Estou orgulhoso de mim hoje.
Orgulhoso porque comprei um conjunto de três lapiseiras 0.5 Bic Sunnies, e também porque adquiri três canetas Bic: duas azuis e uma vermelha. Lembrei-me de que, ao menos na minha época, professores usavam canetas vermelhas.
Estou com ela na mão agora.
Brinquei com ela o dia todo.
Para um professor, brincar com a caneta vermelha é brincar com o poder.
______________________________________________________________________________
Pretendo começar aqui uma discussão sobre o público e o privado.
Isso virá amanhã, ou na segunda quem sabe.
Será uma discussão curta, só pra saber direito quais são as coisas que devem pertencer a um, quais as coisas que devem pertencer ao outro, e o que é um Blog em meio a isto tudo.
O motivo?
É porque, caros amigos, retirarei um texto deste aqui por conta de um pedido.
Retirarei a narrativa do meu esquartejamento em respeito a um apelo (ou seria por medo?).
Mas já adianto que me sinto em época de ditadura, onde o mal pode ser feito, as feridas podem ser criadas, mas ninguém pode ficar sabendo. O algozes, os amigos de lá, riram o quanto puderam de mim, falaram o que quiseram na minha cara, mas os "meus" amigos não podem ouvir os meus gritos de apelo, os meus gritos de alerta, como dizia o Gonzaguinha.
Sim: porque é de conhecimento comum que a palavra expia, liberta, e a um psiquismo em frangalhos só são possíveis quatro opções: duas pela via da palavra - libertar o afeto de sofrimento e ao mesmo tempo pedir socorro; uma pela via das substâncias - e o clonazepam tem trabalhado muito; e a última pelo seu auto-aniquilamento - seja na extinção do aparelho (isso mesmo, meter uma bala nele!), seja no refúgio psicótico.
Bem, mas conversaremos mais sobre isto, e sobre mim também.
26.1.07
Só mais uma coisa
Então, só mais essa. Todo mundo fica me perguntando sobre o meu mestrado.
Vai aí então uma parte do projeto, que já dá pra mostrar o que quero fazer.
3.3 Gostaríamos neste primeiro momento de esclarecer que nossa opção pela passagem integral, ainda que sucinta, por Totem e Tabu, se fundamenta na essencialidade do texto.
O “mito científico” e seus componentes edificadores serão transcritos à exaustão, seja no trato do desenvolvimento da religião (O futuro de uma ilusão, Moisés e o Monoteísmo), seja na explanação sobre a gênese da cultura (O Mal-Estar na Civilização) ou no esclarecimento da condução das massas (Psicologia das Massas e Análise do Eu), transpondo assim sua estrutura para o interior dos textos referentes a tais abordagens.
O paradigma essencial freudiano, portanto, recairá sobre a fundação histórica do conflito edipiano e sua potência abarcadora no domínio das relações.
Em uma primeira aproximação para com os trabalhos de Feuerbach, além das analogias já referidas pela leitura destas duas pequenas introduções, as explanações de proximidade mais acentuada nos textos freudianos se encontrarão certamente em “O Futuro de uma Ilusão”. Em trechos como “tenho intentado mostrar que as representações religiosas provêm da mesma necessidade que todos os outros da cultura: preservar o homem frente ao poder hipertrófico e deformador da natureza”, ou o final do capítulo IV, onde as vias conectivas entre o exposto em Totem e Tabu e o desamparo frente à natureza são estabelecidas, com recorrência ao desamparo infantil como paradigma desta relação, as remissões são imediatas, assim como em alguns momentos do trabalho de desvelamento imposto pela metapsicologia.
Esta mesma metapsicologia que, aliás, deverá ser manuseada em busca das colunas sobre as quais se assentam as representações religiosas. Acreditamos que a basilar, agora exposta sucintamente, desenha-se desde o sexto capítulo de “O Futuro de uma Ilusão”, e elucida-nos sobre o funcionamento de dispositivos teóricos essenciais atrelados a questões de igual monta a qual esclarece, a saber, como criamos, de quais estruturas nos utilizamos para tanto, e de que forma podemos crer em ilusões.
Expõe Freud:
“O característico da ilusão é que sempre deriva de desejos humanos; neste aspecto se aproxima da idéia delirante (Wahnidee) da psiquiatria...”
Sigamos a pista aventada percorrendo as linhas da psiquiatria. Mais precisamente, as de Eugen Bleuler, em seu Lehrbuch der Psychiatrie editado em 1916:
“O que na língua alemã chamamos de delírio são estados confusionais ligados a alucinações e idéias delirantes.”
Ora, alucinações ensejadas por desejos não são estranhas às páginas de Freud. Para que tal particularismo se expresse, basta-nos uma remissão ao “Projeto”, onde nas determinações sobre a Vivência de Satisfação (Befriedigungserlebnis) tal conexão encontra-se aclarada (via desamparo), com maiores pistas oferecidas tanto pela terminologia quanto por formulações aproximadas entre os dois textos. Tal linha nos levará ainda, inequivocamente, para as páginas de “A Interpretação dos Sonhos”, e conceitos como o de fantasia e regressão.
Disto inferimos, também, que se a metapsicologia em Totem e Tabu adorna cada passo do caminho, nos textos seguintes sobre o caráter religioso esta deverá ser cuidadosamente escavada.
Considerando agora metodologicamente o corpo de nosso trabalho, esclarecemos que a opção epistemológica pelo reconhecimento da circularidade entre antropologia e psicanálise na construção do caráter religioso se oferece em resposta ao seguinte questionamento: sendo a metapsicologia mais extensa do que a aplicada aos textos sobre religião (ou cultura), quais os requisitos necessários para a eleição dos termos utilizados?
Entendemos que a resposta não seja intrínseca à psicanálise, mas se apresente justamente no limiar entre esta e o que ela propõe esclarecer.
Por derivação primária e inerente ao campo psicanalítico, não acreditamos que a metapsicologia possa agir por si, mas que se acopla e acomoda a dados exteriores na obtenção de seus resultados sobre o tema.
Como resultado secundário, ocorre o enquadramento da psicanálise como participante histórica de um dado contexto interpretativo das representações religiosas, contexto este claramente vislumbrado na obra de Ludwig Feuerbach. Do exposto concluímos que uma explanação acerca do desenvolvimento interno à psicanálise do problema elencado não seria satisfatório, e que uma análise epistemológica concentrada também em uma das vertentes da conjuntura filosófica em que tais idéias foram gestadas se apresentaria imprescindível para um vislumbre genealógico da teoria, apresentando as viragens comunicadas às noções externas para que estas se inscrevessem no corpo psicanalítico, transmutando-se deste modo em parte de sua nosologia.
Vai aí então uma parte do projeto, que já dá pra mostrar o que quero fazer.
3.3 Gostaríamos neste primeiro momento de esclarecer que nossa opção pela passagem integral, ainda que sucinta, por Totem e Tabu, se fundamenta na essencialidade do texto.
O “mito científico” e seus componentes edificadores serão transcritos à exaustão, seja no trato do desenvolvimento da religião (O futuro de uma ilusão, Moisés e o Monoteísmo), seja na explanação sobre a gênese da cultura (O Mal-Estar na Civilização) ou no esclarecimento da condução das massas (Psicologia das Massas e Análise do Eu), transpondo assim sua estrutura para o interior dos textos referentes a tais abordagens.
O paradigma essencial freudiano, portanto, recairá sobre a fundação histórica do conflito edipiano e sua potência abarcadora no domínio das relações.
Em uma primeira aproximação para com os trabalhos de Feuerbach, além das analogias já referidas pela leitura destas duas pequenas introduções, as explanações de proximidade mais acentuada nos textos freudianos se encontrarão certamente em “O Futuro de uma Ilusão”. Em trechos como “tenho intentado mostrar que as representações religiosas provêm da mesma necessidade que todos os outros da cultura: preservar o homem frente ao poder hipertrófico e deformador da natureza”, ou o final do capítulo IV, onde as vias conectivas entre o exposto em Totem e Tabu e o desamparo frente à natureza são estabelecidas, com recorrência ao desamparo infantil como paradigma desta relação, as remissões são imediatas, assim como em alguns momentos do trabalho de desvelamento imposto pela metapsicologia.
Esta mesma metapsicologia que, aliás, deverá ser manuseada em busca das colunas sobre as quais se assentam as representações religiosas. Acreditamos que a basilar, agora exposta sucintamente, desenha-se desde o sexto capítulo de “O Futuro de uma Ilusão”, e elucida-nos sobre o funcionamento de dispositivos teóricos essenciais atrelados a questões de igual monta a qual esclarece, a saber, como criamos, de quais estruturas nos utilizamos para tanto, e de que forma podemos crer em ilusões.
Expõe Freud:
“O característico da ilusão é que sempre deriva de desejos humanos; neste aspecto se aproxima da idéia delirante (Wahnidee) da psiquiatria...”
Sigamos a pista aventada percorrendo as linhas da psiquiatria. Mais precisamente, as de Eugen Bleuler, em seu Lehrbuch der Psychiatrie editado em 1916:
“O que na língua alemã chamamos de delírio são estados confusionais ligados a alucinações e idéias delirantes.”
Ora, alucinações ensejadas por desejos não são estranhas às páginas de Freud. Para que tal particularismo se expresse, basta-nos uma remissão ao “Projeto”, onde nas determinações sobre a Vivência de Satisfação (Befriedigungserlebnis) tal conexão encontra-se aclarada (via desamparo), com maiores pistas oferecidas tanto pela terminologia quanto por formulações aproximadas entre os dois textos. Tal linha nos levará ainda, inequivocamente, para as páginas de “A Interpretação dos Sonhos”, e conceitos como o de fantasia e regressão.
Disto inferimos, também, que se a metapsicologia em Totem e Tabu adorna cada passo do caminho, nos textos seguintes sobre o caráter religioso esta deverá ser cuidadosamente escavada.
Considerando agora metodologicamente o corpo de nosso trabalho, esclarecemos que a opção epistemológica pelo reconhecimento da circularidade entre antropologia e psicanálise na construção do caráter religioso se oferece em resposta ao seguinte questionamento: sendo a metapsicologia mais extensa do que a aplicada aos textos sobre religião (ou cultura), quais os requisitos necessários para a eleição dos termos utilizados?
Entendemos que a resposta não seja intrínseca à psicanálise, mas se apresente justamente no limiar entre esta e o que ela propõe esclarecer.
Por derivação primária e inerente ao campo psicanalítico, não acreditamos que a metapsicologia possa agir por si, mas que se acopla e acomoda a dados exteriores na obtenção de seus resultados sobre o tema.
Como resultado secundário, ocorre o enquadramento da psicanálise como participante histórica de um dado contexto interpretativo das representações religiosas, contexto este claramente vislumbrado na obra de Ludwig Feuerbach. Do exposto concluímos que uma explanação acerca do desenvolvimento interno à psicanálise do problema elencado não seria satisfatório, e que uma análise epistemológica concentrada também em uma das vertentes da conjuntura filosófica em que tais idéias foram gestadas se apresentaria imprescindível para um vislumbre genealógico da teoria, apresentando as viragens comunicadas às noções externas para que estas se inscrevessem no corpo psicanalítico, transmutando-se deste modo em parte de sua nosologia.
Nada
Não, hoje não discorrerei sobre o nihilismo.
Só nada direi porque há clonazepam demais circulando pela torre de comando.
Quero apenas pedir desculpas à Carlota porque combinamos, ela me ligou, e eu não consegui reagir tamanha a bolação. Minha mãe tentou me acordar, quase me jogou no chão, mas a única resposta possível de se fazer foi levantar o braço direito e dizer: remédio, diz à ela, pode falar, o reeeemmmééééddiiiiooooo.... e pluf. Não sei o que ela te disse Carlota, mas a verdade é essa...
Mas há outras pendências, e disto eu tratarei logo.
1. Alguém me perguntou sobre a crise dissociativa: apesar de não ter se revelado, explico direitinho depois
2. Existe uma pessoa muito importante pra mim que já não suporta reclamar por não aparecer aqui: aparecerá, com um texto só pra ela
3. Um passarinho me contou que uma das M0biltes queria ter se divertido comigo e com as queridas Mobiletes que estão na área: dia 3 tudo se normalizará.
