o Rio Grande até a Patagônia, Argentina. Vários dos membros do Foro de São Paulo são terroristas, alguns dos quais estão na lista dos mais procurados pelo FBI. Isto não é uma coincidência. O Foro de São Paulo, sob os auspícios de seu Secretário Executivo Marco Aurélio Garcia, estabeleceu como política o apoio a grupos terroristas. Considere esta entrevista tomada no X Congresso, levado a cabo em 7 de dezembro de 2001 em Havana, Cuba, na qual ele se refere aos grupos terroristas colombianos “Exército de Libertação Nacional” (ELN) e as “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (FARC): “9. Ratificamos a legitimidade, justiça e necessidade da luta das organizações colombianas e nossa solidariedade com elas”.
O novo eixo do terrorismo inicia-se em Cuba, passando pela Colômbia, é financiado pelos milhares de milhões de dólares do petróleo venezuelano e finaliza na superpotência brasileira.
De acordo com as política ditadas por Havana, o líder do Foro de São Paulo, Marco Aurélio Gracia, expressou um especial interesse pelo terrorista Manuel Marulanda Vélez, codinome “Tirofijo”, o líder das FARC. A cada ano, desde 1990, Garcia se auto-impôs como uma prioridade realizar encontros pessoais com enviados das FARC. Estes encontros foram realizados não só em solo cubano – sempre com a presença de Fidel Castro – mas também no México, para onde Marco Aurélio Garcia viajou, a fim de reunir-se em 5 de dezembro de 2000 com Marco León Calara, membro das FARC. Os temas tratados nesses encontros mantêm-se sob um manto de sigilo. Entretanto, cada vez que se reunem, as FARC incrementam seus ataques com um altíssimo custo de vidas humanas.
A lista das FARC e do ELN
Chávez tem apoiado ativamente os membros das FARC e do ELN fornecendo cédulas de identidade falsas, armamento, munições e lugares seguros para a retirada das tropas em ordem. Também recebem apoio de Cuba, onde os líderes destes grupos terroristas descansam e as tropas são treinadas. Inúmeras denúncias muito bem documentadas do presidente e vice-presidente de CAVIM, de diretores da ONIDEX, de efetivos da DIM e da DISIP chegaram ao conheciento público nos meses passados e sustentam estas asseverações. Desta maneira, Chávez se assegura de contar com guerrilhas armadas que serão usadas para debilitar a democracia venezuelana e forçar seu regresso ao poder.
O que o futuro proporciona ao Brasil e à região
Sob Marco Aurélio Garcia, a política exterior do Brasil será manejada desde Havana. A diplomacia do Brasil a cargo de Garcia trabalhará ativamente contra as políticas que os Estados Unidos auspiciam na região, que se iniciarão com seu apoio a Fidel Castro: “cuidaremos de eliminar o bloqueio a Cuba”.
Marco Aurélio Garcia descreve seu partido político, o PT, como “radical, de esquerda, socialista”. Porém, Garcia é mais que um radical e mais de extrema esquerda que um socialista: é de fato um comunista de linha dura que quer reviver o comunismo no mundo. No artigo que escreveu sobre o “Manifesto Comunista”, de Karl Marx, ele conclui que “A agenda é clara. Se o horizonte que buscamos é o comunismo, é hora de reconstrui-lo”.
Marco Aurélio Garcia trabalha muito próximo com outros políticos de tendência marxista ao redor do mundo e aparece em antologias que são lidas como um “quem é quem” dos que apóiam o terrorismo internacional: de Cuba, Mário Machado e Marta Harnecker; da China, YunLin Nie, autor de “O Manifesto Comunista e o Socialismo com características chinesas”; Pham Nhu Cuong representa o Vietnã; e Mohamed Latifi é o contato iraniano. Também colaboram outros extremistas de países democráticos como Seppo Ruotsalainen da Finlândia (autor de “O Processo e o Manifesto Revolucionário”), Allan Woods da Inglaterra (“O Manifesto Comunista Hoje”) e Pierre Zarka da França (“O Manifesto do Partido Comunista”). Todos eles compartilham um profundo e intenso ódio contra os Estados Unidos e a sociedade ocidental.