Não sei mais o que fazer com a falta da minha Mobilete preferida, aquela que eu amo: seria tudo muito mais fácil, seria tudo tão mais bonito.
Hoje tivemos o nosso primeiro mal-entendido. E não passou disso mesmo: um mal-entendido. E eu sofri tanto, e ela também - um ótimo sinal.
Até...
Só nada direi porque há clonazepam demais circulando pela torre de comando.
Quero apenas pedir desculpas à Carlota porque combinamos, ela me ligou, e eu não consegui reagir tamanha a bolação. Minha mãe tentou me acordar, quase me jogou no chão, mas a única resposta possível de se fazer foi levantar o braço direito e dizer: remédio, diz à ela, pode falar, o reeeemmmééééddiiiiooooo.... e pluf. Não sei o que ela te disse Carlota, mas a verdade é essa...
Mas há outras pendências, e disto eu tratarei logo.
1. Alguém me perguntou sobre a crise dissociativa: apesar de não ter se revelado, explico direitinho depois
2. Existe uma pessoa muito importante pra mim que já não suporta reclamar por não aparecer aqui: aparecerá, com um texto só pra ela
3. Um passarinho me contou que uma das M0biltes queria ter se divertido comigo e com as queridas Mobiletes que estão na área: dia 3 tudo se normalizará.
Não sei mais o que fazer com a falta da minha Mobilete preferida, aquela que eu amo: seria tudo muito mais fácil, seria tudo tão mais bonito.
Hoje tivemos o nosso primeiro mal-entendido. E não passou disso mesmo: um mal-entendido. E eu sofri tanto, e ela também - um ótimo sinal.
Até...
25.1.07
Milhões de coisas
São tantas coisas que sequer sei por onde começar.
Bom, vamos lá.
Primeiro: Cris, obrigado pelo e-mail. Não há mais nada a ser dito sobre a nossa amizade. Não importa a distância, você sempre esta aqui, ao meu lado, dizendo tudo, e espero que sinta o mesmo quando escrevo pra você. Aproveito pra te dizer aqui, em primeira mão (decidi meio agora) que um dos projetos mais sérios deste ano e, se agora não der, para o ano que vem, é visitar-lhe em terras dinamarquesas. Passar dias felizes com a sua família linda, curtir a nossa amizade do modo que merecemos, ver nossos filhos correndo juntinhos no quintal da sua nova e acolhedora casa. Só de pensar...
Bem, a vida agora: hoje foi o meu primeiro dia como professor do Colégio Doctus. Maravilhoso, descontração entre os professores (foi só uma dinâmica para os professores), possíveis novos grandes amigos (Haroldo, de Redação), reencontro com ex-professores muito amigos também e que ficaram numa felicidade extasiante em me ver: Deise (biologia), Rosana (matemática), sem contar a Ilka e outros. Fui muito bem acolhido. Agora é trabalhar muito, mostrar qualidade, e abrir esta porta. Não tenho dúvidas de que farei.
Hoje também fui ao cinema com o João, ver Uma noite no museu: divertido, bem articulado, muito bom filme. O João e eu adoramos. Depois fomos à Saraiva, onde comprei pra ele o disco de "Os saltimbancos", porque ele adora e tinha perdido o primeiro que compráramos há uns 4 anos.
Ah, o João mudará de escola: sai Progresso, entra Doctus. Adorou a idéia, e eu também.
Bem, agora vamos às festas.
Sexta, 26, aniversário da dona Dolma. O convite é muito legal: um carro em uma estrada tortuosa (The long and winding road, that leaves, to your door - como esta música é linda, né) se aproximando de uma placa onde há o número 60 escrito. Dentro, algo fantástico, lindo mesmo. Está escrito assim: "não serão aceitos presentes; pede-se a contribuição de um pacote de fraldas geriátricas que serão entregues ao Lar dos Velhinhos". E assim se faz o bem a todo mundo. Merecidas palmas, coisa de gente grande. Depois da cafeína e da cocaína da semana passada, fica ainda mais fácil diferenciar as coisas.
Sábado, 27, aniversário da minha querida Carlota. Engraçado como a minha relação com a Carla foi mudando com o tempo: nos conhecemos, fomos ficamos amigos e agora, não sei se ela sente o mesmo, ela está decididamente dentro do meu coração, em lugar muito, muito especial. Amigos, amigos mesmo, pra todas.
O tema da festa é Era de Aquarius, mas ela disse que podíamos fazer a leitura que quiséssemos. Eu vou de Hera de Aquário, uma planta pingando a festa toda.
Sábado, 3, aniversário da Raquel. Pessoa doce, doce, recém conhecida, mas que parece ser muito mais do bem do que qualquer outra coisa. Aliás, apesar da inveja que isto pode causar em algumas pessoas, adorei conhecer melhor a Raquel e a Laura no último sábado. Pessoas bonitas, inteligentes (a Laura me lembra muito, demais o Woody Allen, com as suas tiradas fenomenais), com um coração gigante. Fiquei muito feliz com as nossas conversas, com essas minhas "novas" amigas. Bem, então a pizzada promete.
Estou ouvindo o disco do Santana "Ao vivo na América do Sul": a parte em que ele sola Aquarela do Brasil é realmente de uma beleza rara. Quando ele fez isso no show aqui no Brasil a galera quase desmaiou, quase pirou, quase levantou vôo, incuindo eu e o Emílio. E quando ele termina Europa solando Ponta de Areia também é muito, muito foda. Mesma resposta do público. Mas lembrando aquele show, uma das coisas mais emocionantes foi quando o baixista tocou sozinho Romaria, com a galera todinha cantando, depois de um solo de jazz dele e do baterista que havia durado mais de dez minutos. Eu, em termos de música, só havia visto algo tão impressionante ao ver o João Gilberto assim, tête à tête.
Até amanhã, e melhoras para pessoa mais importante que lê este blog.
Bom, vamos lá.
Primeiro: Cris, obrigado pelo e-mail. Não há mais nada a ser dito sobre a nossa amizade. Não importa a distância, você sempre esta aqui, ao meu lado, dizendo tudo, e espero que sinta o mesmo quando escrevo pra você. Aproveito pra te dizer aqui, em primeira mão (decidi meio agora) que um dos projetos mais sérios deste ano e, se agora não der, para o ano que vem, é visitar-lhe em terras dinamarquesas. Passar dias felizes com a sua família linda, curtir a nossa amizade do modo que merecemos, ver nossos filhos correndo juntinhos no quintal da sua nova e acolhedora casa. Só de pensar...
Bem, a vida agora: hoje foi o meu primeiro dia como professor do Colégio Doctus. Maravilhoso, descontração entre os professores (foi só uma dinâmica para os professores), possíveis novos grandes amigos (Haroldo, de Redação), reencontro com ex-professores muito amigos também e que ficaram numa felicidade extasiante em me ver: Deise (biologia), Rosana (matemática), sem contar a Ilka e outros. Fui muito bem acolhido. Agora é trabalhar muito, mostrar qualidade, e abrir esta porta. Não tenho dúvidas de que farei.
Hoje também fui ao cinema com o João, ver Uma noite no museu: divertido, bem articulado, muito bom filme. O João e eu adoramos. Depois fomos à Saraiva, onde comprei pra ele o disco de "Os saltimbancos", porque ele adora e tinha perdido o primeiro que compráramos há uns 4 anos.
Ah, o João mudará de escola: sai Progresso, entra Doctus. Adorou a idéia, e eu também.
Bem, agora vamos às festas.
Sexta, 26, aniversário da dona Dolma. O convite é muito legal: um carro em uma estrada tortuosa (The long and winding road, that leaves, to your door - como esta música é linda, né) se aproximando de uma placa onde há o número 60 escrito. Dentro, algo fantástico, lindo mesmo. Está escrito assim: "não serão aceitos presentes; pede-se a contribuição de um pacote de fraldas geriátricas que serão entregues ao Lar dos Velhinhos". E assim se faz o bem a todo mundo. Merecidas palmas, coisa de gente grande. Depois da cafeína e da cocaína da semana passada, fica ainda mais fácil diferenciar as coisas.
Sábado, 27, aniversário da minha querida Carlota. Engraçado como a minha relação com a Carla foi mudando com o tempo: nos conhecemos, fomos ficamos amigos e agora, não sei se ela sente o mesmo, ela está decididamente dentro do meu coração, em lugar muito, muito especial. Amigos, amigos mesmo, pra todas.
O tema da festa é Era de Aquarius, mas ela disse que podíamos fazer a leitura que quiséssemos. Eu vou de Hera de Aquário, uma planta pingando a festa toda.
Sábado, 3, aniversário da Raquel. Pessoa doce, doce, recém conhecida, mas que parece ser muito mais do bem do que qualquer outra coisa. Aliás, apesar da inveja que isto pode causar em algumas pessoas, adorei conhecer melhor a Raquel e a Laura no último sábado. Pessoas bonitas, inteligentes (a Laura me lembra muito, demais o Woody Allen, com as suas tiradas fenomenais), com um coração gigante. Fiquei muito feliz com as nossas conversas, com essas minhas "novas" amigas. Bem, então a pizzada promete.
Estou ouvindo o disco do Santana "Ao vivo na América do Sul": a parte em que ele sola Aquarela do Brasil é realmente de uma beleza rara. Quando ele fez isso no show aqui no Brasil a galera quase desmaiou, quase pirou, quase levantou vôo, incuindo eu e o Emílio. E quando ele termina Europa solando Ponta de Areia também é muito, muito foda. Mesma resposta do público. Mas lembrando aquele show, uma das coisas mais emocionantes foi quando o baixista tocou sozinho Romaria, com a galera todinha cantando, depois de um solo de jazz dele e do baterista que havia durado mais de dez minutos. Eu, em termos de música, só havia visto algo tão impressionante ao ver o João Gilberto assim, tête à tête.
Até amanhã, e melhoras para pessoa mais importante que lê este blog.
23.1.07
Ainda sobre aquilo
Sem pedir direito de publicação: obrigado Carlinha, te amo muito também.
Fabi,
após ler tudo aquilo em seu blog, não pude conter as emoções que por mim corriam e te escrevi essa cartinha...
com amor e carinho...
Carla
"As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas ou tocadas. Precisam ser sentidas com o coração."
Viçosa 21 de janeiro de 2007. 2:30am
Amado amigo,
fiquei pasma com as visões dos espelhos retorcidos de imagens e memórias doídas e doidas de pessoas que se ferem e machucam tanto a si mesmas e a tantos outros à sua volta; à nós mesmos....
Dores da infância parecem ser buracos negros devoradores de vidas (se mau resolvidos), são como uma onda gigante, daquelas que a pouco tempo dizimaram cidades povoados famílias e histórias de vidas...
Lamento por ela, por vc e pelo nosso querido João...
Mas como toda onda gigante e destruidora... ela passará... e o sol voltará a brilhar...(PIEGAS talvez... mas verdadeiro), as mesmas águas que desorganizaram se incumbirão de refazer o ciclo da vida e do bem viver....
Cuide-se meu amigo querido... isso é agora a melhor estratégia para a sobrevivência...
Cuide-se e sobreviva a essas imagens avassaladoras e cruéis...
Tenho pensado muito sobre contextos, e ao rever o nosso, de infância até a adolescência, percebo que, de certa forma, tivemos nossos privilégios entre arte dança e dramaturgia, risos, festas, viagens e bailinhos....vivíamos “protegidos”... diferentemente de outros tantos... e nesses tempos nutríamos a nós mesmos e reelaborávamos de alguma forma um pouco de nossas dores....(depois disserto melhor sobre esses pensamentos)
Mas enfim....
Lembre-se sempre que vc não está dentro desses espelhos... que hoje um horizonte aberto, com uma vista sem limites se abre em sua vida, e não há maneiras de uma superfície espelhada de visões retorcidas te aprisionarem nos labirintos de destruição e tantas dores....
Siga em direção à sua Libertação....
E cada dia resista às ilusões dos espelhos....
"SAUDADES SEM FIM”
Sinta-se acolhido e abraçado.
Até a HERA de aquáriosssssssss..
Beijos
Carla
Fabi,
após ler tudo aquilo em seu blog, não pude conter as emoções que por mim corriam e te escrevi essa cartinha...
com amor e carinho...
Carla
"As melhores e mais belas coisas do mundo não podem ser vistas ou tocadas. Precisam ser sentidas com o coração."
Viçosa 21 de janeiro de 2007. 2:30am
Amado amigo,
fiquei pasma com as visões dos espelhos retorcidos de imagens e memórias doídas e doidas de pessoas que se ferem e machucam tanto a si mesmas e a tantos outros à sua volta; à nós mesmos....
Dores da infância parecem ser buracos negros devoradores de vidas (se mau resolvidos), são como uma onda gigante, daquelas que a pouco tempo dizimaram cidades povoados famílias e histórias de vidas...
Lamento por ela, por vc e pelo nosso querido João...
Mas como toda onda gigante e destruidora... ela passará... e o sol voltará a brilhar...(PIEGAS talvez... mas verdadeiro), as mesmas águas que desorganizaram se incumbirão de refazer o ciclo da vida e do bem viver....
Cuide-se meu amigo querido... isso é agora a melhor estratégia para a sobrevivência...
Cuide-se e sobreviva a essas imagens avassaladoras e cruéis...
Tenho pensado muito sobre contextos, e ao rever o nosso, de infância até a adolescência, percebo que, de certa forma, tivemos nossos privilégios entre arte dança e dramaturgia, risos, festas, viagens e bailinhos....vivíamos “protegidos”... diferentemente de outros tantos... e nesses tempos nutríamos a nós mesmos e reelaborávamos de alguma forma um pouco de nossas dores....(depois disserto melhor sobre esses pensamentos)
Mas enfim....
Lembre-se sempre que vc não está dentro desses espelhos... que hoje um horizonte aberto, com uma vista sem limites se abre em sua vida, e não há maneiras de uma superfície espelhada de visões retorcidas te aprisionarem nos labirintos de destruição e tantas dores....
Siga em direção à sua Libertação....
E cada dia resista às ilusões dos espelhos....
"SAUDADES SEM FIM”
Sinta-se acolhido e abraçado.
Até a HERA de aquáriosssssssss..
Beijos
Carla
18.1.07
Como e drumo
Cheguei.
Parafusos devidamente postos no lugar, estou pronto para falar um pouco sobre aqueles que não os têm.
Existe um quiprocó de 14 páginas em um site por aí do qual eu preciso falar mal, e então eu resolvi emprestar um trechinho, um pedacinho apenas, porque é este que conta a hipótese, ou seja, é ele que movimenta o quiprocó.
Dêem uma olhada na situação:
O modelo de organização social padrão nas cidades está esgotado, insatisfatório como habitat ou ecossistema humano, manifestando-se em distúrbios sociais, quais sejam: violência, aética, desemprego, desabrigo, inchaço populacional, epidemias, dentre outros, e na dicotomia entre a veloz evolução tecnológica e a superlativa desigualdade social, perpetuada por um interesse soberano.
Alguém aí consegue me dizer por onde começar?
Olha só: já li Kant, já li Hegel, já li Nietzsche, já li Aristóteles, até o tonto do Marx já li e nenhum deles conseguiu fazer tamanha confusão. Isto me inclina a crer que este negócio não passa de um poema dadaísta, daqueles de jogar as palavras no saco, ir tirando e montando o dito. Um poema feito por pré-adolescentes, por tem aquela coisa ali de soberano, e poder soberano é coisa de pré-adolescente.
Sim, lembram-se de quando a gente achava que havia um poder soberano e maldoso? Na minha época a gente o chamava de sociedade ou de sistema - Porque a sociedade não aceita este pensamento!!!; ou - O sistema está acabando com o homem, o sistema não perdoa.
Lembram-se disto? Fernando Pessoa chama isto de infância do pensamento. Eu assino em baixo.
Mas voltando ao texto em si, vamos fazer algo que deixa a coisa mais engraçada: vamos desmontar as orações coordenadas. Olhem só como fica:
O modelo de organização social padrão nas cidades está esgotado, insatisfatório como habitat ou ecossistema humano, manifestando-se na dicotomia entre a veloz evolução tecnológica e a superlativa desigualdade social, perpetuada por um interesse soberano.
Muito interessante não? Quer dizer que o fato de as cidades se tornarem lugares inabitáveis é o mote pela dicotomia entre evolução tecnológica e desigualdade social?
Meu Deus do céu, perdoai as criancinhas.
Fazer ligação entre a organização social padrão e a tal dicotomia é obviamente impossível, coisa de louco, agora, na segunda parte da coisa, quiseram dizer que o desenvolvimento de novas técnicas tornam obsoletos os que não sabem manejá-las. Não foi isso?
E que isto causa desigualdade social. Não foi isso?
Hummm, não será um problema de políticas educacionais a de não inclusão de trabalhadores em setores que exijam novos saberes?
Ah, é aí que entra o soberano? E agora é dar um soco no ar, fazer cara de gênio e soltar um huhu, Nossa Senhora, com eu sou foda!!!
Sabem o que isto me lembra? Quando há uns dez anos atrás, alguns setores (que nós sabemos quais são) não queriam que o Brasil abrisse as fronteiras para a importação.
Você já pensaram no que seríamos hoje?
Este mesmo povo também não queria que as teles fossem privatizadas.
Sabe como este texto chegaria até vocês se a coisa fosse da forma como eles queriam?
Eu arrumaria um mimeógrafo, compraria 58 litros de álcool, 50 folhas de estêncil e 400 de sulfite, ficaria 10 dias rodando este negócio e depois mandaria pra vocês pelo correio.
Não seria ótimo? Imaginem em que situação o país estaria.
Pois bem, é o mesmo pensamento que "talvez", bem "talvez" mesmo, esteja ali.
Então que se refaçam as carroças, os carros de boi, joguem os micros fora, reponham os telefones pretos de um quilo, e faça-mos a revolução, a revolução da inclusão. Ou melhor, a involução. Quem sabe, daqui a uns 20 anos, não cheguemos na revolução industrial?
Nossa, é não ter uma idéia minimamente próxima da complexidade das questões. Triste, triste demais pra quem emite pareceres sobre a inteligência alheia. Aliás, é só este tipo de gente que é capaz de fazer isto.
Volto amanhã porque agora eu estou cansado. O sossega leão já desceu pela güela, e há perigo de eu sentar a testa na barra de espaço.
Só mais um aviso: volto pra falar mais do quiprocó de cabeça vermela e ornamentos de joaninha.
_________________________________________________________________________
Mais uma coisa, a última: estou ouvindo Vocalise, do Rachmaninoff. Se ouvesse naquele época esta história toda de plágio, As rosas não falam não existiria, e o Cartola não teria pulado tantos carnavais à solta.
__________________________________________________________________________
Beijos carinhosos demais da conta pra besta...
Parafusos devidamente postos no lugar, estou pronto para falar um pouco sobre aqueles que não os têm.
Existe um quiprocó de 14 páginas em um site por aí do qual eu preciso falar mal, e então eu resolvi emprestar um trechinho, um pedacinho apenas, porque é este que conta a hipótese, ou seja, é ele que movimenta o quiprocó.
Dêem uma olhada na situação:
O modelo de organização social padrão nas cidades está esgotado, insatisfatório como habitat ou ecossistema humano, manifestando-se em distúrbios sociais, quais sejam: violência, aética, desemprego, desabrigo, inchaço populacional, epidemias, dentre outros, e na dicotomia entre a veloz evolução tecnológica e a superlativa desigualdade social, perpetuada por um interesse soberano.
Alguém aí consegue me dizer por onde começar?
Olha só: já li Kant, já li Hegel, já li Nietzsche, já li Aristóteles, até o tonto do Marx já li e nenhum deles conseguiu fazer tamanha confusão. Isto me inclina a crer que este negócio não passa de um poema dadaísta, daqueles de jogar as palavras no saco, ir tirando e montando o dito. Um poema feito por pré-adolescentes, por tem aquela coisa ali de soberano, e poder soberano é coisa de pré-adolescente.
Sim, lembram-se de quando a gente achava que havia um poder soberano e maldoso? Na minha época a gente o chamava de sociedade ou de sistema - Porque a sociedade não aceita este pensamento!!!; ou - O sistema está acabando com o homem, o sistema não perdoa.
Lembram-se disto? Fernando Pessoa chama isto de infância do pensamento. Eu assino em baixo.
Mas voltando ao texto em si, vamos fazer algo que deixa a coisa mais engraçada: vamos desmontar as orações coordenadas. Olhem só como fica:
O modelo de organização social padrão nas cidades está esgotado, insatisfatório como habitat ou ecossistema humano, manifestando-se na dicotomia entre a veloz evolução tecnológica e a superlativa desigualdade social, perpetuada por um interesse soberano.
Muito interessante não? Quer dizer que o fato de as cidades se tornarem lugares inabitáveis é o mote pela dicotomia entre evolução tecnológica e desigualdade social?
Meu Deus do céu, perdoai as criancinhas.
Fazer ligação entre a organização social padrão e a tal dicotomia é obviamente impossível, coisa de louco, agora, na segunda parte da coisa, quiseram dizer que o desenvolvimento de novas técnicas tornam obsoletos os que não sabem manejá-las. Não foi isso?
E que isto causa desigualdade social. Não foi isso?
Hummm, não será um problema de políticas educacionais a de não inclusão de trabalhadores em setores que exijam novos saberes?
Ah, é aí que entra o soberano? E agora é dar um soco no ar, fazer cara de gênio e soltar um huhu, Nossa Senhora, com eu sou foda!!!
Sabem o que isto me lembra? Quando há uns dez anos atrás, alguns setores (que nós sabemos quais são) não queriam que o Brasil abrisse as fronteiras para a importação.
Você já pensaram no que seríamos hoje?
Este mesmo povo também não queria que as teles fossem privatizadas.
Sabe como este texto chegaria até vocês se a coisa fosse da forma como eles queriam?
Eu arrumaria um mimeógrafo, compraria 58 litros de álcool, 50 folhas de estêncil e 400 de sulfite, ficaria 10 dias rodando este negócio e depois mandaria pra vocês pelo correio.
Não seria ótimo? Imaginem em que situação o país estaria.
Pois bem, é o mesmo pensamento que "talvez", bem "talvez" mesmo, esteja ali.
Então que se refaçam as carroças, os carros de boi, joguem os micros fora, reponham os telefones pretos de um quilo, e faça-mos a revolução, a revolução da inclusão. Ou melhor, a involução. Quem sabe, daqui a uns 20 anos, não cheguemos na revolução industrial?
Nossa, é não ter uma idéia minimamente próxima da complexidade das questões. Triste, triste demais pra quem emite pareceres sobre a inteligência alheia. Aliás, é só este tipo de gente que é capaz de fazer isto.
Volto amanhã porque agora eu estou cansado. O sossega leão já desceu pela güela, e há perigo de eu sentar a testa na barra de espaço.
Só mais um aviso: volto pra falar mais do quiprocó de cabeça vermela e ornamentos de joaninha.
_________________________________________________________________________
Mais uma coisa, a última: estou ouvindo Vocalise, do Rachmaninoff. Se ouvesse naquele época esta história toda de plágio, As rosas não falam não existiria, e o Cartola não teria pulado tantos carnavais à solta.
__________________________________________________________________________
Beijos carinhosos demais da conta pra besta...
16.1.07
Então, demorou muito mas eu voltei.
Bastante coisa a ser dita; muita discussão; coisas boas também.
Aliás, coisas boas demais.
Pena que terei de reiniciar como iniciei este blog há cerca de um ano: conversando com malucos.
Dizem que não se deve. Dizem que é perda de tempo.
Mas é necessário, porque se não se interpreta e se acondiciona a malucagem, ela acaba se estendendo como parâmetro. Sim, se estendendo, porque se entender como parâmetro já faz parte da nosologia.
Babalorixá doidão com ostras flores e canalha.
Este povo não muda mesmo. O padrão se repete incessantemente.Mas devo admitir que neste caso a roupagem se altera, o que faz com que talvez eu tenha que agir de forma um pouco diferente.
Junto com a vermelhidão há agora a sofística. Bobos que sabem criar aporias.