20.7.07
Jornal da Globo - Reação de Marco Aurélio Garcia
Este é o tipo de gente com a qual lidamos. É a moral reinante e aprovada.
Eu me senti enojado. Alguém por aí também quer arrumar desculpas?
18.7.07
16.7.07
Heroes and Villains
O que é que se pode dizer?
Lugar comum: quem foi rei, ...
Impressionante Mr. Brian Wilson.
11.7.07
Nóis é nóis
Há algumas semanas, no meio de uma conversa via chat com uma professora de Geografia (se não me engano), fui dizer o óbvio sobre as greves e paralizações das universidades paulistas, ou seja: a) que a questão era puramente política e b) que os pobrezinhos eram massa de manobra dos partidos de esquerda (PT, PC do B, PSTU e adjacências).
A garota não concordava com minha colocação acreditando ser aquilo algo sem fundamento. Questionou-me sem dúvidas: onde você leu isso? Que tipo de coisas você lê? Resposta da questão 1: ora, todo mundo havia noticiado. Até o Correio Popular se atreveu a escrever cerca de 3 matérias sobre o assunto, indicando de quais partidos vinham as novas lideranças estudantis e o enfraquecimento da UNE, que segundo os revoltadinhos do Sucrilhos, tinha perdido a força de ação por estar mancomunada com o governo Lula.
É claro que eu poderia ter dito que conhecia muito bem a coisa porque havia estudado no antro dos cabelos rebeldes. Que sabia muito bem como tudo se configurava dentro dos Centros Acadêmicos, com seus estudantes-políticos profissionais que foram meus veteranos (não de curso, mas de Instituto) e ainda estão lá, de boina e camiseta vermelha, querendo fazer a revolução.
A resposta à questão 2 pode ser dada de duas maneiras: a) quais autores leio ou quais jornais ou revistas leio. Bem, sobre os autores, quem me conhece sabe: leio essencialmente Hobbes, Nietzsche e Freud. Isto tem um motivo sim, e que J.S Mill resumiu assim em seu Sistema de Lógica: "Os seres humanos na sociedade não têm propriedades senão as derivadas das leis da natureza do homem individual, e que se podem realizar em termos destas". Isto quer dizer que para falar sobre política e sociedade é necessário antes dizer sobre qual é o homem que compõe estas instituições. O que vem fora disso não me interessa. É claro que leio e li dezenas de autores. Que leio quase tudo que cai em minhas mãos. E adiantando as coisas, fiz duas matérias sobre Marx na faculdade: 8 e 10. Média 9. Aposto com quem quizer que 99% da galera vermelha não chega aos 5.
Passemos agora para segunda possibilidade de resposta: leio de tudo - jornal de bairro, encarte de geladeira, bula de remédio. Mas pensando melhor na questão da garota lembrei-me de uma comunidade do Orkut onde se vê: Leu na Veja, azar o seu. A imagem que acompanha o texto é a de um burro lendo Veja. E aí eu me pergunto: por que tanto ódio?
Alguém aí sabe me dizer qual foi a revista que publicou a reportagem na qual o irmão Pedro denunciava Collor? Ah, a Veja. E aí a Veja era de esquerda ou de direita? Hein? Outra pergunta: qual foi a revista que melhor cobriu os casos absurdos do mensalão e trouxe à tona os desmandos de Palloci, de Dirceu, de Gushiken? Hein? Algum dos descortinados amigos do presidente conseguiu se defender? Aqui a Veja era de direita ou esquerda? A melhor resposta para a pergunta: nem um nem outro, ora. A questão é que os "nossos" ladrões são boas pessoas e não se pode falar mal deles.
Quero deixar bem claro que não defendo Veja aqui. Que interesse teria? Não sou dono, não sou funcionário. Mas é necessário um pouco de perspectiva histórica e lógica, coisa na qual somos péssimos. Querem ver? Olha só a Caros Amigos:
Agora, que estamos sendo demitidos em massa, o que acontecerá com esses alunos? O Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley já chegou e não foi necessário o uso da genética. Bastaram algumas gestões do PSDB para que uma geração inteira de jovens se transforme em profissionais-gama com diplomas de terceira categoria. Assim, os ricos continuarão cada vez mais ricos e os pobres agora têm sua ignorância reconhecida e sustentada por diplomas universitários assinados e reconhecidos pelo MEC.