Platão foi rápido ao lidar com esta gente: amarrem-nos em pedras e jogue-os ao mar.
Já, já, volto com parte das coisas.
Agora tenho que cuidar da minha cabeça, aquela que me faz sofrer quando se desregula.
Volto pra falar do povo que tem a cabeça desregulada, considera isto uma vantagem e se aventura pela Amerca Latina para... para... para... desregular os outros? Sim, desregular o outros fazendo exorcismo, tirando as zelite da cabeça dos pobres que não compreendem o mundo por conta deste espírito maligno.
Como a confusão é muita, quem patrocina a festa é a própria Zelite.
Impossível entender a conspiração?
Nem tanto. Como uma neurose nunca age sozinha, o negócio é desmembrar a situação.Mas como isto só é feito se o doente quiser, os loucos ficarão à solta, se achando eleitos.
Bem, volto depois, porque o mecânico já deve estar no aguardo para apertar os parafusos da minha cuca.
Até.
Bastante coisa a ser dita; muita discussão; coisas boas também.
Aliás, coisas boas demais.
Pena que terei de reiniciar como iniciei este blog há cerca de um ano: conversando com malucos.
Dizem que não se deve. Dizem que é perda de tempo.
Mas é necessário, porque se não se interpreta e se acondiciona a malucagem, ela acaba se estendendo como parâmetro. Sim, se estendendo, porque se entender como parâmetro já faz parte da nosologia.
Babalorixá doidão com ostras flores e canalha.
Este povo não muda mesmo. O padrão se repete incessantemente.Mas devo admitir que neste caso a roupagem se altera, o que faz com que talvez eu tenha que agir de forma um pouco diferente.
Junto com a vermelhidão há agora a sofística. Bobos que sabem criar aporias.
Platão foi rápido ao lidar com esta gente: amarrem-nos em pedras e jogue-os ao mar.
Já, já, volto com parte das coisas.
Agora tenho que cuidar da minha cabeça, aquela que me faz sofrer quando se desregula.
Volto pra falar do povo que tem a cabeça desregulada, considera isto uma vantagem e se aventura pela Amerca Latina para... para... para... desregular os outros? Sim, desregular o outros fazendo exorcismo, tirando as zelite da cabeça dos pobres que não compreendem o mundo por conta deste espírito maligno.
Como a confusão é muita, quem patrocina a festa é a própria Zelite.
Impossível entender a conspiração?
Nem tanto. Como uma neurose nunca age sozinha, o negócio é desmembrar a situação.Mas como isto só é feito se o doente quiser, os loucos ficarão à solta, se achando eleitos.
Bem, volto depois, porque o mecânico já deve estar no aguardo para apertar os parafusos da minha cuca.
Até.
20.12.06
Verão 1
No verão de 1997 eu tomei 31 chopps no Bar do Empório. Recorde pessoal.
Lá pelo vigésimo fui até a praia, mergulhei e voltei ensopado.
Entrei no bar pingando como se nada, nada tivesse acontecido.
Da volta pra casa me lembro apenas de um relance: eu, olhando pra fora do carro, maravilhado, tateando o braço do motorista do Táxi e dizendo - Nossa meu, como é que você enfiou a gente num estádio de futebol, de carro, e a essa hora!?!? Huhu!!!
Era o sambódromo.
Lá pelo vigésimo fui até a praia, mergulhei e voltei ensopado.
Entrei no bar pingando como se nada, nada tivesse acontecido.
Da volta pra casa me lembro apenas de um relance: eu, olhando pra fora do carro, maravilhado, tateando o braço do motorista do Táxi e dizendo - Nossa meu, como é que você enfiou a gente num estádio de futebol, de carro, e a essa hora!?!? Huhu!!!
Era o sambódromo.
15.12.06
Pequenas coisas
Foram dez anos fora da casa da minha mãe.
Em meu momentâneo retorno, uma constatação bem simples: a esquizofrenia atravessa a família.
Meu avô acorda às 5:00h para dar sopinha de leite com pão para as cachorras.
Minha mãe canta o dia todo Carinhoso para o papagaio porque "ele gosta".
Dará tempo de meus sintomas começarem a aparecer?
Tenho que sair daqui logo.
Em meu momentâneo retorno, uma constatação bem simples: a esquizofrenia atravessa a família.
Meu avô acorda às 5:00h para dar sopinha de leite com pão para as cachorras.
Minha mãe canta o dia todo Carinhoso para o papagaio porque "ele gosta".
Dará tempo de meus sintomas começarem a aparecer?
Tenho que sair daqui logo.
12.12.06
Aniversário
Sexta foi meu aniversério.
Na sexta eu fiz trinta e dois anos.
Na sexta em que eu fiz trinta e dois anos fui também esqüartejado.
Na sexta em que fiz trinta e dois anos fui esqüartejado a golpes de diamante.
Na sexta em que fui esqüartejado cinco golpes de diamante me partiram em seis pedaços.
E estes seis pedaços partidos se uniram novamente no sábado.
E no sábado eu nasci de novo.
E no domingo eu fui criança de novo.
E nesta segunda eu fui adolescente de novo.
E daqui a alguns dias viverei coisas novas de novo: ficarei nervoso de novo; errarei de novo; parecerei atrapalhado de novo.
E terei de novo frescas lembranças de primeira vez.
De novo...
De nov...
De no...
De n...
Na sexta eu fiz trinta e dois anos.
Na sexta em que eu fiz trinta e dois anos fui também esqüartejado.
Na sexta em que fiz trinta e dois anos fui esqüartejado a golpes de diamante.
Na sexta em que fui esqüartejado cinco golpes de diamante me partiram em seis pedaços.
E estes seis pedaços partidos se uniram novamente no sábado.
E no sábado eu nasci de novo.
E no domingo eu fui criança de novo.
E nesta segunda eu fui adolescente de novo.
E daqui a alguns dias viverei coisas novas de novo: ficarei nervoso de novo; errarei de novo; parecerei atrapalhado de novo.
E terei de novo frescas lembranças de primeira vez.
De novo...
De nov...
De no...
De n...
7.12.06
Todas as vezes que eu acesso o blog pra escrever alguma coisa há uma frase, um trecho de poema que nunca sai do campo de digitação.
Finalmente ele ganhou: já que insiste tanto em aparecer, agora vai. Quem sabe assim ele some.
Com vocês, o dito:
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que,
tecido, se eleva por si: luz balão. (JCMN)
Agora posso voltar a escrever em paz.
________________________________________________________________
Ontem escutei uma música que não ouvia há uns dez anos.
Normal, vocês poderiam dizer. E o que isso teria de mais? Dããã...
Aí é que entra a questão: era uma das minhas cançoes preferidas e simplesmente tinha sumido, tinha se apagado da minha cachola. Coisa estranha, hein...?
Bom, o fato é que eu adorava Fala, dos Secos & Molhados.
Adorava porque é o tipo de composição que gosto: piano, violinos em "crescendo", um teclado malucão, uma melodia linda, um vocal sem comentários.
Adorava porque a letra falava sobre mim de uma maneira assustadora.
Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto.
Se você disser
Tudo o que quiser
Então eu escuto.
Fala.
Se eu não entender
Não vou responder
Então eu escuto.
Eu só vou falar
Na hora de falar
Então eu escuto.
Fala.
Sim, meus caros, demorei-me bastante a começar a falar.
Ouvia, observava, observava mais um pouco e ouvia: jamais achava que a minha fala era necessária. Poucas vezes acreditava que falar certas coisas valia a pena. Pensava que as pessoas falavam demais. Fabiano mudo até vinte e poucos anos.
Disto coisas boas e más:
1) agora tenho certeza de que não há necessidade de se falar tanto;
2) sei muito sobre os outros, percebo muito, noto nuances divertidíssimas;
2) não sei me expressar direito quando falo. Se pudesse, escreveria sempre;
Mas o fato é que o feitiço se virou: ando verborrágico, falando demais.
E como não sei falar, acabo falando besteira, me excedendo, fazendo o desejo jorrar da ponta da língua (língua como o maior orgão para satisfação de desejos), o que me tem feito falar ainda mais um pouco pra pedir desculpas, pra explicar que sei que a minha fala pode estar atravessando o desejo alheio, que a minha fala não deve ser muito considerada.
Cala.
_______________________________________________________________
Fato: os bebês de colo me amam. Não sei o que eles vêm de tão engraçado em mim, mas olham pra minha cara e começam a rir.
Fato: eu nunca sei e nunca saberei o que fazer, simplesmente porque não sei lidar com pessoas desconhecidas. Tenho dificuldade em primeiros contatos, ainda que sejam com bebês.
Então eu pego uma revista, me viro, vou tomar água.
Mas se alguém já a viua cena, aí fudeu. Moço mal, não gosta de crianças, coisa e tal.
- Não minha senhora, mas é que com o bebê não há linguagem fática. Com bebê eu não posso falar sobre o tempo ou sobre o jogo da seleção. Então eu fico sem graça. Então eu é que fico com vontade de chamar a minha mãe.
Ontem fui fazer um exame e um deles ficou rindo pra mim. Fui ao banheiro e não voltei mais.
Finalmente ele ganhou: já que insiste tanto em aparecer, agora vai. Quem sabe assim ele some.
Com vocês, o dito:
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que,
tecido, se eleva por si: luz balão. (JCMN)
Agora posso voltar a escrever em paz.
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Ontem escutei uma música que não ouvia há uns dez anos.
Normal, vocês poderiam dizer. E o que isso teria de mais? Dããã...
Aí é que entra a questão: era uma das minhas cançoes preferidas e simplesmente tinha sumido, tinha se apagado da minha cachola. Coisa estranha, hein...?
Bom, o fato é que eu adorava Fala, dos Secos & Molhados.
Adorava porque é o tipo de composição que gosto: piano, violinos em "crescendo", um teclado malucão, uma melodia linda, um vocal sem comentários.
Adorava porque a letra falava sobre mim de uma maneira assustadora.
Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto.
Se você disser
Tudo o que quiser
Então eu escuto.
Fala.
Se eu não entender
Não vou responder
Então eu escuto.
Eu só vou falar
Na hora de falar
Então eu escuto.
Fala.
Sim, meus caros, demorei-me bastante a começar a falar.
Ouvia, observava, observava mais um pouco e ouvia: jamais achava que a minha fala era necessária. Poucas vezes acreditava que falar certas coisas valia a pena. Pensava que as pessoas falavam demais. Fabiano mudo até vinte e poucos anos.
Disto coisas boas e más:
1) agora tenho certeza de que não há necessidade de se falar tanto;
2) sei muito sobre os outros, percebo muito, noto nuances divertidíssimas;
2) não sei me expressar direito quando falo. Se pudesse, escreveria sempre;
Mas o fato é que o feitiço se virou: ando verborrágico, falando demais.
E como não sei falar, acabo falando besteira, me excedendo, fazendo o desejo jorrar da ponta da língua (língua como o maior orgão para satisfação de desejos), o que me tem feito falar ainda mais um pouco pra pedir desculpas, pra explicar que sei que a minha fala pode estar atravessando o desejo alheio, que a minha fala não deve ser muito considerada.
Cala.
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Fato: os bebês de colo me amam. Não sei o que eles vêm de tão engraçado em mim, mas olham pra minha cara e começam a rir.
Fato: eu nunca sei e nunca saberei o que fazer, simplesmente porque não sei lidar com pessoas desconhecidas. Tenho dificuldade em primeiros contatos, ainda que sejam com bebês.
Então eu pego uma revista, me viro, vou tomar água.
Mas se alguém já a viua cena, aí fudeu. Moço mal, não gosta de crianças, coisa e tal.
- Não minha senhora, mas é que com o bebê não há linguagem fática. Com bebê eu não posso falar sobre o tempo ou sobre o jogo da seleção. Então eu fico sem graça. Então eu é que fico com vontade de chamar a minha mãe.
Ontem fui fazer um exame e um deles ficou rindo pra mim. Fui ao banheiro e não voltei mais.
4.12.06
Godspell

Hoje me deu uma saudade, mas uma saudade de Godspell.
Então fui procurar coisas no Google, no YouTube, e acabei achando algo que interessou.
Queria mais imagens, sim, mas esta aí de cima, da capa do disco, já me serviu.
E serviu porque no Youtube tem quase o filme todo, ou ao menos quase todas as canções.
Tem All for the Best: http://www.youtube.com/watch?v=UhVaQbyWz_g&mode=related&search=
Tem Bless the Lord: http://www.youtube.com/watch?v=csz8CYXjOB4&mode=related&search=
Tem Beautiful City: http://www.youtube.com/watch?v=NBjUchDgLOs&mode=related&search=.
Tem todo o resto.
Tenterei recuperar algumas fotos da nossa montagem e colocá-las aqui.
Tenho uma só, de um ensaio. Vamos ver o que sai da Opus esta semana.
3.12.06
Porque hoje é sábado...
Quais sinais devem ser seguidos?
Há um descompasso entre o meu corpo e o meu cérebro, reestabelecendo um cartesianismo que já deveria ser arcaico.
De um lado a dor, e do outro tudo o que é possível.
Engolir o mundo só não me é possível por conta do meu corpo falho.
Og ég fæ blóðnasir
En ég stend alltaf upp
Até quando?
Sim, estou com medo.
Pode ser nada, mas quero que isto seja afirmado, repetido, comprovado. Até então...
Sexta faço trinta e dois anos. Ando ultimamente no mundo dos sonhos.
Retorno aos 6 e misturo imagens esmaecidas com pensamento complexo.
Descompasso novamente.
Repensar o mundo atravessando as sensações com lógica formal.
Minha mãe me deixa na escola pela primeira vez. Entra no Fusca naquele dia chuvoso e some. Quem é S e quem é P? Munch aristotelizado.
_____________________________________________________________________________________
A seda azul do papel que envolve a maçã: sempre senti o cheiro deste verso.
_____________________________________________________________________________________
Pouquíssimas letras de música são poemas verdadeiros. A maioria não passa de um bando de orações fracas potencializadas pela melodia. Tenho asco de quem não percebe isto. Comparar Chico Buarque com João Cabral é uma infâmia. Chega a doer. Dói tanto quanto a dor de quem não entende a música cabralina. Esta é dadaísmo pessoal. É música satinesca.
A minha é Gubaidulina. Foi tirada de Gubaidulina e de Schnittke. É provável que jamais seja algo, mas é uma tentativa com sinceros tons formais. E friso isto: uma tentativa ingênua, purificada, longe da bobagem musical hermaniana. Aliás, sempre ligo este pessoal à crítica ao jazz que é claramente de Adorno na Dialética do Esclarecimento: muito claro que há objetivos secundários. Muito claro que a estética se dissocia de si e se torna mentira. Cada movimento interessante é criado para ser interessante, e não para ser movimento. E assim se desenvolve a nova salvação da música brasileira, que não passa de pop bem feito com todos o elementos imagéticos da salvação: cristos no backstage.
E viva a dipirona.
Há um descompasso entre o meu corpo e o meu cérebro, reestabelecendo um cartesianismo que já deveria ser arcaico.
De um lado a dor, e do outro tudo o que é possível.
Engolir o mundo só não me é possível por conta do meu corpo falho.
Og ég fæ blóðnasir
En ég stend alltaf upp
Até quando?
Sim, estou com medo.
Pode ser nada, mas quero que isto seja afirmado, repetido, comprovado. Até então...
Sexta faço trinta e dois anos. Ando ultimamente no mundo dos sonhos.
Retorno aos 6 e misturo imagens esmaecidas com pensamento complexo.
Descompasso novamente.
Repensar o mundo atravessando as sensações com lógica formal.
Minha mãe me deixa na escola pela primeira vez. Entra no Fusca naquele dia chuvoso e some. Quem é S e quem é P? Munch aristotelizado.
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A seda azul do papel que envolve a maçã: sempre senti o cheiro deste verso.
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Pouquíssimas letras de música são poemas verdadeiros. A maioria não passa de um bando de orações fracas potencializadas pela melodia. Tenho asco de quem não percebe isto. Comparar Chico Buarque com João Cabral é uma infâmia. Chega a doer. Dói tanto quanto a dor de quem não entende a música cabralina. Esta é dadaísmo pessoal. É música satinesca.
A minha é Gubaidulina. Foi tirada de Gubaidulina e de Schnittke. É provável que jamais seja algo, mas é uma tentativa com sinceros tons formais. E friso isto: uma tentativa ingênua, purificada, longe da bobagem musical hermaniana. Aliás, sempre ligo este pessoal à crítica ao jazz que é claramente de Adorno na Dialética do Esclarecimento: muito claro que há objetivos secundários. Muito claro que a estética se dissocia de si e se torna mentira. Cada movimento interessante é criado para ser interessante, e não para ser movimento. E assim se desenvolve a nova salvação da música brasileira, que não passa de pop bem feito com todos o elementos imagéticos da salvação: cristos no backstage.
E viva a dipirona.
28.11.06
Muitos acontecimentos hoje.
Tive um dia cheio mas consegui resolver muitas coisas, consegui fazer coisas novas, consegui me lembrar de coisas importantes.
Sim, me lembrar. Tenho tido acessos de lembrança, mas de lembranças boas.
O fato de estar novamente circulando pela ruas do velho São Bernardo está me fazendo bem. Em cada esquina uma história. Em cada esquina uma viagem e um apagão do presente. Só tenho que me cuidar para não morrer atropelado.
Hoje passei em frente à Sociedade dos Amigos do Bairro São Bernardo. Isto existe pessoal, e foi lá a festa de casamento dos meus pais. 8745 pessoas, incluindo eu na barriga da minha mãe.
Lá também trabalhava a Tia Luzia, irmã da minha avó, uma das figuras que eu tive a maior sorte e o maior prazer de conhecer. Fumava sem parar, falava palavrão às tantas, era divertidíssima e tinha lindos, lindos olhos azuis.
A Tia Luzia era enfermeira e secretária da Sociedade.
Isto porque a Sociedade tinha médicos que atendiam a população do bairro, assim como dentistas. Eu fui várias vezes ao médico lá, e ao contrário do que pode parecer, era algo muito bem organizado: com bons médicos, boas salas para atendimento e muito carinho.
Em frente à Sociedade também foi dada a largada para o meu primeiro evento esportivo. Eu tinha uns nove anos, era uma corrida pelas ruas do bairro, e quem deu o tiro inicial foi o Ademar Ferreira da Silva. Passei a noite toda fazendo planos, bolando estratégias, contabilizando possibilidades para vencer. Mal dormi.
Já no mundo real eu corri o primeiro quarteirão, o segundo, o terceiro. No quarto me cansei, comecei a caminhar, e fui batendo papo com um outro perdedor até a linha de chegada. Foi então que eu percebi o verdadeiro sentido de "o que vale é participar": como só um ganha, o resto tem que ter uma desculpa convincente. Bem resignado, bem cristão.
Bem, passei em frente à Sociedade porque fui ensaiar na Opus. Fabiano voltará aos palcos, ainda que seja para uma participação irrisória. Mas foi muito bom, foi ótimo estar lá novamente. A mesma sala, o mesmo calor insuportável, o mesmo Carlão lembrando de todas as marcações feitas há 20 anos e esquecendo tudo em seguida.
Foi bom trabalhar com o corpo de novo: sentir, ver, experimentar em cima da carne. Tinha me esquecido disto, e hoje me lembrei, assim como das histórias da Sociedade.
_______________________________________________________________________________
Nietzsche escreveu coisas interessantes sobre a memória. Dizia que o homem é um animal doente porque é o único animal que pode fazer promessas. O único que tem memória, e que sofre por ela. A saúde estaria no esquecimento, que para ele não seria algo passivo, falho, mas uma força ativa: o esquecimento como uma função operativa. Não é necessário comentar o que a psicanálise fez com isso: o que é o trauma? O que é o recalque?
Eu estou trocando lembranças más por boas. Tentando me curar.
_______________________________________________________________________________
Hoje estava parado esperando para atravessar uma rua do Centro quando começou uma chuva absurda. Havia uma velhinha na minha frente, quase de costas pra mim. Uma moça parou ao lado da senhora, e ficou lá, por alguns segundos, de baixo d'água, aguardando os carros passarem. A velhinha então não teve dúvidas: dividiu o guarda-chuva que ela carregava com a moça. Disse assim: não, esperar este tempo todo aqui, você vai se molhar muito, eu te levo até aquela marquise. Achei aquilo lindo, e soltei os cachorros pro meu analista dizendo que o mundo precisava mais daquilo: de gentileza. E que se ninguém mais fazia estas coisas, eu era favor do retorno das aulas de Educação Moral e Cívica, porque se não se faz por bem, que se faça por mal: mas que se faça.
Claro que ele falou que eu era mesmo de direita.
Engraçado: tentar pôr ordem no mundo significa ser de direita. Então que se fique com a educação de esquerda, onde todo mundo faz o que quer porque é mais libertário (ué, liberdade não é coisa de direita? Ai senhor Bobbio). Onde todo mundo é igual (agora sim, igualdade é coisa de esquerda). Onde os avanços têm que ser em grupo, e por isso ninguém pode ser reprovado, o que causaria uma desestabilização no indíviduo e na "causa".
É. acho que é hora de dormir. Até mais...
Tive um dia cheio mas consegui resolver muitas coisas, consegui fazer coisas novas, consegui me lembrar de coisas importantes.
Sim, me lembrar. Tenho tido acessos de lembrança, mas de lembranças boas.
O fato de estar novamente circulando pela ruas do velho São Bernardo está me fazendo bem. Em cada esquina uma história. Em cada esquina uma viagem e um apagão do presente. Só tenho que me cuidar para não morrer atropelado.
Hoje passei em frente à Sociedade dos Amigos do Bairro São Bernardo. Isto existe pessoal, e foi lá a festa de casamento dos meus pais. 8745 pessoas, incluindo eu na barriga da minha mãe.
Lá também trabalhava a Tia Luzia, irmã da minha avó, uma das figuras que eu tive a maior sorte e o maior prazer de conhecer. Fumava sem parar, falava palavrão às tantas, era divertidíssima e tinha lindos, lindos olhos azuis.
A Tia Luzia era enfermeira e secretária da Sociedade.
Isto porque a Sociedade tinha médicos que atendiam a população do bairro, assim como dentistas. Eu fui várias vezes ao médico lá, e ao contrário do que pode parecer, era algo muito bem organizado: com bons médicos, boas salas para atendimento e muito carinho.
Em frente à Sociedade também foi dada a largada para o meu primeiro evento esportivo. Eu tinha uns nove anos, era uma corrida pelas ruas do bairro, e quem deu o tiro inicial foi o Ademar Ferreira da Silva. Passei a noite toda fazendo planos, bolando estratégias, contabilizando possibilidades para vencer. Mal dormi.
Já no mundo real eu corri o primeiro quarteirão, o segundo, o terceiro. No quarto me cansei, comecei a caminhar, e fui batendo papo com um outro perdedor até a linha de chegada. Foi então que eu percebi o verdadeiro sentido de "o que vale é participar": como só um ganha, o resto tem que ter uma desculpa convincente. Bem resignado, bem cristão.
Bem, passei em frente à Sociedade porque fui ensaiar na Opus. Fabiano voltará aos palcos, ainda que seja para uma participação irrisória. Mas foi muito bom, foi ótimo estar lá novamente. A mesma sala, o mesmo calor insuportável, o mesmo Carlão lembrando de todas as marcações feitas há 20 anos e esquecendo tudo em seguida.
Foi bom trabalhar com o corpo de novo: sentir, ver, experimentar em cima da carne. Tinha me esquecido disto, e hoje me lembrei, assim como das histórias da Sociedade.
_______________________________________________________________________________
Nietzsche escreveu coisas interessantes sobre a memória. Dizia que o homem é um animal doente porque é o único animal que pode fazer promessas. O único que tem memória, e que sofre por ela. A saúde estaria no esquecimento, que para ele não seria algo passivo, falho, mas uma força ativa: o esquecimento como uma função operativa. Não é necessário comentar o que a psicanálise fez com isso: o que é o trauma? O que é o recalque?
Eu estou trocando lembranças más por boas. Tentando me curar.