Este texto diz respeito à dispensa por conta das faculdades particulares de mestres e doutores. Do ensino de baixa qualidade que elas oferecem. Do futuro dos alunos que estudam nestes lugares. Vamos analisar o texto: bastaram algumas gestões do PSDB para que uma geração inteira de jovens... com diploma de terceira categoria.
Agora vamos colocar os olhos para fora e pensar: foi mesmo o PSDB que fez isso? O verdadeiro culpado? O PT governa há quase dois mandatos e o que foi feito? Nada? Claro que não: foi criado o PROUNI. E o que faz o PROUNI? Financia estas faculdades, paga-lhes prestações para que o ensino criticado (com razão) se mantenha e venha a florescer ainda mais. E então cara pálida?
Na mesma edição Ricardo Antunes diz que a Venezuela é a maior democracia da América Latina, e há ainda uma entrevista imperdível com o neto do Trótski. Preciso comentar? Ah, e sabem quem escreve o último artigo da revista: Emir Sader. (por favor, sem risos)
Mas eu leio assim mesmo: leio Caros Amigos, Carta Capital, Veja, Caras, Super-Interessante, Folha, Estadão, Correio, frasco de desodorante, pote de margarina, embalagem de bolacha...
P.S - A melhor revista brasileira sobre as questões políticas e sociais foi a Primeira Leitura, que fechou por falta de patrocínio.
___________________________________________________
Somos pouco lógicos e não queremos saber de história, mas somos tão criativos que inventamos o cheque pré-datado, uma UNE que não é presidida por um estudante e as ONGG´s, Organizações Não-Governamentais Governamentais.
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Estava me lembrando do caso Collor e das questões que permearam o afastamento: quem pagou a reforma na casa da Dinda? Quem comprou o FIAT Elba?
Mal sabíamos o que viria. E olha que engraçado: o Collor foi afastado e o Lula não.
Isto gera uma enquete:
Quando fomos mais jecas?
( ) Naquela época?
( ) Agora?
Dê sua opinião.
A garota não concordava com minha colocação acreditando ser aquilo algo sem fundamento. Questionou-me sem dúvidas: onde você leu isso? Que tipo de coisas você lê? Resposta da questão 1: ora, todo mundo havia noticiado. Até o Correio Popular se atreveu a escrever cerca de 3 matérias sobre o assunto, indicando de quais partidos vinham as novas lideranças estudantis e o enfraquecimento da UNE, que segundo os revoltadinhos do Sucrilhos, tinha perdido a força de ação por estar mancomunada com o governo Lula.
É claro que eu poderia ter dito que conhecia muito bem a coisa porque havia estudado no antro dos cabelos rebeldes. Que sabia muito bem como tudo se configurava dentro dos Centros Acadêmicos, com seus estudantes-políticos profissionais que foram meus veteranos (não de curso, mas de Instituto) e ainda estão lá, de boina e camiseta vermelha, querendo fazer a revolução.
A resposta à questão 2 pode ser dada de duas maneiras: a) quais autores leio ou quais jornais ou revistas leio. Bem, sobre os autores, quem me conhece sabe: leio essencialmente Hobbes, Nietzsche e Freud. Isto tem um motivo sim, e que J.S Mill resumiu assim em seu Sistema de Lógica: "Os seres humanos na sociedade não têm propriedades senão as derivadas das leis da natureza do homem individual, e que se podem realizar em termos destas". Isto quer dizer que para falar sobre política e sociedade é necessário antes dizer sobre qual é o homem que compõe estas instituições. O que vem fora disso não me interessa. É claro que leio e li dezenas de autores. Que leio quase tudo que cai em minhas mãos. E adiantando as coisas, fiz duas matérias sobre Marx na faculdade: 8 e 10. Média 9. Aposto com quem quizer que 99% da galera vermelha não chega aos 5.