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Hoje estava parado esperando para atravessar uma rua do Centro quando começou uma chuva absurda. Havia uma velhinha na minha frente, quase de costas pra mim. Uma moça parou ao lado da senhora, e ficou lá, por alguns segundos, de baixo d'água, aguardando os carros passarem. A velhinha então não teve dúvidas: dividiu o guarda-chuva que ela carregava com a moça. Disse assim: não, esperar este tempo todo aqui, você vai se molhar muito, eu te levo até aquela marquise. Achei aquilo lindo, e soltei os cachorros pro meu analista dizendo que o mundo precisava mais daquilo: de gentileza. E que se ninguém mais fazia estas coisas, eu era favor do retorno das aulas de Educação Moral e Cívica, porque se não se faz por bem, que se faça por mal: mas que se faça.
Claro que ele falou que eu era mesmo de direita.
Engraçado: tentar pôr ordem no mundo significa ser de direita. Então que se fique com a educação de esquerda, onde todo mundo faz o que quer porque é mais libertário (ué, liberdade não é coisa de direita? Ai senhor Bobbio). Onde todo mundo é igual (agora sim, igualdade é coisa de esquerda). Onde os avanços têm que ser em grupo, e por isso ninguém pode ser reprovado, o que causaria uma desestabilização no indíviduo e na "causa".
É. acho que é hora de dormir. Até mais...
21.11.06
Dos poemas antigos
Escrito na contracapa de um Neruda
Acabastes de pedir-me
um abraço.
Dei-o, dizendo que
te amo, e
guardei-o aqui,
entre estas duas
folhas claras,
pensando torná-lo
eterno feito poema.
Acabastes de pedir-me
um abraço.
Dei-o, dizendo que
te amo, e
guardei-o aqui,
entre estas duas
folhas claras,
pensando torná-lo
eterno feito poema.
Segue abaixo o texto da discórdia.
Dia-a-dia
O mito é nada que é tudo.
Esta é a aula de percepção com que Fernando Pessoa nos brinda em um de seus poemas de Mensagem.
O mito, aquilo que é fábula, que não tem existência, fantástico por natureza, possui o poder de esconder, sob si, uma realidade que também não existe.
De criar, a partir de si, toda uma série de acontecimentos. De gerar tudo: um mundo novo, novinho em folha.
E continua o poeta:
Este (mito), que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
O mito e aquilo o que ele faz, e isto é óbvio, na realidade não têm existência.
O mito existe apenas na crença, na nossa crença que faz com que o nada seja algo.
E uma coisa engraçada: é até bom que ele não exista, ou que tenha uma existência pequena, pois assim ele pode ser tudo aquilo que queremos que ele seja. O mito é construído à imagem de nossas vontades.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Pois bem: acreditamos naquilo que não existe.
Acreditamos nas coisas que aquilo que não existe faz.
Claro que assim uma nova realidade é criada. Uma realidade que é ilusão, que é sonho, que é alucinação.
O mito é isto: dele brota todo um mundo de nadas; todo um universo que esconde aquilo que, digamos, é real. E este real, que na maioria das vezes é aquilo que não queremos, que não aceitamos, se transforma, ao se aproximar do mito, em mentira.
Assim, com o mito, a vida fica toda invertida: a verdade é mentira, e a mentira é verdade.
E enquanto isto? Enquanto preferimos acreditar neste nada, sonhar com este nada, alucinar este nada?
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
O mito, a ideologia e senso comum às vezes são a mesma coisa. O mito, a ideologia e senso-comum nos impedem de pensar.
Pense nisso, e até semana que vem...
O mito é nada que é tudo.
Esta é a aula de percepção com que Fernando Pessoa nos brinda em um de seus poemas de Mensagem.
O mito, aquilo que é fábula, que não tem existência, fantástico por natureza, possui o poder de esconder, sob si, uma realidade que também não existe.
De criar, a partir de si, toda uma série de acontecimentos. De gerar tudo: um mundo novo, novinho em folha.
E continua o poeta:
Este (mito), que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
O mito e aquilo o que ele faz, e isto é óbvio, na realidade não têm existência.
O mito existe apenas na crença, na nossa crença que faz com que o nada seja algo.
E uma coisa engraçada: é até bom que ele não exista, ou que tenha uma existência pequena, pois assim ele pode ser tudo aquilo que queremos que ele seja. O mito é construído à imagem de nossas vontades.
Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre.
Pois bem: acreditamos naquilo que não existe.
Acreditamos nas coisas que aquilo que não existe faz.
Claro que assim uma nova realidade é criada. Uma realidade que é ilusão, que é sonho, que é alucinação.
O mito é isto: dele brota todo um mundo de nadas; todo um universo que esconde aquilo que, digamos, é real. E este real, que na maioria das vezes é aquilo que não queremos, que não aceitamos, se transforma, ao se aproximar do mito, em mentira.
Assim, com o mito, a vida fica toda invertida: a verdade é mentira, e a mentira é verdade.
E enquanto isto? Enquanto preferimos acreditar neste nada, sonhar com este nada, alucinar este nada?
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.
O mito, a ideologia e senso comum às vezes são a mesma coisa. O mito, a ideologia e senso-comum nos impedem de pensar.
Pense nisso, e até semana que vem...
17.11.06
Tenho que terminar de contar as coisas de ontem, então...
Fui ao supermercado e comprei três grandes barras de chocolate e três garrafas de H2OH.
Suprimento antidepressivo. Como não posso beber (por enquanto) enfio o pé na jaca tomando H2OH. É o limite do subversivo com que Fabiano pode lidar atualmente: ficar doidão com água. Já o chocolate tem a ver com Maracangalha. Viu só como água deixa locão?
O dia de hoje começou chato. Andei de um lado para o outro pensando que não havia tido ainda uma percepção fantástica sequer, daquelas que a gente acha que vai salvar o mundo ou escrever um grande poema com ela.
Mal sabia eu, mas estava tudo reservado para a noite.
Meu irmão me convidou para o lançamento de um livro na escola dele. Chegando lá, além do lançamento, havia um sarau.
Muito bom de tão ruim que era a maioria do povo que se apresentou. Na verdade, estava mais pra show de calouros.
Melhor que qualquer sarau que eu já havia ido, já que sarau é a coisa mais chata do mundo. Aliás, não sei por que sarau existe. Aliás, sei sim: o sarau é uma reunião de narcisistas sadomasoquistas que querem foder consigo e com os outros através da arte. Arte que também, diga-se de passagem, é algo chato logo que se transforma em arte (um poema é legal enquanto poema - quando vira arte fica uma merda, como os poemas de um sarau).
Bem, o que interessa nesta história é que a Jany, a Carla e o Carlão estavam lá.
O que interessa é que a cavalaria estava montada para me colocar no colo. E conseguiram.
Ninguém tocou no assunto até que eu resolvesse falar, mas depois...
Muita força, muito aconchego, muito de tudo que pudesse me deixar pra cima.
Eu e a Carla comemos muito queijo, muitos canapés, tomamos muito ponche, conversamos muito, rimos muito.
A Jany, como sempre, extrapolou muito: jogou um frasco de essência na minha cabeça e disse que era pra me limpar das coisas ruins.
O Carlão se limitou a rir muito.
Já eu, fiquei muito feliz.
Legal também que, não sei como, a molecada já estava em polvorosa com o novo professor de Filosofia. Gente tentando se enturmar, me chamando pelo nome, eu hein!!??
Bom, enfim: redescobri o quanto gosto dos meus amigos, e o quanto eles gostam de mim. Foi confortável, reconfortante, revigorante. Isto pode não salvar o mundo, mas me salvou por hoje, e pode ser que dê poema.
Sentando aqui ainda me deparei com um e-mail dinamarquês: a cavalaria estrangeira, talvez a mais importante, também está a postos. Estou me sentindo abraçado hoje. Muito bem, obrigado.
Agora só me falta a Nália.
Fui ao supermercado e comprei três grandes barras de chocolate e três garrafas de H2OH.
Suprimento antidepressivo. Como não posso beber (por enquanto) enfio o pé na jaca tomando H2OH. É o limite do subversivo com que Fabiano pode lidar atualmente: ficar doidão com água. Já o chocolate tem a ver com Maracangalha. Viu só como água deixa locão?
O dia de hoje começou chato. Andei de um lado para o outro pensando que não havia tido ainda uma percepção fantástica sequer, daquelas que a gente acha que vai salvar o mundo ou escrever um grande poema com ela.
Mal sabia eu, mas estava tudo reservado para a noite.
Meu irmão me convidou para o lançamento de um livro na escola dele. Chegando lá, além do lançamento, havia um sarau.
Muito bom de tão ruim que era a maioria do povo que se apresentou. Na verdade, estava mais pra show de calouros.
Melhor que qualquer sarau que eu já havia ido, já que sarau é a coisa mais chata do mundo. Aliás, não sei por que sarau existe. Aliás, sei sim: o sarau é uma reunião de narcisistas sadomasoquistas que querem foder consigo e com os outros através da arte. Arte que também, diga-se de passagem, é algo chato logo que se transforma em arte (um poema é legal enquanto poema - quando vira arte fica uma merda, como os poemas de um sarau).
Bem, o que interessa nesta história é que a Jany, a Carla e o Carlão estavam lá.
O que interessa é que a cavalaria estava montada para me colocar no colo. E conseguiram.
Ninguém tocou no assunto até que eu resolvesse falar, mas depois...
Muita força, muito aconchego, muito de tudo que pudesse me deixar pra cima.
Eu e a Carla comemos muito queijo, muitos canapés, tomamos muito ponche, conversamos muito, rimos muito.
A Jany, como sempre, extrapolou muito: jogou um frasco de essência na minha cabeça e disse que era pra me limpar das coisas ruins.
O Carlão se limitou a rir muito.
Já eu, fiquei muito feliz.
Legal também que, não sei como, a molecada já estava em polvorosa com o novo professor de Filosofia. Gente tentando se enturmar, me chamando pelo nome, eu hein!!??
Bom, enfim: redescobri o quanto gosto dos meus amigos, e o quanto eles gostam de mim. Foi confortável, reconfortante, revigorante. Isto pode não salvar o mundo, mas me salvou por hoje, e pode ser que dê poema.
Sentando aqui ainda me deparei com um e-mail dinamarquês: a cavalaria estrangeira, talvez a mais importante, também está a postos. Estou me sentindo abraçado hoje. Muito bem, obrigado.
Agora só me falta a Nália.
16.11.06
Hoje pela manhã fui a um laboratório fazer exames.
Peguei o ônibus com uma sacolinha de O Boticário contendo 1l de xixi, e andei pelo centro da cidade como se nada houvesse de estranho. Sim , as aparências enganam e, neste caso, gargalham também.
Cheguei ao lugar às 10:30h, bem a tempo de encontrar uma menininha imbecil, com cerca de 4 anos de idade, que batia com os pés no chão, que rolava, que berrava, que irritava. Ela queria ficar sentada no balcão e o pai não deixava. Motivo suficiente pro show.
Bem, o que seguiu acabou por deixar tudo às claras.
Um tempinho se passou, e a enfermeira veia à porta chamar a criatura: - Maitê, box 1.
Sim meus amigos, a criatura se chamava Maitê. Isto explica tudo, não? Se você quiser ter uma filha minimamente interessante e consciente não ponha o nome de Maitê. A culpa ali era, portanto, dos pais, e Maitê só tratava de manter a escrita.
Dois minutos depois de a pentelha entrar comecei a ouvir os berros.
Sim, Maitezinha foi fazer exame de sangue.
Todos que estavam na sala de espera se entreolharam e se sentiram vingados.
Sim Maitezinha, tudo pode piorar.
Sim Maitezinha, agora você tem motivos pra espernear.
Sim Maitezinha, é provável que você nunca aprenda a hora certa de chorar.
Esta será tua herança maldita, colocada em seu caminho antes de você nascer, Maitê.
Maitê, a culpa é também, neste caso, dos seus pais.
Maitezinha saiu e eu fui chamado: - Fabiano Roberto, Box 3. Quase mandei uma cadeira na cabeça da enfermeira. Não bastava ter levado xixi pra passear. Não bastava a dor. Não bastava a Maitezinha: ela tinha que me lembrar de que meu nome é Fabiano Roberto - sim Mônica, pode rir. Aliás, não só me lembrou, como espalhou pro lugar todo. Deveria ter aberto o xixi e jogado na cabeça de todo mundo que ria por dentro.