Passemos agora para segunda possibilidade de resposta: leio de tudo - jornal de bairro, encarte de geladeira, bula de remédio. Mas pensando melhor na questão da garota lembrei-me de uma comunidade do Orkut onde se vê: Leu na Veja, azar o seu. A imagem que acompanha o texto é a de um burro lendo Veja. E aí eu me pergunto: por que tanto ódio?
Alguém aí sabe me dizer qual foi a revista que publicou a reportagem na qual o irmão Pedro denunciava Collor? Ah, a Veja. E aí a Veja era de esquerda ou de direita? Hein? Outra pergunta: qual foi a revista que melhor cobriu os casos absurdos do mensalão e trouxe à tona os desmandos de Palloci, de Dirceu, de Gushiken? Hein? Algum dos descortinados amigos do presidente conseguiu se defender? Aqui a Veja era de direita ou esquerda? A melhor resposta para a pergunta: nem um nem outro, ora. A questão é que os "nossos" ladrões são boas pessoas e não se pode falar mal deles.
Quero deixar bem claro que não defendo Veja aqui. Que interesse teria? Não sou dono, não sou funcionário. Mas é necessário um pouco de perspectiva histórica e lógica, coisa na qual somos péssimos. Querem ver? Olha só a Caros Amigos:
Agora, que estamos sendo demitidos em massa, o que acontecerá com esses alunos? O Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley já chegou e não foi necessário o uso da genética. Bastaram algumas gestões do PSDB para que uma geração inteira de jovens se transforme em profissionais-gama com diplomas de terceira categoria. Assim, os ricos continuarão cada vez mais ricos e os pobres agora têm sua ignorância reconhecida e sustentada por diplomas universitários assinados e reconhecidos pelo MEC.
Este texto diz respeito à dispensa por conta das faculdades particulares de mestres e doutores. Do ensino de baixa qualidade que elas oferecem. Do futuro dos alunos que estudam nestes lugares. Vamos analisar o texto: bastaram algumas gestões do PSDB para que uma geração inteira de jovens... com diploma de terceira categoria.
Agora vamos colocar os olhos para fora e pensar: foi mesmo o PSDB que fez isso? O verdadeiro culpado? O PT governa há quase dois mandatos e o que foi feito? Nada? Claro que não: foi criado o PROUNI. E o que faz o PROUNI? Financia estas faculdades, paga-lhes prestações para que o ensino criticado (com razão) se mantenha e venha a florescer ainda mais. E então cara pálida?
Na mesma edição Ricardo Antunes diz que a Venezuela é a maior democracia da América Latina, e há ainda uma entrevista imperdível com o neto do Trótski. Preciso comentar? Ah, e sabem quem escreve o último artigo da revista: Emir Sader. (por favor, sem risos)
Mas eu leio assim mesmo: leio Caros Amigos, Carta Capital, Veja, Caras, Super-Interessante, Folha, Estadão, Correio, frasco de desodorante, pote de margarina, embalagem de bolacha...
P.S - A melhor revista brasileira sobre as questões políticas e sociais foi a Primeira Leitura, que fechou por falta de patrocínio.
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Somos pouco lógicos e não queremos saber de história, mas somos tão criativos que inventamos o cheque pré-datado, uma UNE que não é presidida por um estudante e as ONGG´s, Organizações Não-Governamentais Governamentais.
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Estava me lembrando do caso Collor e das questões que permearam o afastamento: quem pagou a reforma na casa da Dinda? Quem comprou o FIAT Elba?
Mal sabíamos o que viria. E olha que engraçado: o Collor foi afastado e o Lula não.
Isto gera uma enquete:
Quando fomos mais jecas?
( ) Naquela época?
( ) Agora?
Dê sua opinião.
4.7.07
Então, né...
A gente fala, fala, e depois é chamado de chato, de reacionário, de direita conservadora e coisa e tal. Podem me chamar do que quiserem, menos de anti-ético ou burro. Isso aí embaixo é só a pontinha do iceberg da galera ixperta salvadora de vidas. Eles sempre me comoveram tanto...