Fabiano Roberto fez o que tinha que fazer e foi embora.
O centro é estranho em feriados.
Muitos mendigos que, é claro, estão sempre ali, mas se tornam imperceptíveis por conta do vai e vem das pessoas. Nos dias vazios eles não se misturam à paisagem; saltam dela, se ressaltam: feios, tristes, desesperadamente sós - Ah look at all the lonely people. E Fabiano Roberto vai pelo centro fazendo sua redução fenomenológica sobre os mendigos.
À noite vi o filme do Cazuza que só eu não tinha visto. Cortes muito mal feitos entre uma cena e outra. Cortes-tapa. Cortes-sopetão. Deixaram o filme feio, irritante, parecendo cinema nacional das antigas. Chorei com "se eu não posso te levar, quero que você me leve". É lindo isto, não?
Amanhã tem mais.
Peguei o ônibus com uma sacolinha de O Boticário contendo 1l de xixi, e andei pelo centro da cidade como se nada houvesse de estranho. Sim , as aparências enganam e, neste caso, gargalham também.
Cheguei ao lugar às 10:30h, bem a tempo de encontrar uma menininha imbecil, com cerca de 4 anos de idade, que batia com os pés no chão, que rolava, que berrava, que irritava. Ela queria ficar sentada no balcão e o pai não deixava. Motivo suficiente pro show.
Bem, o que seguiu acabou por deixar tudo às claras.
Um tempinho se passou, e a enfermeira veia à porta chamar a criatura: - Maitê, box 1.
Sim meus amigos, a criatura se chamava Maitê. Isto explica tudo, não? Se você quiser ter uma filha minimamente interessante e consciente não ponha o nome de Maitê. A culpa ali era, portanto, dos pais, e Maitê só tratava de manter a escrita.
Dois minutos depois de a pentelha entrar comecei a ouvir os berros.
Sim, Maitezinha foi fazer exame de sangue.
Todos que estavam na sala de espera se entreolharam e se sentiram vingados.
Sim Maitezinha, tudo pode piorar.
Sim Maitezinha, agora você tem motivos pra espernear.
Sim Maitezinha, é provável que você nunca aprenda a hora certa de chorar.
Esta será tua herança maldita, colocada em seu caminho antes de você nascer, Maitê.
Maitê, a culpa é também, neste caso, dos seus pais.
Maitezinha saiu e eu fui chamado: - Fabiano Roberto, Box 3. Quase mandei uma cadeira na cabeça da enfermeira. Não bastava ter levado xixi pra passear. Não bastava a dor. Não bastava a Maitezinha: ela tinha que me lembrar de que meu nome é Fabiano Roberto - sim Mônica, pode rir. Aliás, não só me lembrou, como espalhou pro lugar todo. Deveria ter aberto o xixi e jogado na cabeça de todo mundo que ria por dentro.
Fabiano Roberto fez o que tinha que fazer e foi embora.
O centro é estranho em feriados.
Muitos mendigos que, é claro, estão sempre ali, mas se tornam imperceptíveis por conta do vai e vem das pessoas. Nos dias vazios eles não se misturam à paisagem; saltam dela, se ressaltam: feios, tristes, desesperadamente sós - Ah look at all the lonely people. E Fabiano Roberto vai pelo centro fazendo sua redução fenomenológica sobre os mendigos.
À noite vi o filme do Cazuza que só eu não tinha visto. Cortes muito mal feitos entre uma cena e outra. Cortes-tapa. Cortes-sopetão. Deixaram o filme feio, irritante, parecendo cinema nacional das antigas. Chorei com "se eu não posso te levar, quero que você me leve". É lindo isto, não?
Amanhã tem mais.
19.10.06
Aqualogia I
N U V E M
D
E
E
G
O
T
A
E
M
M
G
O
T
A
O
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ENXURRADARIO
FALTADESEDEBRINCADEIRABANHO
FALTADESEDEBRINCADEIRABANHO
P
A
R
A
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T
A
S
QUE
RESTAM
A
R
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S
G
O
T
A
S
QUE
RESTAM
O C E A N O
18.10.06
Coisas
Preleções à Ética Divinesca
Primeiro Cantoração
Ferrolhas lâmpadas incandescentes
Saltando afora da vagina multicircular
Pasmada pelo choque errol-methenyiano
Que com baquetas tocaram-lhe carinhosamente
O complementar ânus vegeto e semiverde
Causando-lhe prazerosas constrições de chacoalho
À medida que pesapoderosos carros atravessam
As vias gerando agito trepido à lépida trepadolha.
A conectura elétrica da lâmpada
Cocegando como se dentro da
Boceta fechada a sêmen-de-contato
Possível fosse abandono da prenha
Centopéia agitada a passadas curtas que
Jamais voltaria a rever néonbregadeputeiro
Ou moleques famintos de sinaleiros ou rimas
Que não dizem a que vieram a rins alugados
Necroses e tetas de vacas parindo leiteritema
Para amanhã cedo pós charuto pustulento.
boa noite mamãe boa noite papai boa noite papai do céu amém
Segundo Cantoração
Apreciai as colunas similiformes.
Agradecei à beleza das eqüidades
E das impessoais doações de
Excessivas claridades bondosumanas.
Observai pássaros divinizadores
Sussurrando o verbo do bem-aventurado
Futuro sobrevoando de modo
Arquejante auréolas cranianas.
Agradecei e lembrai e pensai
Sobre o verme no interior
Do pássaro.
Emnomedopaifilhodatrepadorapombabrancamém
Terceiro Cantoração
Espremeduras de fezes cantarolando
Pseudointelectocanções avermelhadas
No embalejante instrumentalizar
Do violinista caolho e agora ventríloco
Colóstomosingers ou os omd amer da
No programadeaumictório do sábado
À tarde não perca mais aberratrações
Engraçadelhosas no próximo dia.
O homemacriançaamulher
Família formante do balletcancróide
E a satisfagarantida do outro lado
Da tela com as moscas do lado de
Fora que nadamaisé que teto e parede
E frestas de minh´alma cacarejante de
Pensar no menino comendocudegalinhashow.
P.S – Caipira, claro.
Papai do céu proteja todos os meus amigos amém
Interlúdico
Mesmo se pudesse realizar
Todas as vontades a que tenho
Dado o nome de sonhos,
Ainda sentiria náuseas do
Cansaço de estar sonhando.
Quarto Cantoração
Pólipos policiassassinos
Estrangulandoas putas munição
Na boca de crianças e sanguessugas
De escritório escritas strippers tripas
No corredor de ônibus pobrejos malcheirosos
Recriando nordestinamente a cidade arte
À la pixopichadoentescerebelais.
Chuva lavando sangue hic et nunc e
Chavébrios de mentalodosos baréticos
Pela madrugada inssossana e a urbe pletora
De continuências acidentórias e asfálticas
O que se verá na manhã cagada pelo
Peristaltioso universo humanobrado onde
Em manhãs de domenica putas oram enquanto
Freiras recolhem o viril metal por conta da nova
Diversão que começa.
Boa noite irmãzinha irmãozinho bichinhos amém
Quinto Cantoração
ou
Dísticos quasiversinhoanglosaxão de inspiração nietzschidéciopivaniana a serem reiterados a cada refedefecção.
Em construção...
God is dead,
But his flesh still smelling mad.
Adeus mamãe adeus papai adeus papai do céu do seu menininho amém
B
M A D
S
UP SET
Primeiro Cantoração
Ferrolhas lâmpadas incandescentes
Saltando afora da vagina multicircular
Pasmada pelo choque errol-methenyiano
Que com baquetas tocaram-lhe carinhosamente
O complementar ânus vegeto e semiverde
Causando-lhe prazerosas constrições de chacoalho
À medida que pesapoderosos carros atravessam
As vias gerando agito trepido à lépida trepadolha.
A conectura elétrica da lâmpada
Cocegando como se dentro da
Boceta fechada a sêmen-de-contato
Possível fosse abandono da prenha
Centopéia agitada a passadas curtas que
Jamais voltaria a rever néonbregadeputeiro
Ou moleques famintos de sinaleiros ou rimas
Que não dizem a que vieram a rins alugados
Necroses e tetas de vacas parindo leiteritema
Para amanhã cedo pós charuto pustulento.
boa noite mamãe boa noite papai boa noite papai do céu amém
Segundo Cantoração
Apreciai as colunas similiformes.
Agradecei à beleza das eqüidades
E das impessoais doações de
Excessivas claridades bondosumanas.
Observai pássaros divinizadores
Sussurrando o verbo do bem-aventurado
Futuro sobrevoando de modo
Arquejante auréolas cranianas.
Agradecei e lembrai e pensai
Sobre o verme no interior
Do pássaro.
Emnomedopaifilhodatrepadorapombabrancamém
Terceiro Cantoração
Espremeduras de fezes cantarolando
Pseudointelectocanções avermelhadas
No embalejante instrumentalizar
Do violinista caolho e agora ventríloco
Colóstomosingers ou os omd amer da
No programadeaumictório do sábado
À tarde não perca mais aberratrações
Engraçadelhosas no próximo dia.
O homemacriançaamulher
Família formante do balletcancróide
E a satisfagarantida do outro lado
Da tela com as moscas do lado de
Fora que nadamaisé que teto e parede
E frestas de minh´alma cacarejante de
Pensar no menino comendocudegalinhashow.
P.S – Caipira, claro.
Papai do céu proteja todos os meus amigos amém
Interlúdico
Mesmo se pudesse realizar
Todas as vontades a que tenho
Dado o nome de sonhos,
Ainda sentiria náuseas do
Cansaço de estar sonhando.
Quarto Cantoração
Pólipos policiassassinos
Estrangulandoas putas munição
Na boca de crianças e sanguessugas
De escritório escritas strippers tripas
No corredor de ônibus pobrejos malcheirosos
Recriando nordestinamente a cidade arte
À la pixopichadoentescerebelais.
Chuva lavando sangue hic et nunc e
Chavébrios de mentalodosos baréticos
Pela madrugada inssossana e a urbe pletora
De continuências acidentórias e asfálticas
O que se verá na manhã cagada pelo
Peristaltioso universo humanobrado onde
Em manhãs de domenica putas oram enquanto
Freiras recolhem o viril metal por conta da nova
Diversão que começa.
Boa noite irmãzinha irmãozinho bichinhos amém
Quinto Cantoração
ou
Dísticos quasiversinhoanglosaxão de inspiração nietzschidéciopivaniana a serem reiterados a cada refedefecção.
Em construção...
God is dead,
But his flesh still smelling mad.
Adeus mamãe adeus papai adeus papai do céu do seu menininho amém
B
M A D
S
UP SET
16.10.06
Eu apertei a mão do poeta
Textinho do Click:
Sim, eu também tenho ídolos. Todos nós os temos. A maioria dos meus escrevem ou escreviam.
Na semana passada, eu apertei a mão de um deles e me senti novamente criança: apertando a mão do Papai Noel, achando os ovos de páscoa, um passo acima da realidade, no mundo da fantasia, na lua.
os fios telegráficos simplificam as enchentes e as secas
os telefones anunciam a dissolução de todas as coisas
a paisagem racha-se de encontro com as almas
Pois bem, ele estava lá, bem na minha frente, lendo suas poesias. Dizendo seus textos, fazendo suas divagações, sendo sarcástico consigo mesmo.
O poeta tem 68 anos, sofre de Mal de Parkinson, mas não perde a fala potente, a língua construtora.
o vento sul sopra contra a solidão das janelas e as gaiolas de carne crua
Eu abro os braços para as cinzentas alamedas de São Paulo
e como um escravo vou medindo a vacilante música das flâmulas
Eu, como um aluno aplicado, levei os meus livros e acompanhei as leituras com o poeta. Descobri coisas novas em palavras que havia lido cem vezes. Nas fotos que havia olhado umas dez. Novas revelações que eu via como quem vê pela primeira vez um acrobata.
e um milhão de vaga-lumes trazendo estranhas tatuagens no ventre
se despedaçam contra os ninhos da Eternidade
O encontro estava próximo do fim. O que eu faria depois? Será que o poeta maldito, que sabia muito de filosofia, muito de história, muito de literatura, receberia alguém? Daria autógrafos? Algumas pessoas se dirigiram à mesa. Eu fui atrás.
minha vertigem entornando a alma violentamente por uma rua estranha
os insetos as nuvens costuram o espaço avermelhado de um céu sem dentes
O poeta visionário, louco, era um senhor doce, tranqüilo, que trazia carimbos para os autógrafos.