Curso fantasma desvia verba do MEC em São Paulo
São Paulo - Parte dos milhões de reais destinados ao programa de alfabetização de jovens e adultos mantido pelo Ministério de Educação tem ido pelo ralo. Apenas no primeiro semestre deste ano, o ministério liberou cerca de R$ 20 milhões para entidades que têm sede na capital paulista e são responsáveis por executar o Programa Brasil Alfabetizado, mas admite que não sabe o que é feito do dinheiro.
A proposta de erradicar o analfabetismo esbarra em um esquema de desvio de verba que envolve organizações não-governamentais credenciadas pelo MEC. Durante mais de um mês, o Jornal da Tarde analisou as contas do ministério e procurou 130 das 241 turmas montadas pelo Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo - uma dessas ONGs, com sede em Guaianases, zona leste de São Paulo. Pelo menos 65 delas são fantasmas. Há, ainda, professores que não receberam salários, educadores contratados para alfabetizar em três lugares ao mesmo tempo e duplicidade de turmas.
As ONGs são pagas para alfabetizar pessoas de 15 anos em diante. Na capital paulista, 12 entidades foram cadastradas - 11 já receberam verbas para cumprir aquela que seria uma das mais importantes metas do ministério: acabar com o analfabetismo. Em São Paulo, parte dos 68 mil alfabetizadores cadastrados atua desde o início do ano. Mas, terminado o primeiro semestre, centenas deles não viram um centavo da verba liberada.
Para ser cadastrada, a ONG precisa ter o seu projeto aprovado pelo MEC. O Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo recebeu sinal verde em 2006.
A ONG paulista ganhou R$ 632.887,20 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para alfabetizar 5.709 pessoas, com 146 alfabetizadores. A verba foi depositada em 3 de abril. Só pelo grupo de 65 turmas fantasmas, a entidade recebeu pelo menos R$ 98.800,00 e deixou de alfabetizar um mínimo de 650 alunos. Até sexta-feira, grande parte dos educadores não tinha recebido salário.
Curso fantasma desvia verba do MEC em São Paulo
São Paulo - Parte dos milhões de reais destinados ao programa de alfabetização de jovens e adultos mantido pelo Ministério de Educação tem ido pelo ralo. Apenas no primeiro semestre deste ano, o ministério liberou cerca de R$ 20 milhões para entidades que têm sede na capital paulista e são responsáveis por executar o Programa Brasil Alfabetizado, mas admite que não sabe o que é feito do dinheiro.
A proposta de erradicar o analfabetismo esbarra em um esquema de desvio de verba que envolve organizações não-governamentais credenciadas pelo MEC. Durante mais de um mês, o Jornal da Tarde analisou as contas do ministério e procurou 130 das 241 turmas montadas pelo Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo - uma dessas ONGs, com sede em Guaianases, zona leste de São Paulo. Pelo menos 65 delas são fantasmas. Há, ainda, professores que não receberam salários, educadores contratados para alfabetizar em três lugares ao mesmo tempo e duplicidade de turmas.
As ONGs são pagas para alfabetizar pessoas de 15 anos em diante. Na capital paulista, 12 entidades foram cadastradas - 11 já receberam verbas para cumprir aquela que seria uma das mais importantes metas do ministério: acabar com o analfabetismo. Em São Paulo, parte dos 68 mil alfabetizadores cadastrados atua desde o início do ano. Mas, terminado o primeiro semestre, centenas deles não viram um centavo da verba liberada.
Para ser cadastrada, a ONG precisa ter o seu projeto aprovado pelo MEC. O Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo recebeu sinal verde em 2006.
A ONG paulista ganhou R$ 632.887,20 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para alfabetizar 5.709 pessoas, com 146 alfabetizadores. A verba foi depositada em 3 de abril. Só pelo grupo de 65 turmas fantasmas, a entidade recebeu pelo menos R$ 98.800,00 e deixou de alfabetizar um mínimo de 650 alunos. Até sexta-feira, grande parte dos educadores não tinha recebido salário.
24.6.07
Sobre a música abaixo...
Bem, a situação é a seguinte: sim, eu assisto Paraíso Tropical.
Dentro do possível, não perco um capítulo. E uma das coisas que mais me chama a atenção na novela é a sua trilha sonora. Voltarei a falar dela por aqui.
O fato é que essa música aí embaixo é uma das minhas preferidas, e há uma versão dela na novela que é cantada e que eu nunca tinha ouvido. Conhecia duas versões: uma do Santana, onde na verdade ela não é tocada inteira mas faz parte do solo de Samba pa Ti, e a outra do George Benson, feita toda, mas sem vocais.
E como o Youtube realiza quase todos os seus sonhos, encontrei esta versão na qual os dois tocam Breezin' juntos. Chatinho, chatinho.
Troquei a seriedade pela brincadeira. Se tiver paciência, falo sobre o poema, que já fala demais por si.
Dentro do possível, não perco um capítulo. E uma das coisas que mais me chama a atenção na novela é a sua trilha sonora. Voltarei a falar dela por aqui.
O fato é que essa música aí embaixo é uma das minhas preferidas, e há uma versão dela na novela que é cantada e que eu nunca tinha ouvido. Conhecia duas versões: uma do Santana, onde na verdade ela não é tocada inteira mas faz parte do solo de Samba pa Ti, e a outra do George Benson, feita toda, mas sem vocais.
E como o Youtube realiza quase todos os seus sonhos, encontrei esta versão na qual os dois tocam Breezin' juntos. Chatinho, chatinho.
Troquei a seriedade pela brincadeira. Se tiver paciência, falo sobre o poema, que já fala demais por si.
23.6.07
11.6.07
3.6.07
USP 1
A USP não está em greve. Os alunos querem aula. Estão parados os de sempre, os estudantes profissionais. Vejam o caso da FEA, por exemplo. Quem estuda ali quer ser economista ou administrador, e não especialista na revolução que nunca haverá. Mais: está empenhado em ter uma boa formação — também em ser analista crítico do país, sem dúvida (há até professores que ainda são marxistas, imaginem só...) —, mas pretende se livrar logo da canga paterna (alguns já livres) para ganhar a vida; quer ser dono do próprio nariz e senhor do próprio destino. A FEA fez assembléia e decidiu: as aulas continuam.
Já os adolescentes retardados que vivem pendurados nas tetas da família, de algum partido ou ONG (muitos desses adolescentes já poderiam ter direitos garantidos pelo Estatuto do Idoso), bem, estes só pensam na greve. Eles querem nos fazer crer que se trata de um problema político, mas é mentira, como sempre. A questão é psicanalítica. Falta o quê? Limite familiar, puxão de orelha, autoridade. É por isso que qualquer analista logo identificaria o que querem narcisistas: polícia. Sua invasão é um grito de socorro: “Alguém nos reprima, pelo amor de Deus, já que nossas famílias não conseguiram cumprir a contento a tarefa”. Querem um pai para chamar de seu, mesmo que esse pai seja eu, hehe. Huuummm. Não tenho vocação para lidar com preguiçosos arrogantes. Falta-lhes é um chute no traseiro (metafórico, é claro...). Se, um dia, meus filhos invadirem prédio público num regime democrático, não terão meu apoio. Levarão é um puxão de orelha.
A esperança da greve era a tropa de choque do Sintusp, um sindicato que não consegue passar pela maioria dos dispositivos do artigo 5º da Constituição Federal. É aquele cujo caput diz o seguinte: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”. É o fascismo disfarçado de socialismo; é o diabo disfarçado de capeta. Nem a paralisação dos funcionários — que estão submetidos a métodos violentos, constrangedores — é integral.
Alô, alunos da USP: hora de resistir. Estão em confronto dois modelos de universidade:
1) o de São Paulo, em que vigora a autonomia universitária;
2) o de Lula, do PT e das esquerdas, que entrega o terceiro grau para as mantenedoras privadas, amigas do poder, que são alimentadas com o leite de pata do dinheiro público do ProUni, sem precisar oferecer nem mesmo qualidade.