Pegou o meu livro e disse – Ah, você gosta de Paranóia é... – e eu – Poxa, é uma referência pra mim, uma paixão - ou seja, aquela fala inútil de fã.
E ele - Eu tinha 22 anos nesta época. Eu era bonito, né? Agora virei este caco.
O poeta colocou os carimbos, assinou com a mão trêmula.
Eu disse – Olha, eu trouxe uns poemas que escrevi pensando na sua obra, mas não sei se tenho cópias em casa.
Ele pegou os papéis, escreveu um endereço e falou – Mande pra cá, pra minha casa. Devolveu pra alguém uma caneta que havia emprestado, virou-se pra mim e perguntou - Qual o seu nome? Eu respondi.
Ele estendeu a mão e me disse – Muito prazer.
Que novo pensamento, que sonho sai de tua fronte noturna?
É noite. E tudo é noite.
E eu fui embora com meus presentes. Com minhas novas lembranças de criança. Divagando.
Eu havia apertado a mão do poeta. A mão que havia produzido sonhos que eu adorava ter.
Estranho, isto me fez produzir lembranças do tipo das que eu não deveria mais guardar na minha idade. Lembranças que de tão doces parecem carinhos de avó.
Onde exercitas os músculos de tua alma, agora?
Aviões iluminados dividem a noite em dois pedaços
Eu apalpo teu livro onde estrelas se refletem
Como numa lagoa
Eu também tenho ídolos.
Sim, eu também tenho ídolos. Todos nós os temos. A maioria dos meus escrevem ou escreviam.
Na semana passada, eu apertei a mão de um deles e me senti novamente criança: apertando a mão do Papai Noel, achando os ovos de páscoa, um passo acima da realidade, no mundo da fantasia, na lua.
os fios telegráficos simplificam as enchentes e as secas
os telefones anunciam a dissolução de todas as coisas
a paisagem racha-se de encontro com as almas
Pois bem, ele estava lá, bem na minha frente, lendo suas poesias. Dizendo seus textos, fazendo suas divagações, sendo sarcástico consigo mesmo.
O poeta tem 68 anos, sofre de Mal de Parkinson, mas não perde a fala potente, a língua construtora.
o vento sul sopra contra a solidão das janelas e as gaiolas de carne crua
Eu abro os braços para as cinzentas alamedas de São Paulo
e como um escravo vou medindo a vacilante música das flâmulas
Eu, como um aluno aplicado, levei os meus livros e acompanhei as leituras com o poeta. Descobri coisas novas em palavras que havia lido cem vezes. Nas fotos que havia olhado umas dez. Novas revelações que eu via como quem vê pela primeira vez um acrobata.
e um milhão de vaga-lumes trazendo estranhas tatuagens no ventre
se despedaçam contra os ninhos da Eternidade
O encontro estava próximo do fim. O que eu faria depois? Será que o poeta maldito, que sabia muito de filosofia, muito de história, muito de literatura, receberia alguém? Daria autógrafos? Algumas pessoas se dirigiram à mesa. Eu fui atrás.
minha vertigem entornando a alma violentamente por uma rua estranha
os insetos as nuvens costuram o espaço avermelhado de um céu sem dentes
O poeta visionário, louco, era um senhor doce, tranqüilo, que trazia carimbos para os autógrafos.
Pegou o meu livro e disse – Ah, você gosta de Paranóia é... – e eu – Poxa, é uma referência pra mim, uma paixão - ou seja, aquela fala inútil de fã.
E ele - Eu tinha 22 anos nesta época. Eu era bonito, né? Agora virei este caco.
O poeta colocou os carimbos, assinou com a mão trêmula.
Eu disse – Olha, eu trouxe uns poemas que escrevi pensando na sua obra, mas não sei se tenho cópias em casa.
Ele pegou os papéis, escreveu um endereço e falou – Mande pra cá, pra minha casa. Devolveu pra alguém uma caneta que havia emprestado, virou-se pra mim e perguntou - Qual o seu nome? Eu respondi.
Ele estendeu a mão e me disse – Muito prazer.
Que novo pensamento, que sonho sai de tua fronte noturna?
É noite. E tudo é noite.
E eu fui embora com meus presentes. Com minhas novas lembranças de criança. Divagando.
Eu havia apertado a mão do poeta. A mão que havia produzido sonhos que eu adorava ter.
Estranho, isto me fez produzir lembranças do tipo das que eu não deveria mais guardar na minha idade. Lembranças que de tão doces parecem carinhos de avó.
Onde exercitas os músculos de tua alma, agora?
Aviões iluminados dividem a noite em dois pedaços
Eu apalpo teu livro onde estrelas se refletem
Como numa lagoa
Eu também tenho ídolos.
15.10.06
Sem maiores comentários.
Da série coisas que têm que calar pra depois oxalá virarem futuro.
Boa viagem.
Estudos para uma bailadora andaluza
Dir-se-ia, quando aparece
dançando por siguiryas,
que com a imagem do fogo
inteira se idenifica.
Todos os gestos do fogo
que então possui dir-se-ia:
gestos da folha do fogo,
de seu cabelo, sua língua:
gestos do corpo do fogo,
de sua carne em agonia,
carne de fogo, só nervos,
carne toda em carne viva.
Então o caráter do fogo
nela também se adivinha:
mesmo gosto dos extremos,
de natureza faminta,
gosto de chegar ao fim
do que dele se aproxima,
gosto de chegar-se ao fim,
de atingir a própria cinza.
Porém a imagem do fogo
é num ponto desmentida:
que o fogo não é capaz
como ela é, nas siguiryas,
de arrancar-se de si mesmo
numa primeira faísca,
nessa que, quando ela quer,
vem e acende-a fibra a fibra,
que somente ela é capaz
de acender-se estando fria,
de incendiar-se com nada,
de incediar-se sozinha.
Da série coisas que têm que calar pra depois oxalá virarem futuro.
Boa viagem.
Estudos para uma bailadora andaluza
Dir-se-ia, quando aparece
dançando por siguiryas,
que com a imagem do fogo
inteira se idenifica.
Todos os gestos do fogo
que então possui dir-se-ia:
gestos da folha do fogo,
de seu cabelo, sua língua:
gestos do corpo do fogo,
de sua carne em agonia,
carne de fogo, só nervos,
carne toda em carne viva.
Então o caráter do fogo
nela também se adivinha:
mesmo gosto dos extremos,
de natureza faminta,
gosto de chegar ao fim
do que dele se aproxima,
gosto de chegar-se ao fim,
de atingir a própria cinza.
Porém a imagem do fogo
é num ponto desmentida:
que o fogo não é capaz
como ela é, nas siguiryas,
de arrancar-se de si mesmo
numa primeira faísca,
nessa que, quando ela quer,
vem e acende-a fibra a fibra,
que somente ela é capaz
de acender-se estando fria,
de incendiar-se com nada,
de incediar-se sozinha.
12.9.06
Bem, acho que dissociava antes da dissociação:
parecedosas mulhemieres voandocas meacenam
pertoda porta e minhaefE50 atravessa o sonho e me
acordalha pelostím panosmolhadoçuras e Água fresca
a oa cordar incordado cordatoCuore
somedaywe’llwalkintheraysofabeautifulsun
somedaywhentheworldismuchlighterLikeaflowerinthe
darkidon´treflecthelightnowhereandtrytoflyaroundthemoon
nãonão reflitero a luz sãoapenas de ornitoriso que faço
eosaposeasienasais de Tiananmenbad drink gin mentre io
peço umrum para viagem e não deveria papar de beber
até tentar ósculosemeustestículosts Mas de queadianta
seas crianças ainda morremnolíbanoirãafricanesquina
(o ator agora deverá Chorar compulsivamente)
placas de titânio no cérebro e a fenda parainjecçãoDasparoxítinas
que colorem as imagens que penetram pelos olhos naprogramação
da semana teremos “- idealismo de agulha –“ ou
eis-me um prozaqueano
na promoção troque dois ComprimidoS azuis mais dois gols do camisa dez e
e ganhe essa tal felicidade queraumacasinhaunacolinaQuandoagentequeramar .
parecedosas mulhemieres voandocas meacenam
pertoda porta e minhaefE50 atravessa o sonho e me
acordalha pelostím panosmolhadoçuras e Água fresca
a oa cordar incordado cordatoCuore
somedaywe’llwalkintheraysofabeautifulsun
somedaywhentheworldismuchlighterLikeaflowerinthe
darkidon´treflecthelightnowhereandtrytoflyaroundthemoon
nãonão reflitero a luz sãoapenas de ornitoriso que faço
eosaposeasienasais de Tiananmenbad drink gin mentre io
peço umrum para viagem e não deveria papar de beber
até tentar ósculosemeustestículosts Mas de queadianta
seas crianças ainda morremnolíbanoirãafricanesquina
(o ator agora deverá Chorar compulsivamente)
placas de titânio no cérebro e a fenda parainjecçãoDasparoxítinas
que colorem as imagens que penetram pelos olhos naprogramação
da semana teremos “- idealismo de agulha –“ ou
eis-me um prozaqueano
na promoção troque dois ComprimidoS azuis mais dois gols do camisa dez e
e ganhe essa tal felicidade queraumacasinhaunacolinaQuandoagentequeramar .
3.4.06
Desenho ao lado: olho doido. Pegou no ar...Vamos às últimas notícias pessoais, que afinal explicam o meu desaparecimento do mundo:
1 de março - Fabiano passa o dia com muita dor de cabeça, o mundo rodando, dificuldade em ver as coisas, muito muito muito sono, impossibilidade de trabalhar.
Na cabeça de Fabiano - Ah, é stress, isto passa, tirarei o dia para fazer nada...
No dia seguinte, Fabiano passa o dia com muita dor de cabeça, o mundo girando, sem ver as coisas direito, muito muito muito muito sono, sem qualquer chance de trabalhar.
Fabiano pensa - Ah, acho que preciso de mais um dia... isto passa...
Nas duas semanas seguintes Fabiano passa os dias com muita dor de cabeça, o mundo pra lá e pra cá...
Domingo, 12 de março - Fabiano acorda com o que o psiquiatra chamou de crise dissociativa. Confusão, confusão, confusão... eu desaparecendo, me esvaindo em meio aos pensamentos mais estranhos, uma música que não parava de tocar, uma rave no meu cérebro, muita angústia. Fabiano atormentado passa mal, vomita, vai para o hospital. Explica a mesma coisa para quatro médicos - dois clínicos e dois neurologistas - exames, exames, exames: muita martelada nos joelhos, cotovelos e afins. Volte amanhã porque é bom que faça uma tomografia. Fabiano volta no dia seguinte, faz a tomografia e... nada. Então você deve passar pelo psiquiatra. Psiquiatra, sem saber o que dizer: você está passando por uma crise depressiva atípica. Pondera, 20mg, toda manhã.
Fabiano continua passando mal. Dia 15, quarta: nova crise dissociativa. Desespero. Sinto-me péssimo na verdade. Náusea, tontura, cérebro ou desligado ou em curto. Hospital. Psiquiatra: além do Pondera, Frontal, 0,5 mg. Dias um pouco melhores: menos tontura, menos angústia, muito sono mas dormindo mal, cérebro longe de funcionar bem. Consulta do dia 27: aumentada a dose de Frontal: 1mg. Fabiano fica dopado a maior parte do dia. Fabiano em Um estranho no ninho. Sábado, 1 de abril: nova crise dissociativa, agora um pouco mais fraca. Saio andando por aí, sem rumo, angustiado, desesperado. Volto pra casa. 1mg de Frontal. Paulada na cabeça. Durmo o dia todo.
Desespero 2: tenho que entregar as coisas do trabalho até o dia 7. Não há possibilidade de fazer coisa que seja. Vamos ver no que vai dar...
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