Que fique claro: eu sou crítico da gratuidade. Acho que é preciso cobrar de quem pode pagar. E quem não pode deveria estar obrigado a alguma forma de ressarcimento social pelo bem que recebe do conjunto dos paulistas. Mas este sou eu. Serra não quer nem ouvir falar em cobrar mensalidades das três universidades estaduais. Ele disse que a estrutura que seria criada para distinguir os que podem ou não apagar acabaria sendo cara, ineficiente e contraproducente. E há também o princípio: ele é favorável ao ensino universitário público e gratuito.
Mesmo sendo crítico do modelo paulista, é óbvio que eu o considero melhor do que o modelo lulista. Ou, por acaso, nos quatro anos e meio de governo Lula, as universidades federais e as privadas (ops!) que o PT financia conseguiram competir com USP, Unicamp e Unesp? E vejam que coisa: por lá, a extrema esquerda não promove baderna, não é? Ela vem fazer bagunça justamente no modelo que funciona melhor, embora muito longe do ideal.
Resistam, uspianos! Defender a greve é dar um tiro no próprio pé. Os paulistas desdentados podem começar a achar que não vale a pena sustentá-los.
Depois eu falo da UNICAMP.
Já os adolescentes retardados que vivem pendurados nas tetas da família, de algum partido ou ONG (muitos desses adolescentes já poderiam ter direitos garantidos pelo Estatuto do Idoso), bem, estes só pensam na greve. Eles querem nos fazer crer que se trata de um problema político, mas é mentira, como sempre. A questão é psicanalítica. Falta o quê? Limite familiar, puxão de orelha, autoridade. É por isso que qualquer analista logo identificaria o que querem narcisistas: polícia. Sua invasão é um grito de socorro: “Alguém nos reprima, pelo amor de Deus, já que nossas famílias não conseguiram cumprir a contento a tarefa”. Querem um pai para chamar de seu, mesmo que esse pai seja eu, hehe. Huuummm. Não tenho vocação para lidar com preguiçosos arrogantes. Falta-lhes é um chute no traseiro (metafórico, é claro...). Se, um dia, meus filhos invadirem prédio público num regime democrático, não terão meu apoio. Levarão é um puxão de orelha.
A esperança da greve era a tropa de choque do Sintusp, um sindicato que não consegue passar pela maioria dos dispositivos do artigo 5º da Constituição Federal. É aquele cujo caput diz o seguinte: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”. É o fascismo disfarçado de socialismo; é o diabo disfarçado de capeta. Nem a paralisação dos funcionários — que estão submetidos a métodos violentos, constrangedores — é integral.
Alô, alunos da USP: hora de resistir. Estão em confronto dois modelos de universidade:
1) o de São Paulo, em que vigora a autonomia universitária;
2) o de Lula, do PT e das esquerdas, que entrega o terceiro grau para as mantenedoras privadas, amigas do poder, que são alimentadas com o leite de pata do dinheiro público do ProUni, sem precisar oferecer nem mesmo qualidade.
Que fique claro: eu sou crítico da gratuidade. Acho que é preciso cobrar de quem pode pagar. E quem não pode deveria estar obrigado a alguma forma de ressarcimento social pelo bem que recebe do conjunto dos paulistas. Mas este sou eu. Serra não quer nem ouvir falar em cobrar mensalidades das três universidades estaduais. Ele disse que a estrutura que seria criada para distinguir os que podem ou não apagar acabaria sendo cara, ineficiente e contraproducente. E há também o princípio: ele é favorável ao ensino universitário público e gratuito.
Mesmo sendo crítico do modelo paulista, é óbvio que eu o considero melhor do que o modelo lulista. Ou, por acaso, nos quatro anos e meio de governo Lula, as universidades federais e as privadas (ops!) que o PT financia conseguiram competir com USP, Unicamp e Unesp? E vejam que coisa: por lá, a extrema esquerda não promove baderna, não é? Ela vem fazer bagunça justamente no modelo que funciona melhor, embora muito longe do ideal.
Resistam, uspianos! Defender a greve é dar um tiro no próprio pé. Os paulistas desdentados podem começar a achar que não vale a pena sustentá-los.
Depois eu falo da UNICAMP.
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